CircularSeção 1 · Edição 183 · Pág. 41
Circular
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços › Secretaria de Comércio Exterior
Texto integral
194. Cabe notar que, no mencionado item da NCM/SH, classificam-se, para além de mercadorias enquadradas no escopo da presente investigação, outras telas metálicas, tais como:
· telas hexagonais com largura da malha superior a 100,0 mm e/ou com diâmetro do arame superior a 2,15 mm (normalmente utilizadas para fabricação de gabiões para contenção de encostas); e
· telas com malhas não-hexagonais (como quadradas ou retangulares), sejam telas tecidas por torção (conhecidas como "telas de alambrado") ou telas tecidas com nós de arame (conhecidas como "telas de nó").
195. Observa-se que essas outras telas não concorrem com o produto objeto da investigação, tratando-se de produto de custo mais alto, mais pesado, e que demanda serviços complementares de manuseio e instalação, contrariamente às telas hexagonais zincadas sob análise.
196. Visando tornar a análise do valor das importações mais uniforme, considerando que o frete e o seguro, dependendo da origem considerada, têm impacto relevante sobre o preço de concorrência entre os produtos ingressados no mercado brasileiro, a análise foi realizada em base CIF. [RESTRITO].
197. As tabelas seguintes apresentam os volumes, valores e preços CIF das importações totais de telas hexagonais, bem como suas variações, no período de investigação de indícios de dano à indústria doméstica:
Importações Totais (em t)
[RESTRITO] Em número-índice
P1
P2
P3
P4
P5
P1 - P5
China
100,0
46,2
36,1
90,5
118,2
REST
Total (sob análise)
100,0
46,2
36,1
90,5
118,2
REST
Variação
-
(53,8%)
(22,0%)
150,9%
30,6%
+ 18,2%
Hong Kong
100,0
1000,0
672,2
-
2094,4
REST
Outras (*)
100,0
50,0
233,3
25,0
50,0
REST
Total (exceto sob análise)
100,0
457,1
421,4
14,3
923,8
REST
Variação
-
362,3%
(8,0%)
(96,5%)
6.148,5%
+ 833,9%
Total Geral
100,0
46,5
36,3
90,5
118,6
REST
Variação
-
(53,5%)
(21,9%)
149,2%
31,2%
+ 18,6%
Fonte: RFB.
Elaboração: DECOM.
(*) Demais Países: Alemanha, Áustria, Canada, Chile, Cingapura, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, Índia, Itália, Malásia, Países Baixos (Holanda), Paraguai, Peru, Portugal, Suécia.
Valor das Importações Totais (em CIF USD x1.000)
[RESTRITO] Em número-índice
P1
P2
P3
P4
P5
P1 - P5
China
100,0
65,4
33,3
78,0
111,3
REST
Total (sob análise)
100,0
65,4
33,3
78,0
111,3
REST
Variação
-
(34,6%)
(49,1%)
134,3%
42,7%
+ 11,3%
Hong Kong
100,0
957,7
502,0
-
1159,2
REST
Outras (*)
100,0
149,5
219,6
79,1
90,7
REST
Total (exceto sob análise)
100,0
313,4
276,9
63,0
307,4
REST
Variação
-
213,3%
(11,6%)
(77,2%)
387,5%
+ 207,3%
Total Geral
100,0
65,8
33,7
78,0
111,7
REST
Variação
-
(34,2%)
(48,8%)
131,2%
43,2%
+ 11,7%
Elaboração: DECOM
Fonte: RFB
(*) Demais Países: Alemanha, Áustria, Canada, Chile, Cingapura, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, Índia, Itália, Malásia, Países Baixos (Holanda), Paraguai, Peru, Portugal, Suécia.
Preço das Importações Totais (em CIF USD/t)
[RESTRITO] Em número-índice
P1
P2
P3
P4
P5
P1 - P5
China
100,0
141,5
92,3
86,2
94,2
REST)
Total (sob análise)
100,0
141,5
92,3
86,2
94,2
REST)
Variação
-
41,5%
(34,8%)
(6,6%)
9,3%
(5,8%)
Hong Kong
100,0
94,2
73,4
-
54,6
REST
Outras (*)
100,0
298,9
94,3
303,5
186,1
REST
Total (exceto sob análise)
100,0
67,8
65,1
421,8
32,9
REST
Variação
-
(32,2%)
(4,0%)
548,3%
(92,2%)
(67,1%)
Total Geral
100,0
141,7
92,9
86,2
94,1
REST
Variação
-
41,7%
(34,4%)
(7,2%)
9,2%
(5,9%)
Fonte: RFB.
Elaboração: DECOM.
(*) Demais Países: Alemanha, Áustria, Canada, Chile, Cingapura, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, Índia, Itália, Malásia, Países Baixos (Holanda), Paraguai, Peru, Portugal, Suécia.
198. Observou-se que o indicador de volume das importações brasileiras da origem investigada diminuiu 53,8% de P1 para P2 e 22,0% de P2 para P3. Nos períodos subsequentes, houve aumento de 150,9% entre P3 e P4 e de 30,6% entre P4 e P5. Ao se considerar todo o período de análise, o indicador revelou variação positiva de 18,2% em P5, comparativamente a P1.
199. Com relação à variação de volume das importações brasileiras do produto das demais origens ao longo do mesmo período, houve aumento de 362,3% entre P1 e P2, enquanto de P2 para P3 se nota retração de 8,0%. De P3 para P4 houve diminuição de 96,5%, e entre P4 e P5 o indicador registrou elevação de 6.148,6%. Ao considerar toda a série, o indicador apresentou expansão de 833,4%, considerado P5 em relação P1.
200. Avaliando a variação do volume total de importações brasileiras, entre P1 e P2 verifica-se diminuição de 53,5%; entre P2 e P3, queda de 21,9%; entre P3 para P4, crescimento de 149,2%; e entre P4 e P5, ampliação de 31,2%. Analisando-se todo o período, o volume total de importações brasileiras apresentou expansão da ordem de 18,6%, considerado P5 em relação a P1.
5.2. Do mercado brasileiro e da evolução das importações
201. Primeiramente, destaque-se que não houve consumo cativo por parte da indústria doméstica, de modo que o consumo nacional aparente (CNA) e o mercado brasileiro de telas hexagonais se equivalem. A peticionária informou, ainda, que não realizou serviço de industrialização para terceiros (tolling) durante o período de investigação de indícios de dano.
202. Para dimensionar o mercado brasileiro de telas hexagonais, foram consideradas as quantidades vendidas, de fabricação própria, no mercado interno pela indústria doméstica, líquidas de devoluções, reportadas pela peticionária, bem como as quantidades importadas apuradas com base nos dados de importação fornecidos pela RFB, conforme apresentadas no item anterior.
Do Mercado Brasileiro e da Evolução das Importações (em t)
[RESTRITO] Em número-índice
Mercado Brasileiro
P1
P2
P3
P4
P5
P1 - P5
Mercado Brasileiro {A+B+C}
100,0
70,2
70,6
87,0
98,6
REST
Variação
-
(29,8%)
0,5%
23,3%
13,3%
REST
A. Vendas Internas - Indústria Doméstica
100,0
73,2
75,4
76,8
89,8
REST
Variação
-
(26,8%)
3,0%
1,8%
17,0%
REST
B. Vendas Internas - Outras Empresas
100,0
88,5
95,8
106,5
97,3
REST
Variação
-
(11,5%)
8,3%
11,1%
(8,6%)
REST
C. Importações Totais
100,0
46,5
36,3
90,5
118,6
REST
C1. Importações - Origem sob Análise
100,0
46,2
36,1
90,5
118,2
REST
Variação
-
(53,8%)
(22,0%)
150,9%
30,6%
REST
C2. Importações - Outras Origens
100,0
457,1
421,4
14,3
923,8
REST
Variação
-
362,3%
(8,0%)
(96,5%)
6.148,5%
REST
Participação no Mercado Brasileiro
Participação das Vendas Internas da Indústria Doméstica {A/(A+B+C)}
100,0
104,2
106,7
88,1
91,0
REST
Participação das Vendas Internas de Outras Empresas {B/(A+B+C)}
100,0
126,2
135,6
122,3
98,7
REST
Participação das Importações Totais {C/(A+B+C)}
100,0
66,1
51,4
103,7
120,0
REST
Participação das Importações - Origem sob Análise {C1/(A+B+C)}
100,0
66,0
51,2
104,1
120,1
REST
Participação das Importações - Outras Origens {C2/(A+B+C)}
-
100,0
100,0
-
100,0
REST
Representatividade das Importações da Origem sob Análise
Participação no Mercado Brasileiro {C1/(A+B+C)}
100,0
66,0
51,2
104,1
120,1
REST
Participação nas Importações Totais {C1/C}
100,0
99,5
99,4
100,1
99,6
REST
F. Volume de Produção Nacional {F1+F2}
100,0
70,0
79,3
82,6
88,8
REST
Variação
-
(30,0%)
13,2%
4,2%
7,5%
REST
F1. Volume de Produção - Indústria Doméstica
100,0
65,2
72,2
72,9
85,1
REST
Variação
-
(34,8%)
10,8%
1,0%
16,8%
REST
F2. Volume de Produção - Outras Empresas
100,0
81,4
95,9
105,5
97,5
REST
Variação
-
(18,6%)
17,8%
10,0%
(7,6%)
REST
Relação com o Volume de Produção Nacional {C1/F}
100,0
66,1
45,5
109,7
133,2
REST
Fonte: RFB e Indústria Doméstica.
Elaboração: DECOM.
203. Observou-se que o indicador de mercado brasileiro de telas hexagonais diminuiu 29,8% de P1 para P2 e aumentou 0,5% de P2 para P3. Nos períodos subsequentes, houve aumento de 23,3% entre P3 e P4 e de 13,3% entre P4 e P5. Ao considerar todo o período de análise, o indicador revelou variação negativa de 1,4% em P5, comparativamente a P1.
204. A participação das vendas internas da indústria doméstica no mercado brasileiro cresceu [RESTRITO] p.p. (P1 a P2) e [RESTRITO] p.p. (P2 a P3) e atingiu o maior patamar da série histórica em P3 ([RESTRITO] %). De P3 a P4, registou recuo de [RESTRITO] p.p. e o menor nível de participação da série ([RESTRITO] %) em P4. O indicador teve queda de [RESTRITO] p.p. nos extremos dos períodos de análise do dano.
205. A participação das vendas internas das outras produtoras nacionais registou aumentos sucessivos de [RESTRITO] p.p. (entre P1 e P2) e [RESTRITO] p.p. (entre P2 e P3), seguido de quedas sucessivas de [RESTRITO] p.p. (P3 a P4) e [RESTRITO] p.p. (P4 a P5). O indicador teve recuo de [RESTRITO] p.p. entre P1 e P5.
206. Quanto à participação das importações da origem investigada, observou-se diminuição de [RESTRITO] p.p. de P1 para P2 e [RESTRITO] p.p. de P2 para P3, quando atingiu o menor patamar da série história ([RESTRITO] %). Nos períodos subsequentes, houve aumento de [RESTRITO] p.p. entre P3 e P4 e de [RESTRITO] p.p. entre P4 e P5. Em P5, a participação das importações da origem investigada atingiu o maior nível ([RESTRITO] %) Ao considerar todo o período de análise, o indicador revelou variação positiva de [RESTRITO] p.p. em P5, com relação a P1.
207. Por fim, observou-se que a relação entre as importações da origem investigada e a produção nacional de telas hexagonais reduziu [RESTRITO] p.p. de P1 a P2 e [RESTRITO] p.p. de P2 a P3. Entre P3 e P4, registrou aumento de [RESTRITO] p.p. e entre P4 e P5, de [RESTRITO] p.p., representando [RESTRITO] % em P5. Ao considerar todo o período investigado, de P1 a P5, essa relação apresentou expansão de [RESTRITO] p.p.
5.3. Da conclusão a respeito das importações
208. Com base nos dados anteriormente apresentados, concluiu-se que:
a) durante o período de P1 a P5, o volume total de importações de telas hexagonais registrou crescimento acumulado de 18,6%. Por sua vez, o volume importado da origem investigada passou de [RESTRITO] t em P1 para [RESTRITO] t em P5, correspondendo a um aumento de 18,2%. Ressalte-se que o volume de importações da origem investigada correspondeu, entre P1 e P5, respectivamente, a [RESTRITO] do total importado de telas hexagonais pelo Brasil;
b) com relação aos preços (em CIF US$/t) das importações da origem investigada, considerando-se os extremos da série de análise, houve diminuição de 5,8%, com significativo aumento entre P1 e P2, de 41,5%, seguido de quedas consecutivas de 34,8% de P2 para P3 e 6,6% de P3 para P4. O preço CIF da origem investigada voltou a registrar aumento (9,3%) de P4 a P5;
c) a participação das importações originárias da China no mercado brasileiro cresceu [RESTRITO] p.p. na comparação de P5 em relação a P1, passando de [RESTRITO] % em P1 para [RESTRITO] % em P5, enquanto, no mesmo período, a indústria doméstica reduziu sua participação em [RESTRITO] p.p., passando de [RESTRITO] % em P1 para [RESTRITO] % em P5;
d) em relação à produção nacional, as importações da origem investigada representavam [RESTRITO] % em P1 e, em P5, corresponderam a [RESTRITO] % do volume total produzido no país, um aumento acumulado de [RESTRITO] p.p. na série histórica.
209. Diante desse cenário, observou-se aumento nas importações da origem investigada com preços com indícios de dumping, seja em termos absolutos, seja em relação ao mercado brasileiro ou ao volume de produção nacional.
6. DA ANÁLISE SOBRE OS INDÍCIOS DE DANO
210. De acordo com o disposto no art. 30 do Decreto nº 8.058, de 2013, a análise de dano deve fundamentar-se no exame objetivo do volume das importações a preços com indícios de dumping, no seu possível efeito sobre os preços do produto similar no mercado brasileiro e no consequente impacto dessas importações sobre a indústria doméstica.
211. Conforme explicitado no item 5 deste documento, para efeito da análise relativa à determinação de início da investigação, considerou-se o período de outubro de 2020 a setembro de 2025.
6.1. Dos indicadores da indústria doméstica
212. Para uma adequada avaliação da evolução dos dados em moeda nacional, atualizaram-se os valores correntes com base no Índice de Preços ao Produtor Amplo - Origem - Produtos Industrializados (IPA-OG-PI), da Fundação Getúlio Vargas, [RESTRITO].
213. De acordo com a metodologia aplicada, os valores em reais correntes de cada período foram divididos pelo índice de preços médio do período, multiplicando-se o resultado pelo índice de preços médio de P5. Essa metodologia foi aplicada a todos os valores monetários em reais apresentados.
214. Destaque-se que os indicadores econômico-financeiros apresentados neste documento são referentes exclusivamente à produção e às vendas da indústria doméstica de talas hexagonais no mercado interno, salvo quando expressamente disposto de forma diversa.
6.1.1. Da evolução global da indústria doméstica
6.1.1.1 Dos indicadores de venda e participação no mercado brasileiro
215. A tabela a seguir apresenta, entre outras informações, as vendas da indústria doméstica de telas hexagonais de fabricação própria, destinadas aos mercados interno e externo, conforme informado pela peticionária. Cumpre ressaltar que as vendas são apresentadas líquidas de devoluções.
Dos Indicadores de Venda e Participação no Mercado Brasileiro (em t)
[RESTRITO] Em número-índice
P1
P2
P3
P4
P5
P1 - P5
Indicadores de Vendas
A. Vendas Totais da Indústria Doméstica
100,0
73,2
75,5
76,9
89,9
REST
Variação
-
(26,8%)
3,1%
1,8%
16,9%
A1. Vendas no Mercado Interno
100,0
73,2
75,5
76,9
89,9
REST
Variação
-
(26,8%)
3,0%
1,8%
17,0%
REST
A2. Vendas no Mercado Externo
100,0
80,8
116,4
118,7
101,0
REST
Variação
-
(19,2%)
44,1%
2,0%
(14,9%)
REST
Mercado Brasileiro
B. Mercado Brasileiro
100,0
70,2
70,6
87,0
98,6
REST
Variação
-
(29,8%)
0,5%
23,3%
13,3%
REST
Representatividade das Vendas no Mercado Interno
Participação nas Vendas Totais {A1/A}
100,0
100,0
99,9
99,9
100,0
REST
Participação no Mercado Brasileiro {A1/B}
100,0
104,2
106,7
88,1
91,0
REST
Fonte: RFB e Indústria Doméstica.
Elaboração: DECOM.
216. Em relação ao indicador de vendas da indústria doméstica destinadas ao mercado interno, observou-se redução de 26,8% de P1 para P2 e aumento de 3,0% de P2 para P3. Nos períodos subsequentes, houve crescimento de 1,8% entre P3 e P4 e de 17,0% entre P4 e P5. Considerando-se todo o período analisado, o indicador de vendas da indústria doméstica destinadas ao mercado interno apresentou variação negativa de 10,2% em P5, em comparação com P1.
217. Por sua vez, o indicador de vendas da indústria doméstica destinadas ao mercado externo apresentou redução de 19,2% entre P1 e P2. Entre P2 e P3, observou-se expansão de 44,1%, seguida de crescimento de 2,0% entre P3 e P4. Já no intervalo entre P4 e P5, o indicador registrou queda de 14,9%. Considerando toda a série analisada, as vendas da indústria doméstica destinadas ao mercado externo apresentaram expansão de 1,0% em P5 em relação ao início do período avaliado (P1). Ressalte-se que a participação das vendas externas da indústria doméstica no total de suas vendas, em volume, atingiu, no máximo, [RESTRITO] % ao longo do período em análise.
218. Ou seja, a participação das vendas internas da indústria doméstica no total de suas vendas permaneceu significativa durante todo o período analisado, representando entre [RESTRITO] % e [RESTRITO] % das vendas totais da indústria doméstica. Tal resultado evidencia a predominância do mercado interno na composição das vendas ao longo do período em análise.
219. Verificou-se que o indicador de participação das vendas da indústria doméstica no mercado brasileiro cresceu [RESTRITO] p.p. de P1 para P2 e [RESTRITO] p.p. de P2 para P3. Entre P3 e P4, reduziu-se em [RESTRITO] p.p. No período subsequente, houve crescimento de [RESTRITO] p.p. Considerando todo o período de análise, o indicador de participação das vendas da indústria doméstica no mercado brasileiro apresentou variação negativa de [RESTRITO] [RESTRITO] p.p. em P5, em relação a P1.
6.1.1.2 Dos indicadores de produção, capacidade e estoque
220. O produto similar, de acordo com dados da petição, é produzido [CONFIDENCIAL], unidade da Morlan localizada na cidade de Orlândia, em São Paulo. Cabe ressaltar que a linha de produção do produto similar não é compartilhada com outros produtos. [CONFIDENCIAL].
221. O cálculo da capacidade efetiva da Morlan considera a classificação de dois grupos de máquinas, denominados [CONFIDENCIAL] e [CONFIDENCIAL].
222. Para o cálculo da capacidade das máquinas do grupo [CONFIDENCIAL], foram utilizados dados provenientes de dois sistemas. Os dados utilizados referem-se ao período P5.
223. Considerando que a capacidade produtiva, expressa em quilogramas, é diretamente influenciada pelo mix de produtos fabricados, em função de variáveis como diâmetro do fio, dimensões da tela e possibilidade de produção simultânea de duas telas, foi definido um mix de produção representativo com base nos tempos reais de produção registrados no sistema [CONFIDENCIAL].
224. A partir do mix definido, foram extraídos os roteiros de produção cadastrados no sistema e calculada a produção teórica mensal, considerando um período de [CONFIDENCIAL].
225. Para tornar o cálculo aderente às condições reais de operação, a produção teórica foi ajustada mediante a aplicação de dois índices de eficiência: [CONFIDENCIAL]. A aplicação desses fatores resultou na estimativa da produção real mensal esperada para cada máquina.
226. Com o objetivo de determinar a capacidade efetiva, foram analisadas todas as paradas não programadas registradas no sistema [CONFIDENCIAL] durante o período P5. Após a classificação das ocorrências, foi realizado o cálculo da capacidade efetiva, desconsiderando-se as paradas decorrentes de falta de matéria-prima e de retrofit, uma vez que, para essa finalidade, considera-se a operação com plena disponibilidade de insumos e equipamentos em condições normais de funcionamento.
227. O cálculo da capacidade instalada nominal considerou a produção máxima teórica correspondente a 30 dias de operação contínua, sem qualquer tipo de ineficiência. Para sua apuração, foi realizado o cálculo inverso da produção real, assumindo 100% de disponibilidade e 100% de OEE.
228. Para as máquinas que possuem [CONFIDENCIAL], foi considerada a produção real registrada no período de outubro de 2020 a setembro de 2025.
229. A capacidade efetiva foi definida como a média mensal de produção desse período, considerando apenas os meses em que a máquina operou [CONFIDENCIAL], com o objetivo de evitar distorções decorrentes de períodos de baixa utilização.
230. A capacidade nominal dessas máquinas foi estimada por meio do cálculo inverso da produção efetiva, assumindo um nível de eficiência equivalente a [CONFIDENCIAL].
231. Registre-se que, conforme informado na petição, a operação é conduzida, em condições normais, em regime contínuo de quatro turnos diários de seis horas cada, totalizando 24 horas de operação por dia. O processo produtivo é realizado em bateladas, sendo a capacidade de produção mensurada com base na quantidade de rolos acabados produzidos por unidade de tempo, expressa em rolos por hora ou por minuto. Em situações de retração da demanda ou insuficiência de pedidos, a duração individual dos turnos permanece inalterada, mantendo-se em seis horas; entretanto, o número de turnos efetivamente realizados pode ser reduzido para dois ou três turnos diários, conforme a necessidade operacional e o volume de produção requerido.
232. Apresenta-se, no quadro a seguir, os indicares de volume, capacidade instalada e estoque da indústria doméstica.
Dos Indicadores de Produção, Capacidade Instalada e Estoque (em t)
[RESTRITO] Em número-índice
P1
P2
P3
P4
P5
P1 - P5
Volumes de Produção
A. Volume de Produção - Produto Similar
100,0
65,2
72,2
72,9
85,1
REST
Variação
-
(34,8%)
10,8%
1,0%
16,8%
REST
B. Volume de Produção - Outros Produtos
100
100
100
100
100
REST
Variação
-
-
-
-
-
REST
Capacidade Instalada
D. Capacidade Instalada Efetiva
100,0
113,6
116,2
116,7
116,2
REST
Variação
-
13,6%
2,3%
0,4%
(0,4%)
REST
E. Grau de Ocupação {(A+B)/D}
100,0
57,4
62,1
62,5
73,3
REST
Estoques
F. Estoques
100,0
44,4
52,4
51,1
49,3
REST
G. Relação entre Estoque e Volume de Produção {E/A}
100,0
68,8
72,7
70,1
58,4
REST
Fonte: Indústria Doméstica.
Elaboração: DECOM.
233. O volume de produção do produto similar da indústria doméstica apresentou redução de 34,8% de P1 para P2 e aumentou 10,8% de P2 para P3. Nos períodos subsequentes, observou-se crescimento de 1,0% entre P3 e P4, e de 16,8% entre P4 e P5. Ao se considerar todo o período de análise, o indicador de volume de produção do produto similar da indústria doméstica revelou variação negativa de 14,9% em P5, comparativamente a P1.
234. Em relação à capacidade instalada efetiva, houve aumento de 13,6% de P1 para P2, e de 2,3% de P2 para P3. Entre P3 e P4 observou-se elevação de 0,4%, seguida de redução de 0,4% de P4 para P5. De P1 a P5 observou-se aumento de 16,2% da capacidade instalada efetiva da indústria doméstica.
235. No que se refere ao grau de ocupação da capacidade instalada, verificou-se redução de [RESTRITO] p.p. entre P1 e P2, seguida de elevação de [RESTRITO] p.p. entre P2 e P3. Na sequência, observou-se novo aumento, de [RESTRITO] p.p. entre P3 e P4 bem como crescimento de [RESTRITO] p.p. entre P4 e P5. Dessa forma, ao se considerar todo o período de análise, o indicador apresentou variação acumulada negativa de [RESTRITO] p.p. em P5, em comparação com P1.
236. O indicador de volume de estoque final de telas hexagonais diminuiu 55,6% de P1 para P2 e aumentou 17,9% de P2 para P3. Nos períodos subsequentes, houve quedas sucessivas de 2,5% entre P3 e P4 e 3,4% entre P4 e P5. Ao se considerar todo o período de análise, o indicador apresentou variação negativa de 50,7% em P5, em comparação com P1.
237. Como decorrência das variações apresentadas, a relação entre estoque e volume de produção diminuiu [RESTRITO] p.p. entre P1 e P2 e aumentou [RESTRITO] p.p. entre P2 e P3. Nos períodos subsequentes, observou-se elevação de [RESTRITO] p.p. entre P3 e P4, seguida de redução de [RESTRITO] p.p. entre P4 e P5. Considerando-se todo o período de análise, o indicador apresentou variação acumulada negativa de [RESTRITO] p.p. em P5, em comparação com P1.
6.1.1.3 Dos indicadores de emprego, produtividade e massa salarial
238. A tabela a seguir apresenta os valores e variações relativos ao emprego, à produtividade e à massa salarial ao longo do período em análise:
Do Emprego, da Produtividade e da Massa Salarial
[CONFIDENCIAL] / [RESTRITO] Em número-índice
P1
P2
P3
P4
P5
P1 - P5
Emprego
A. Qtde de Empregados - Total
100,0
84,3
93,5
87,0
102,8
REST
Variação
-
(15,7%)
11,0%
(6,9%)
18,1%
REST
A1. Qtde de Empregados - Produção
100,0
83,8
91,4
85,7
101,9
REST
Variação
-
(16,2%)
9,1%
(6,3%)
18,9%
REST
A2. Qtde de Empregados - Adm. e Vendas
100,0
100,0
166,7
133,3
133,3
REST
Variação
-
-
66,7%
(20,0%)
-
REST
Produtividade (em t)
B. Produtividade por Empregado Volume de Produção (produto similar) / {A1}
100,0
77,7
78,9
85,0
83,5
REST
Variação
-
(22,3%)
1,5%
7,7%
(1,8%)
REST
Massa Salarial (em Mil Reais)
C. Massa Salarial - Total
100,0
72,8
91,3
95,6
104,9
[CONF]
Variação
-
(27,2%)
25,6%
4,7%
9,7%
[CONF]
C1. Massa Salarial - Produção
100,0
73,3
90,8
95,3
104,2
[CONF]
Variação
-
(26,7%)
23,9%
5,0%
9,3%
[CONF]
C2. Massa Salarial - Adm. e Vendas
100,0
66,1
98,3
99,8
113,7
[CONF]
Variação
-
(33,9%)
48,8%
1,5%
14,0%
[CONF]
Fonte: Indústria Doméstica.
Elaboração: DECOM.
239. No início do período analisado, o número de empregados atuando na linha de produção apresentou redução de 16,2% entre P1 e P2. Em seguida, observou-se um aumento de 9,1% entre P2 e P3. Na sequência, houve nova redução de 6,3% entre P3 e P4, seguida por recuperação de 18,9% entre P4 e P5. Dessa forma, ao se considerar todo o intervalo analisado, o indicador registrou variação positiva de 1,9% em P5, em comparação com P1.
240. Com relação à variação do número de empregados que atuam nas áreas de administração e vendas, observou-se estabilidade entre P1 e P2 e aumento de 66,7% entre P2 e P3. De P3 para P4, registrou-se redução de 20,0%, enquanto entre P4 e P5 o quadro permaneceu praticamente estável. Considerando todo o período analisado, o número de empregados nas áreas de administração e vendas apresentou expansão de 33,3% em P5 em relação a P1.
241. Avaliando a variação da quantidade total de empregados ao longo do período analisado, verifica-se redução de 15,7% entre P1 e P2. Em seguida, observou-se aumento de 11,0% entre P2 e P3. Na sequência, houve nova redução de 6,9% entre P3 e P4, seguida de ampliação de 18,1% entre P4 e P5. Dessa forma, ao considerar todo o intervalo analisado, a quantidade total de empregados apresentou expansão de 2,8% em P5, em comparação com P1.
242. Observou-se que o indicador de massa salarial dos empregados da linha de produção apresentou redução de 26,7% entre P1 e P2, seguida de aumento de 23,9% entre P2 e P3. Nos períodos subsequentes, registrou-se crescimento de 5,0% entre P3 e P4 e de 9,3% entre P4 e P5. Dessa forma, ao considerar todo o período analisado, a massa salarial dos empregados da linha de produção apresentou variação positiva de 4,2% em P5, em comparação com P1.
243. No que se refere à variação da massa salarial dos empregados das áreas de administração e vendas, observou-se redução de 33,9% entre P1 e P2. Em seguida, verificou-se aumento de 48,8% entre P2 e P3. Na sequência, registrou-se crescimento de 1,5% entre P3 e P4 e de 14,0% entre P4 e P5. Dessa forma, ao considerar toda a série analisada, a massa salarial dos empregados das áreas de administração e vendas apresentou expansão de 13,7% em P5, em comparação com P1.
244. Avaliando a variação da massa salarial do total de empregados ao longo do período analisado, verifica-se redução de 27,2% entre P1 e P2. Em seguida, observou-se aumento de 25,6% entre P2 e P3. Na sequência, houve crescimento de 4,7% entre P3 e P4, seguido de ampliação de 9,7% entre P4 e P5. Dessa forma, ao considerar todo o período analisado, a massa salarial do total de empregados apresentou expansão de 4,9% em P5, em comparação com P1.
245. Por fim, o indicador de produtividade por empregado ligado à produção apresentou oscilações ao longo do período analisado. Após a expressiva redução de 22,3% entre P1 e P2, verificaram-se recuperações parciais entre P2 e P3 (1,5%) e entre P3 e P4 (7,7%), seguidas de nova retração de 1,8% entre P4 e P5. Dessa forma, os ganhos observados nos períodos intermediários não foram suficientes para compensar a queda registrada no início da série, resultando em variação negativa de 16,5% em P5, em comparação com P1.
6.1.2. Dos indicadores financeiros da indústria doméstica
6.1.2.1 Da receita líquida e dos preços médios ponderados
246. Inicialmente, cumpre esclarecer que a receita líquida da indústria doméstica se refere às vendas líquidas do produto similar de produção própria, deduzidos abatimentos, tributos, devoluções e despesas de frete e seguro interno.
Da Receita Líquida e dos Preços Médios Ponderados
[RESTRITO/CONFIDENCIAL] Em número-índice
P1
P2
P3
P4
P5
Receita Líquida
A. Receita Líquida Total [1]
[REST]
[REST]
[REST]
[REST]
[REST]
A1. Receita Líquida Mercado Interno [1]
100,0
61,9
67,1
66,7
74,5
Participação {A1/A}
[CONF]
[CONF]
[CONF]
[CONF]
[CONF]
A2. Receita Líquida Mercado Externo [1]
100,0
88,8
100,6
105,4
88,3
Participação {A2/A}
[CONF]
[CONF]
[CONF]
[CONF]
[CONF]
Preços Médios Ponderados
B. Preço no Mercado Interno [2]
100,0
84,6
89,1
86,9
83,0
C. Preço no Mercado Externo [2]
100,0
110,1
86,6
88,9
87,5
Elaboração: DECOM
Fonte: Indústria Doméstica
Unidades de Medida:[1]=Mil Reais; [2]=R$/ton
247. A receita líquida, em reais atualizados, de vendas de telas hexagonais no mercado interno apresentou redução de 38,1% entre P1 e P2, seguida de aumento de 8,4% entre P2 e P3. Nos períodos subsequentes, registrou-se nova redução de 0,7% entre P3 e P4, enquanto entre P4 e P5 houve crescimento de 11,8%. Dessa forma, ao considerar todo o período analisado, a receita líquida, em reais atualizados, de vendas de telas hexagonais no mercado interno apresentou variação negativa de 25,5% em P5, em comparação com P1.
248. No que se refere à receita líquida obtida com as exportações do produto similar, verificou-se redução de 11,2% entre P1 e P2. Em seguida, verificou-se aumento de 13,3% entre P2 e P3. Na sequência, o indicador apresentou crescimento de 4,7% entre P3 e P4, seguido de queda de 16,2% entre P4 e P5. Dessa forma, ao considerar toda a série analisada, a receita líquida obtida com as exportações do produto similar apresentou contração de 11,7% em P5, em comparação com P1.
249. Quanto à receita líquida total, observou-se redução de 38,0% entre P1 e P2. Em seguida, verificou-se aumento de 8,4% entre P2 e P3. Na sequência, registrou-se nova redução de 0,6% entre P3 e P4, seguida de ampliação de 11,7% entre P4 e P5. Dessa forma, ao considerar todo o período analisado, a receita líquida total apresentou contração de 25,4% em P5, em comparação com P1.
250. No que diz respeito ao preço médio de venda no mercado interno, observou-se redução de 15,4% entre P1 e P2, seguida de aumento de 5,2% entre P2 e P3. Nos períodos subsequentes, registrou-se nova redução de 2,4% entre P3 e P4 e de 4,5% entre P4 e P5. Dessa forma, ao considerar todo o período analisado, o preço médio de venda no mercado interno apresentou variação negativa de 17,0% em P5, em comparação com P1.
251. Por fim, no que se refere ao preço médio de venda para o mercado externo, observou-se aumento de 10,1% entre P1 e P2. Em seguida, verificou-se retração de 21,4% entre P2 e P3. Na sequência, o indicador apresentou aumento de 2,7% entre P3 e P4, seguida de queda de 1,5% entre P4 e P5. Dessa forma, ao considerar toda a série analisada, o preço médio de venda para o mercado externo apresentou contração de 12,5% em P5, em comparação com P1.
6.1.2.2 Dos resultados e das margens
252. A respeito dos resultados e das margens da indústria doméstica, as despesas e receitas operacionais foram calculadas com base em rateio, considerando a participação da Receita Operacional Líquida (ROL) das vendas externas e internas do produto similar nacional na ROL total da empresa.
253. A tabela a seguir apresenta a demonstração de resultados e as margens de lucro associadas, para o período de análise, obtidas com a venda do produto similar no mercado interno.
Demonstrativo de Resultado no Mercado Interno e Margens
[RESTRITO] Em número-índice
P1
P2
P3
P4
P5
Demonstrativo de Resultado (em Mil Reais)
A. Receita Líquida Mercado Interno
100,0
61,9
67,1
66,7
74,5
B. Custo do Produto Vendido - CPV
100,0
86,0
84,3
85,3
94,8
C. Resultado Bruto {A-B}
100,0
12,0
31,4
28,1
32,5
D. Despesas Operacionais
100,0
63,3
83,3
79,4
92,7
D1. Despesas Gerais e Administrativas
100,0
71,3
100,8
110,3
121,7
D2. Despesas com Vendas
100,0
112,4
158,1
166,5
219,0
D3. Resultado Financeiro (RF)
100,0
(5.302,6)
(15.560,8)
(22.830,5)
(23.809,6)
D4. Outras Despesas (Receitas) Operacionais (OD)
(100,0)
(197,4)
86,2
(243,9)
(29,3)
E. Resultado Operacional
100,0
(1,6)
17,7
14,5
16,6
F. Resultado Operacional (exceto RF)
100,0
(3,4)
12,2
6,6
8,3
G. Resultado Operacional (exceto RF e OD)
100,0
(4,1)
12,6
5,8
8,3
Margens de Rentabilidade (%)
H. Margem Bruta {C/A}
100,0
19,4
46,8
42,2
43,7
I. Margem Operacional {E/A}
100,0
(2,7)
26,5
21,8
22,2
J. Margem Operacional (exceto RF) {F/A}
100,0
(5,4)
18,3
9,7
11,3
K. Margem Operacional (exceto RF e OD) {G/A}
100,0
(6,6)
18,8
8,6
10,9
Elaboração: DECOM
Fonte: Indústria Doméstica
