Daily Journal

Zeng Ming: The Brutal Truth, Companies That Will Disappear, Why “Excellent” ≠ “Great”

Zhang Xiaojun Podcast03 de setembro de 20262h34minVer no YouTube|

Contexto e Trajetória de Zeng Ming

Zeng Ming atuou por anos como Chefe de Estado-Maior (Chief of Staff) do Alibaba Group e participou da fundação de duas escolas de negócios na China: a Cheung Kong Graduate School of Business (CKGSB) e a Universidade Hupan. Sua produção teórica combina formação acadêmica em estratégia com a observação prática da expansão do Alibaba durante o ciclo completo da internet chinesa e global. O foco de suas pesquisas atuais é a formulação de uma teoria dinâmica sobre a história industrial e os modelos organizacionais aplicados à era da inteligência artificial.


As Três Fases da Disrupção Tecnológica e a Posição Atual da IA

A evolução das grandes tecnologias de propósito geral (GPTs) repete um ciclo histórico dividido em três fases estruturais:

  1. Infraestrutura e Aceitação Social: a tecnologia bruta é padronizada e se torna infraestrutura básica da sociedade.
  2. Explosão de Aplicações Transitórias: período de experimentação massiva ("desabrochar de cem flores") no qual se testa o que funciona, definindo a direção para onde a tecnologia deve evoluir.
  3. Aplicações Nativas: surgimento de produtos e plataformas definitivos que operam sob a nova lógica tecnológica de ponta a ponta (como o TikTok/Douyin e o Pinduoduo no ecossistema mobile).

O Ponto de Inflexão de 2026 e a Padronização do Token

O ano de 2026 marca o fechamento da Fase 1 da IA. O sinal definitivo dessa maturidade é o consenso em torno do conceito de token como métrica padrão de consumo e precificação — análogo ao quilowatt-hora na eletricidade ou ao gigabyte no tráfego de dados. Jensen Huang (Nvidia) formulou isso ao definir o futuro da empresa como uma token factory, e Sam Altman posicionou o negócio da OpenAI como venda direta de tokens. A infraestrutura passa a ser previsível, com custos decrescentes e capacidade crescente.

O Momento Pré-Navegador e a Transição da Informação para a Capacidade

Zeng Ming argumenta que a IA entrou no início da Fase 2, caracterizada pelos agentes inteligentes (agents). No entanto, o setor ainda não atingiu o momento correspondente ao surgimento do navegador web (como o Mosaic/Netscape entre 1992 e 1993 na UIUC):

  • 1992/Internet: criação de sites para compartilhar informação textual.
  • Fase Atual da IA: criação de agentes para compartilhar capacidade (skill).

O navegador resolveu dois gargalos: padronizou a criação de sites (via HTML, eliminando a barreira para criadores) e reduziu o custo de navegação para zero (via clique). A indústria atual de agentes ainda não possui esse padrão universal. Quando esse padrão surgir, haverá uma explosão incontrolável de agentes (aumento de entropia), exigindo o surgimento de um equivalente ao Yahoo de 1995: um diretório/plataforma capaz de reduzir a entropia cognitiva, estruturar a oferta e intermediar a confiança.


A Ilusão das Big Techs e o Destino dos Grandes Modelos

Provedores de Modelos como Concessionárias de Infraestrutura (AI Cloud)

Para Zeng Ming, empresas de modelos fundacionais como OpenAI, Anthropic, DeepSeek, Moonshot (Kimi), MiniMax e Zhipu AI evoluirão para empresas de computação em nuvem de IA (AI Cloud companies). O destino estrutural desse mercado é:

  • Estrutura de Mercado: oligopólio com regulação governamental rígida, semelhante ao fornecimento de água e energia elétrica.
  • Margens e Diferenciação: comoditização de alto investimento de capital (CAPEX) com produto substituto imediato. Se a oferta for homogênea, o lucro econômico tende a zero.

Empresas de Fase 1 não Dominam a Fase 3

A tese de que a OpenAI ou a Anthropic serão as dominadoras absolutas da era madura da IA ignora a história industrial:

  • Refinarias vs. Indústria Química / Automobilística: refinarias extraem o insumo básico (petróleo), mas as empresas químicas e automotivas geram o valor da aplicação. Uma refinaria nunca se transformou em montadora de carros.
  • Precedentes de Avaliação: a Anthropic atingir valuations astronômicos não é inédito. Em 2000, o Yahoo atingiu US$ 120 bilhões em 5 anos (equivalente a mais de US$ 1 trilhão em termos atuais a uma taxa de desconto composta de 8%), e a AOL atingiu US$ 220 bilhões a US$ 300 bilhões antes de desaparecer ou perder relevância. A BlackBerry detinha mais de 40% do mercado norte-americano de smartphones até 2010 e foi varrida após o iPhone 4.

A Vulnerabilidade dos Gigantes Tradicionais

Nenhum monopólio da internet está seguro:

  • Google: pode se consolidar como provedor de IA Cloud devido à infraestrutura (TPUs) e pesquisa, mas sua permanência como ponto de entrada para o consumidor final é incerta.
  • ByteDance: modelos fortes e ferramentas multimodais (como Seedance), mas o Douban (Doubao) é um chatbot de conversação da Fase 1, sem capacidade de ação autônoma e execução de tarefas complexas.
  • Tencent e Alibaba: relações sociais (Tencent) e relações entre pessoas e mercadorias (Alibaba) serão reconfiguradas por agentes. Tentar acoplar IA a produtos existentes (como o QQ tentou antes do WeChat) gera apenas produtos de transição.
  • Meta e xAI: enfrentam gargalos organizacionais. Zeng Ming relata que engenheiros da xAI exibem exaustão extrema em Silicon Valley devido ao modelo de gestão centralizado e autocrático de Elon Musk (first principles de cima para baixo), que funciona para hardware, mas estrangula a criatividade horizontal exigida em pesquisa de modelos. Mark Zuckerberg sofre com o tamanho de sua organização e o desgaste cognitivo acumulado de múltiplos ciclos.

A Morte da Empresa Tradicional e a Ascensão da Organização Nativa em IA

O Fim da Estrutura Funcional e Hierárquica

A "empresa" com hierarquia burocrática (corps/corporation) foi uma invenção institucional da Revolução Industrial para permitir a gestão científica de Taylor e a produção em massa. Com a IA, esse modelo entra em colapso:

  • Da Posição/Cargo (岗位) para a Tarefa (任务): o bloco fundamental da organização industrial é o cargo (que define reporte, nível salarial e hierarquia). Na organização nativa em IA, o bloco fundamental é a tarefa dinâmica. O sistema decompõe tarefas complexas e colaboradores (humanos e agentes sintéticos) assumem essas tarefas por demanda.
  • Eliminação da Gerência Média: sem cadeias de comando verticais, a liderança passa a ser orientada pelo valor da contribuição direta e julgamento, não por poder hierárquico.
  • Alta Agência (High Agency) e Empresas de Parceiros: o modelo futuro se aproxima de escritórios de advocacia de elite, consultorias estratégicas ou equipes esportivas profissionais (NBA). Poucos colaboradores de alta capacidade e complementares operam como sócios/parceiros, amplificados por legiões de agentes autônomos. A "empresa de uma pessoa só" é um estágio intermediário de transição.

De Laboratórios de Pesquisa (New Labs) a Redes Neurais Organizacionais

Os New Labs atuais representam a fase embrionária dessa nova morfologia:

  • Os fundadores e pesquisadores dispensam títulos executivos formais (como VP).
  • CEOs de ponta programam diretamente os sistemas operacionais internos da empresa para que a organização funcione como uma rede neural fluida, com transparência radical de contexto (Context, not Control).

Metodologia Estratégica: Da "Planificação" à "Geração"

DimensãoEra Industrial / Internet ClássicaEra da Inteligência Artificial
Horizonte TemporalOlhar 10 anos, planejar 1 ano (extrapolação linear)Olhar 10 anos, pensar 3 anos, agir 1 ano (看十年想三年干一年)
Mecanismo CentralPlanejamento Estratégico (Strategic Planning)Geração Estratégica (Strategic Generation)
Tensão OperacionalExecução e eficiência de processos fixosTensão dinâmica entre marcos de médio prazo (3 anos)
Origem da DecisãoTop-down / Consultorias terceirizadas (McKinsey/BCG)Emergência natural a partir da inteligência coletiva e contexto

A Disciplina dos Três Anos e as Fases da Estratégia

Extrapolar linearmente o crescimento de receita (ARR) gera ilusão de sustentabilidade; quando a capacidade do modelo fundacional avança, aplicações superficiais baseadas em "andaimes" (scaffolding) perdem o valor imediatamente. Zeng Ming divide a formulação estratégica por fases:

  1. Fase de Exploração: foco exclusivo na eficiência de inovação, redução de custos de tentativa e erro e busca pelo anti-consenso.
  2. Fase de Formação e Convergência: definição do modelo de circuito fechado (closed-loop).
  3. Fase de Execução e Escala: busca de eficiência operacional e escala maciça (onde se encontram os modelos de linguagem em 2026).

Excelente vs. Proeminente / Extraordinário (优秀 vs 卓越)

  • Excelente: opera dentro do consenso da indústria e vence pela eficiência de execução. Recebe validação e feedback positivo contínuos.
  • Extraordinário/Proeminente (卓越): nasce obrigatoriamente de uma visão anti-consenso (反共识). O empreendedor enfrenta anos de feedback negativo, desconfiança interna e rejeição social antes que a realidade comprove sua tese (exemplos citados: a criação do Taobao, do Alipay e do Alibaba Cloud sob forte oposição interna).
  • Supressão do Ego (事情大于人): líderes extraordinários subordinam o ego à missão. Quando a motivação é externa (validação, valuation, provar inteligência pessoal), o fundador toma decisões subótimas e sucumbe à pressão de curto prazo.

Robótica, Hardware e a Nova Fronteira do Trabalho Humano

O Paralelo da Robótica: Eletrodomésticos e o Modelo T

O setor de robótica corporificada (embodied AI) está em fase análoga ao período 1900–1913 na indústria automotiva (milhares de oficinas manuais antes da linha de montagem de Henry Ford em 1913) ou à expansão dos eletrodomésticos pós-1910 (refrigeradores e lavadoras em 1910; ar-condicionado em 1925; televisores em 1930):

  • A robótica representa a interface física da IA com o mundo material.
  • Existem duas abordagens em disputa: generalização do cérebro fundacional (brain-first) versus especialização em cenários verticais com fechamento de dados (body/scenario-first).

A Era da Criatividade e a Reestruturação Educacional

Recorrendo ao modelo de Peter Drucker sobre a evolução do trabalho humano:

  1. Revolução da Produtividade: a fábrica substitui o artesão manual.
  2. Revolução Gerencial: métodos de Taylor criam a administração e as escolas de negócios.
  3. Revolução do Conhecimento: a indústria de software estrutura e padroniza o conhecimento humano.
  4. Era da Criatividade (IA): todo trabalho cognitivo estruturável e repetitivo é absorvido pela IA.

A criatividade humana relevante para a próxima fase é definida como a capacidade de criar algo a partir do nada (无中生有) — a formulação original de problemas complexos, a empatia e a geração de conexões inéditas. Esse deslocamento torna o sistema educacional tradicional (focado no acúmulo de conhecimento e exames padronizados) obsoleto, exigindo uma reorientação para a curiosidade intrínseca, agência individual e exploração de incertezas.