Daily Journal

Why the People Who Built Hip-Hop Ended Up With Nothing

a16z20 de setembro de 202657minVer no YouTube|

Uma conversa entre o investidor Ben Horowitz (cofundador da Andreessen Horowitz/a16z), o executivo de mídia e publicidade Steve Stoute (fundador da Translation e UnitedMasters), o rapper e compositor Nas e o pioneiro do hip-hop Grandmaster Caz detalha as origens e a operação da Paid in Full Foundation. A organização concede suporte financeiro substancial e reconhecimento formal aos criadores seminais do hip-hop que construíram a base do gênero musical e da cultura corporativa moderna, mas foram economicamente explorados e excluídos dos lucros que geraram.

Origem e Propósito da Paid in Full Foundation

  • A tese de valor desproporcional: Ben Horowitz relata que comprou o álbum Paid in Full (de Eric B. & Rakim) por US$ 10 e estima ter extraído pelo menos US$ 5 milhões em valor, inspiração e resiliência empresarial ao longo de sua carreira no Vale do Silício. Sentindo a necessidade moral de retribuir aos criadores, Horowitz contatou Steve Stoute e Nas para estruturar uma iniciativa.
  • Além da caridade monetária: Nas argumentou que o modelo da Jazz Foundation (liderada por Quincy Jones para socorrer músicos idosos no jazz) não funcionaria diretamente no hip-hop. Os pioneiros do rap precisavam de celebração, dignidade cultural e respeito por seus legados, e não apenas de doações que soassem como reparações informais ou caridade condescendente.
  • Criação do Hip Hop Grandmaster Awards: A fundação foi desenhada para combinar grandes celebrações anuais de premiação a um apoio financeiro estruturado via bolsas (grants) concedidas ao longo de 5 anos, além de acompanhamento pessoal e médico contínuo.
  • Estrutura sem custos operacionais: Ben e sua esposa Felicia Horowitz cobrem todos os custos administrativos e realizam uma contrapartida financeira (matching) de 2,5 para 1 para cada dólar doado pelo público no site paidinfullfoundation.org. Não há funcionários remunerados na fundação; 100% das doações são destinadas aos artistas.
  • Os homenageados tornam-se jurados: Artistas que recebem a honraria (como Grandmaster Caz) passam a integrar automaticamente o comitê de votação para selecionar os futuros premiados.

O Caso Histórico de Grandmaster Caz e a Falta de Seguridade no Hip-Hop

  • Apropriação em Rapper's Delight: Grandmaster Caz escreveu os versos que a The Sugarhill Gang utilizou no primeiro grande sucesso comercial do gênero, Rapper's Delight (1979) — faixa que incluía até o próprio nome de Caz cantado por Big Bank Hank. A indústria fonográfica conhecia a autoria, mas Caz nunca recebeu créditos nem royalties na época.
  • Impacto na vida dos pioneiros: Caz explica que "o hip-hop não tem seguridade social nem plano de saúde". Para sobreviver, ele precisava trabalhar ininterruptamente como guia turístico de hip-hop, apresentador de rádio e DJ em park jams. A bolsa de 5 anos da fundação permitiu que ele comprasse sua primeira casa na Pensilvânia e saísse dos conjuntos habitacionais (projects) do Bronx, onde viveu quase toda a vida.
  • Apoio de pares na indústria: Caz ressaltou a atitude de LL Cool J, que concedeu a ele e a Sha-Rock um espaço diário regular de transmissão em seu canal de rádio sem cobrar contrapartidas, mantendo seu nome relevante.

Resgate em Saúde e Intervenções Críticas

  • Scarface (Geto Boys): Nas primeiras edições da premiação, o rapper Scarface enfrentava falência renal e necessitava de um transplante de rim (doado por seu filho), além de dificuldades financeiras e médicas para viabilizar a cirurgia com os especialistas corretos. Stoute o contatou do sul da França para garantir cobertura financeira total.
  • Intervenção emergencial de Felicia Horowitz: Posteriormente, Scarface necessitou de uma cirurgia de coração aberto. Relutante e assustado em buscar atendimento hospitalar em Houston, Felicia Horowitz voou até a cidade e o conduziu pessoalmente ao hospital. No momento em que chegaram à emergência, a aorta de Scarface se rompeu, e a cirurgia imediata salvou sua vida.

Impacto Cultural vs. Captura de Valor Econômico

Steve Stoute e Ben Horowitz detalharam casos concretos em que a cultura do hip-hop transformou empresas e marcas sem que os artistas fossem recompensados proporcionalmente:

  • Adidas e Run-D.M.C.: Antes da explosão de Run-D.M.C. e da faixa My Adidas, a marca esportiva alemã possuía apenas 2% de participação no mercado norte-americano, com 75% dessa fatia restrita à região Nordeste dos EUA, alavancada por jovens urbanos que compravam modelos específicos e removiam os cadarços.
  • Tommy Hilfiger: Originalmente focado em gravatas e tentando concorrer sem sucesso com Ralph Lauren, Tommy Hilfiger reformulou seu negócio ao transitar pelo Harlem e notar jovens usando calças caídas exibindo o elástico de cuecas Calvin Klein. Hilfiger ampliou o elástico com sua própria marca, fundando o mercado moderno de streetwear comercial, que mais tarde evoluiu até a alta costura de grifes como a Louis Vuitton (com Pharrell Williams e Virgil Abloh).
  • Grand Puba e a Sprite: O slogan corporativo de longa data da Sprite ("First things first, Obey Your Thirst") foi retirado diretamente de uma rima criada por Grand Puba, sem a devida atribuição comercial na época.

O Prêmio Quincy Jones e Artistas Homenageados

  • Criação em resposta aos Grammys: O Quincy Jones Award foi instituído pela fundação em conjunto com QD3 (Quincy Jones III) após a avaliação de que as homenagens póstumas e celebrações do Grammy em relação a Quincy Jones foram inadequadas e superficiais.
  • Homenageados de destaque:
    • Nile Rodgers: Anunciado como o novo homenageado do Quincy Jones Award por sua influência na base instrumental do hip-hop, disco e pop (desde o Chic e Sister Sledge até Daft Punk com Get Lucky).
    • George Clinton: Aos 83 anos, subiu ao palco da fundação e recitou versos de Follow the Leader, de Rakim.
    • Roxanne Shanté: Celebrada pelo impacto transformador de Roxanne's Revenge (1984), quebrando barreiras como uma das primeiras MCs femininas no cenário nacional.
    • Outros premiados e presentes: Rakim, Melle Mel, The D.O.C., Kool Moe Dee, Slick Rick, Kool G Rap, Kool Rock-Ski (The Fat Boys) e Dr. Dre.

Histórico Pessoal e Conexões Entre Gerações

  • Aproximação de Horowitz, Stoute e Nas: Horowitz e Nas se conheceram em um jantar organizado por Stoute no restaurante Mr. Charles Downtown, consolidando uma amizade baseada em debates musicais aprofundados sobre a métrica lírica de Rakim e a obra de Prince.
  • Linhagem musical de Nas e Quincy Jones: Durante uma visita à casa de Quincy Jones com o ator Chris Tucker (onde assistiram às fitas de teste de atuação de Whoopi Goldberg para A Cor Púrpura diante de Steven Spielberg), Quincy localizou imediatamente fotografias dos anos 1960 em Saint-Tropez ao lado do pai de Nas, o trompetista de jazz Olu Dara (originário de Natchez, Mississippi), evidenciando a continuidade geracional da excelência musical afro-americana.