The final filmed interview with Sir Alex Younger, the late MI6 chief | The Economist
Contexto
Esta é uma das últimas entrevistas concedidas por Sir Alex Younger, ex-chefe do MI6, ao editor de defesa da The Economist, Shashank Joshi, em março de 2026. A conversa analisa o conflito entre os EUA e o Irã, a resiliência do regime iraniano, o estado da inteligência americana e as implicações geopolíticas globais da guerra.
Pontos Principais
- Resiliência do Irã: Sir Alex argumenta que o regime iraniano demonstrou uma resiliência inesperada ao descentralizar suas capacidades militares e adotar a "escalada horizontal", utilizando drones para ameaçar o Estreito de Ormuz e globalizar o conflito.
- O Fator Ormuz: O bloqueio seletivo do Estreito de Ormuz, mantendo a passagem para si e bloqueando aliados ocidentais, deu ao Irã uma vantagem estratégica ("whip hand"), mesmo com estoques reduzidos de drones.
- Mudança no Regime: O ex-chefe do MI6 descreve o regime atual como em "agonia" (death throes), observando uma transição de uma teocracia para uma junta liderada pelo IRGC (Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica), que ele caracteriza como mais corrupta e pragmática, porém implacável.
- Inteligência Americana: Younger critica a politização da comunidade de inteligência dos EUA sob a administração Trump, destacando que a recusa em "falar a verdade ao poder" cria riscos de falhas de inteligência, citando o 7 de outubro como exemplo de falha por conveniência política.
- O Papel da Europa: O entrevistado defende que a Europa foi "infantilizada" pela dependência da segurança americana e que o momento atual exige que o Reino Unido e a Europa recuperem sua capacidade de exercer "hard power" para não se tornarem presas de ambições alheias.
- Citações:
- "Eles jogaram uma mão fraca muito bem."
- "A maior ameaça a eles é a paz, não a guerra."
- "Nós fomos infantilizados por isso [a garantia de segurança dos EUA]."
Implicações
- Fim da Teocracia: A morte de Ali Khamenei e a ascensão de figuras como Mojtaba marcam o fim da teocracia clássica, dando lugar a um controle militarista do IRGC.
- Conflito Prolongado: A guerra provavelmente não terminará com uma vitória militar clara, mas sim com um cenário semelhante ao Iraque entre 1991 e 2003: um regime enfraquecido, mas capaz de projetar ameaças assimétricas, mantendo a região em um estado de ferida aberta.
- Necessidade de Autonomia: A tendência de isolacionismo ou volatilidade dos EUA força aliados europeus a buscarem alternativas de defesa e inteligência, priorizando a utilidade técnica para manter relevância estratégica.
