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Painel Eletrônico - 14/09/2026

Câmara dos Deputados14 de setembro de 20261h00minVer no YouTube|

O programa jornalístico Painel Eletrônico (Rádio Câmara e TV Câmara), veiculado em 14 de setembro de 2026 e apresentado por Ana Raquel Macedo, reuniu informações sobre a pauta legislativa e análises econômicas e educacionais no Congresso Nacional. A edição destacou a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do projeto que concede prioridade a mães solo no Sine, o avanço da proposta que cria a Política Incluir para estudantes autistas e com altas habilidades, além de entrevistas sobre os números do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) e a agenda educacional para as eleições de 2026.

Atendimento Prioritário a Mães Solo no Sistema Nacional de Emprego (SINE)

  • Identificação da proposição: Projeto de Lei de autoria da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), que estabelece atendimento especial e prioritário às mães solo no Sistema Nacional de Emprego (SINE).
  • Colegiado e resultado: Aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados.
  • Conteúdo da proposta: Garante atendimento especial voltado a oportunidades de trabalho, emprego, renda e empreendedorismo para mães solo. Define que, em caso de não preenchimento das vagas reservadas a mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, o saldo remanescente seja destinado sucessivamente a: 1) mães solo; 2) mulheres em geral; e 3) público geral.
  • Argumentos e repercussão: Laura Carneiro destacou que mães solo enfrentam barreiras estruturais que as empurram para a informalidade. Bia Diniz, presidente da ONG Cruzando Histórias (sediada em São Paulo), ressaltou que a criação da vaga deve vir acompanhada de condições reais de permanência, como compatibilidade de horários, creches e rede de apoio ao cuidado dos filhos.
  • Encaminhamento: A matéria segue para apreciação no Senado Federal.

Análise da Proposta Orçamentária (PLOA) – Série Orçamento Aberto

O quadro Economia Direta contou com o consultor de orçamento da Câmara Jordano Roncone para detalhar a proposta orçamentária encaminhada pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional até 31 de agosto, referente ao primeiro exercício do governo a ser eleito em outubro:

  • Estrutura e Grandes Números:
    • O volume global do orçamento soma mais de R$ 7,4 trilhões, distribuído entre Orçamento Fiscal, da Seguridade Social e de Investimentos das estatais.
    • Mais de R$ 2 trilhões destinam-se exclusivamente ao refinanciamento (rolagem) da dívida pública, restando cerca de R$ 5 trilhões para as demais despesas.
    • As despesas primárias (serviços públicos e manutenção do Estado) totalizam aproximadamente R$ 3,4 trilhões.
  • Regras Fiscais e Metas:
    • Resultado Primário: Proposta fixa superávit primário de R$ 18 bilhões (superavitário tanto no critério formal quanto no efetivo, após deduções autorizadas), revertendo o histórico de déficits de anos anteriores.
    • Limite de Despesas (Teto de Gastos / Arcabouço Fiscal): Crescimento fixado em 2,5% acima da inflação para as despesas primárias.
  • Pisos Constitucionais e Investimentos:
    • Saúde: Fixada no piso constitucional de R$ 272 bilhões (incluindo a destinação obrigatória de 50% das emendas parlamentares individuais e de comissão).
    • Educação: Fixada em R$ 141 bilhões, situando-se mais de R$ 2 bilhões acima do piso obrigatório.
    • Investimentos: Cumprem o piso de 0,6% do PIB estabelecido em Lei Complementar, somando mais de R$ 130 bilhões (cerca de R$ 88 bilhões em investimentos diretos e R$ 46 bilhões alocados em programas habitacionais, prioritariamente o Minha Casa, Minha Vida).
  • Previdência Social e Rigidez Orçamentária:
    • A Previdência responde por R$ 1,2 trilhão em despesas ante receitas próprias de cerca de R$ 800 bilhões, gerando déficit de R$ 340 bilhões. Apesar do volume, a relação déficit/PIB mantém trajetória de queda, retornando a níveis equivalentes aos de 2016.
    • Sensibilidade Fiscal (Anexo de Riscos da LDO): O aumento de R$ 1,00 no salário mínimo eleva as despesas obrigatórias em R$ 400 milhões; a elevação de 1 ponto percentual na taxa básica de juros adiciona cerca de R$ 50 bilhões às despesas financeiras.
    • Despesas Obrigatórias vs. Discricionárias: Despesas obrigatórias superam 91% do orçamento. A margem discricionária bruta é de 8,3%, caindo para 6% a 6,5% após a exclusão dos demais Poderes, e reduzindo-se a menos de 4% efetivos quando subtraídas as parcelas discricionárias vinculadas aos pisos de saúde e educação.
    • Gatilhos Fiscais: O descumprimento de metas anteriores acionou travas que limitam o crescimento das despesas com pessoal a 0,6% (economia estimada em R$ 9 bilhões) e vedam a concessão/promulgação de novos gastos tributários (renúncias fiscais), que somam mais de R$ 500 bilhões no orçamento.

Política Incluir: Inclusão Escolar de Estudantes Autistas e Superdotados

  • Identificação da proposição: Projeto de Lei de autoria da deputada Carla Dickson (PL-RN), que institui a Política Incluir na educação básica pública.
  • Colegiados e situação: Aprovado na Comissão de Educação e na Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, com substitutivo que estendeu o escopo original de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) para abranger também estudantes com altas habilidades ou superdotação.
  • Conteúdo: Estrutura ações permanentes para garantir permanência, participação, acessibilidade pedagógica e sensorial, além de aprendizagem no ambiente escolar regular.
  • Debate e posicionamentos:
    • Maria Fúria Silva (Associação Amigos do Autista) enfatizou a capacitação contínua do corpo docente como pilar para o desenvolvimento dos alunos.
    • Guilherme de Almeida (Associação Nacional para Inclusão das Pessoas Autistas) apontou descompasso orçamentário, afirmando que em 2025 investiu-se 31 vezes mais em segregação (escolas especiais) do que em inclusão nas escolas comuns, cobrando acessibilidade física e sensorial.
    • Deputado Felipe Becari (Podemos-SP), coordenador da Frente Parlamentar de Proteção às Pessoas com Transtorno do Espectro Autista, defendeu o resgate e a unificação de projetos correlatos paralisados na Câmara.
  • Encaminhamento: O texto segue para análise das Comissões de Finanças e Tributação (CFT) e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

Agenda Educacional para o Ciclo 2027–2030 (Todos pela Educação)

Entrevista com Talita Nascimento, diretora de relações governamentais do movimento Todos pela Educação, sobre o documento "Dois movimentos, uma só agenda", construído com mais de 40 especialistas e gestores públicos:

  • Diretrizes Centrais:
    • Continuidade: Manutenção e fortalecimento de programas estruturados no nível federal, a exemplo da política Mais Professores (formação e atratividade da carreira).
    • Inovação e Aprofundamento: Foco em recomposição de aprendizagens para sanar defasagens acumuladas desde a pandemia de 2020.
  • Dados de Opinião Pública (Pesquisa Todos pela Educação / IDEA):
    • 71% dos eleitores declaram que a atuação do governo na educação define ou influencia o voto.
    • 83% apontam a alfabetização como prioridade absoluta para as plataformas eleitorais.
    • 53% defendem a valorização salarial e a melhoria das condições de trabalho dos professores como principal foco do próximo Executivo.
  • Diagnóstico da Aprendizagem e Novo PNE:
    • Dados do Saeb 2025 registraram patamar recorde no 5º ano do Ensino Fundamental (maioria com aprendizado adequado em Língua Portuguesa e Matemática). Contudo, há queda acentuada no 9º ano e um estrangulamento no 3º ano do Ensino Médio, no qual apenas 8% dos estudantes atingem níveis adequados em Matemática.
    • Metas prioritárias do novo Plano Nacional de Educação (PNE): atingir 80% dos alunos do Ensino Médio com nível adequado e erradicar a faixa de estudantes situada abaixo do nível básico.
    • Defesa da progressão continuada com apoio pedagógico e diagnóstico em contraposição à progressão automática passiva.
    • Expansão do Ensino Médio em tempo integral (mínimo de 6 a 7 horas diárias) para superar a limitação do modelo tradicional brasileiro de apenas 4 horas diárias.
  • Financiamento Educacional: Impacto progressivo da complementação da União ao Novo FUNDEB (totalmente integralizada no ano anterior) e a relevância da atuação do Poder Legislativo na destinação de emendas, fiscalização orçamentária e sustentação de marcos regulatórios (PNE, Sistema Nacional de Educação e programa Pé-de-Meia).