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Meta's Dina Powell McCormick: The Case for Data Centers, Backlash, AI Job Boom & Meta’s Future

All-In Podcast17 de setembro de 202643minVer no YouTube|

Dina Powell McCormick, presidente e vice-presidente do conselho da Meta Platforms e ex-conselheira de segurança nacional dos EUA, detalhou no All-In Summit os pilares da estratégia de expansão da Meta em inteligência artificial: infraestrutura de data centers, formação técnica de mão de obra, governança e regras para menores nas redes sociais, hardware vestível (smart glasses) e a visão de modelos de IA de código aberto.

Impacto Econômico dos Data Centers: O Caso de Richland Parish, Louisiana

Para exemplificar o modelo de inserção comunitária da Meta, subiram ao palco Susan Bourgeois, secretária de Desenvolvimento Econômico da Louisiana, e Sheldon Jones, superintendente escolar de Richland Parish, paróquia rural no delta do Rio Mississippi onde a Meta iniciou a construção de seu maior campus de data centers.

  • Salários e Arrecadação: Historicamente, o rendimento médio em Richland Parish ficava entre US$ 36.000 e US$ 38.000 anuais. Com o início das obras em dezembro de 2024, a arrecadação do imposto sobre vendas do distrito escolar — que recebe 51% do tributo paroquial — subiu das taxas habituais de 5% a 10% para picos de 260% de aumento.
  • Bônus Direto aos Professores: Por determinação da legislação local que direciona alíquotas de 1 centavo e 0,5 centavo do imposto sobre vendas para remuneração de profissionais da educação, os repasses anuais extras para professores certificados saltaram de cerca de US$ 10.000 no ano anterior para cheques de US$ 50.000 por docente (um ganho líquido adicional de aproximadamente US$ 45.000 no ano fiscal).
  • Retenção e Atração de Talentos: Sheldon Jones pontuou que o distrito historicamente perdia profissionais e jovens formados para outros estados; o anúncio dos bônus gerou demanda imediata de professores de toda a Louisiana tentando transferência para Richland Parish.

Neutralização de Riscos: Energia, Água e Segurança Nacional

Questionada por Jason Calacanis sobre o impacto negativo comum em data centers (consumo de água, barulho, estética e pressão na rede elétrica), Susan Bourgeois e Dina Powell McCormick detalharam os acordos operacionais:

  • Uso da Água: O terreno adquirido era agrícola. A Meta optou por sistemas de resfriamento em circuito fechado mais caros e eficientes, que consom menos água do que a atividade agrícola prévia no local.
  • Energia e Infraestrutura: Em parceria com a concessionária de energia Entergy, a Meta financiou a construção de sua própria capacidade de geração, a modernização das linhas, a resiliência da rede e custos de recuperação de tempestades/furacões, sem repassar ônus tarifário aos consumidores da Louisiana (estado que possui mais de 32.000 milhas de gasodutos de gás natural).
  • Narrativa e Geopolítica: Dina mencionou reuniões recentes com os senadores Tom Cotton e Mark Warner (do Comitê de Inteligência do Senado dos EUA), apontando que adversários geopolíticos têm interesse direto em estimular campanhas de desinformação contra data centers para atrasar o avanço dos Estados Unidos na liderança de IA. A Meta estabeleceu um pacto formal de benefícios locais para suas expansões no Texas, Ohio e Louisiana.

America's Workforce Academy e a Escassez de Técnicos

Diante de um gargalo de mais de 500.000 vagas abertas nos EUA em funções de infraestrutura física, a Meta identificou falta crítica de técnicos em fibra óptica, soldadores, eletricistas e encanadores.

  • Modelo do Programa: Criado em parceria com entidades como a CBRE e a Association of Builders and Contractors, o programa America's Workforce Academy oferece treinamento acelerado de cinco semanas com certificação job site ready e segurança OSHA.
  • Remuneração Integral Durante o Curso: Para viabilizar a transição de motoristas, garçons e cuidadores que vivem de salário em salário, a Meta remunera o estudante durante o treinamento com o valor integral que ele receberia no trabalho real.
  • Resultados Iniciais: Em quatro meses de operação, o programa recebeu 40.000 inscrições, formou 250 alunos e atingiu uma taxa de retenção de 90% nos canteiros de obras da Meta, com contratação garantida aos graduados.
  • Apoio Sindical e Intersetorial: A iniciativa foi articulada com Sean McGarvey, presidente dos sindicatos da construção civil (NABTU), que passaram a exigir apoio à infraestrutura de data centers de candidatos políticos. Dina relatou articulação com Ruth Porat (Google), Larry Fink (BlackRock) e demanda de empresas automotivas como a GM (Mary Barra solicitou a formação de 1.000 trabalhadores).

Regras para Menores e o Debate sobre Produtos Viciantes

Jason Calacanis confrontou Dina a respeito dos acordos judiciais da Meta e alegações históricas de design focado em retenção de atenção de adolescentes e crianças.

  • Termos do Acordo Bipartidário: Dina rejeitou a comparação de valores feita por Calacanis e destacou o acordo com 52 procuradores-gerais estaduais e territoriais. A Meta estabeleceu como padrão o desligamento automático dos apps para usuários menores de 18 anos após 2 horas de uso diário, bloqueio de notificações no horário escolar e encerramento obrigatório durante a noite, além de novos controles de supervisão parental.
  • Compromisso de Redução para 1 Hora: A Meta condicionou a liberação de US$ 5 bilhões adicionais e o corte do limite diário para 1 hora caso plataformas concorrentes (TikTok, YouTube e Snapchat) adotem o mesmo padrão, visando eliminar a migração de audiência entre aplicativos.
  • Divergência sobre Responsabilização Judicial: David Sacks defendeu a empresa contra processos excessivos de promotores e advogados cíveis, argumentando que o uso de redes é voluntário e que o papel regulatório primordial cabe aos pais, mas elogiou os desligamentos automáticos por resolverem a sobrecarga dos responsáveis. Chamath Palihapitiya introduziu o conceito de RSI (Recursive Self-Improvement), ressaltando que, sem limites rígidos impostos pelas empresas, qualquer algoritmo de IA otimizado para tempo de tela inevitavelmente viciará o usuário.

Óculos Inteligentes (Ray-Ban Meta) e Casos de Uso

A Meta aposta no formato de óculos inteligentes em vez de capacetes imersivos de realidade virtual ou telas de celulares para a integração prática de IA no cotidiano:

  • Funcionalidades Chave: Foco conversacional (cancelamento de ruídos externos focado na voz de quem está à frente), tradução simultânea em áudio e texto, captura em primeira pessoa e comandos de voz sem necessidade de manusear um smartphone.
  • Parceria e Design: Trabalho conjunto de mais de dez anos com a controladora da Ray-Ban e Oakley (EssilorLuxottica) para eliminar barreiras de peso, bateria e estética.
  • Acessibilidade para Deficientes Visuais: Em parceria com organizações de veteranos de guerra cegos em Austin, Texas, os óculos foram adaptados para leitura de textos em tempo real (como escrituras e placas) e chamadas telefônicas autônomas por comando de voz, restabelecendo a independência funcional de veteranos.

Estratégia de IA de Mark Zuckerberg: Democratização e Código Aberto

Questionada sobre manifestações do setor a respeito de velocidade versus regulação estrita da inteligência artificial (em referência a ensaios como o de Dario Amodei, CEO da Anthropic), Dina explicou a visão corporativa de Mark Zuckerberg:

  • Superinteligência Aberta: A tese de Zuckerberg parte da escala de 3,6 bilhões de usuários diários e 200 milhões de pequenas empresas nas plataformas da Meta. Ele defende que a distribuição aberta de modelos avançados (família Llama) democratiza o acesso à saúde e à educação, gerando mais estabilidade socioeconômica global do que a concentração tecnológica em poucas plataformas fechadas.
  • Segurança e Desenvolvimento: A Meta mantém times dedicados exclusivamente à segurança de modelos sob a liderança de pesquisadores e executivos técnicos, sustentando que a governança deve acompanhar a disponibilização pública de tecnologia de ponta.