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Jimmy Iovine on AI: “The Great Artists Will Show the World How to Use It”

TBPN02 de setembro de 20261h02minVer no YouTube|

Jimmy Iovine, cofundador da Interscope Records e da Beats Electronics (vendida à Apple em 2014), discute a interseção entre tecnologia, design e música. A conversa aborda a criação da Iovine and Young Academy na University of Southern California (USC), o fracasso sistemático de empresas de software no desenvolvimento de hardware de consumo, as falhas estruturais dos modelos atuais de streaming como o Spotify e o impacto da inteligência artificial na remuneração de artistas e produtores musicais.

A criação da Iovine and Young Academy (USC IYA) e a crise dos silos

Iovine relata que, após vender a Beats e o serviço Beats Music para a Apple em 2014 (por US$ 3 bilhões), enfrentou uma dificuldade recorrente no setor: a incapacidade de encontrar profissionais que integrassem engenharia, design e negócios sem atritos culturais.

  • Origem da escola: Em 2012, Iovine ligou para Dr. Dre para propor um modelo educacional interdisciplinar. Em cerca de um mês, emitiram um cheque conjunto de US$ 70 milhões para fundar a academia na USC.
  • Problema estrutural: O ensino tradicional hiperespecializa os alunos dos 19 aos 26 anos (engenheiros isolados com engenheiros, administradores em Wharton convivendo apenas com contadores), eliminando a empatia entre diferentes áreas.
  • Colaboração corporativa: Pesquisas conduzidas pela USC apontaram que a competência número um demandada por grandes corporações é a "inovação colaborativa". Para Iovine, a proposta inicial da escola era treinar pessoas capazes de se infiltrar em gigantes de tecnologia e quebrar silos de dentro para fora.

Por que empresas de software fracassam no hardware

Iovine sustenta que a quase totalidade das empresas de software falha ao tentar criar produtos eletrônicos de consumo de massa por não entenderem a cultura e o design de forma integrada.

  • O contraexemplo da Apple: Steve Jobs e executivos como Eddy Cue entendiam que o diferencial estava na convergência entre tecnologia e humanidades (liberal arts). Ao visitar a Apple pela primeira vez em 2003 para tratar de pirataria no pós-Napster, Iovine recomendou a Doug Morris (então CEO da Universal Music) que licenciasse o catálogo da gravadora imediatamente para o iTunes.
  • O caso da Meta: Sobre os óculos inteligentes da Meta em parceria com a Ray-Ban, Iovine relativiza o volume: "Eles venderam 2 milhões. Nós vendemos 2 milhões de fones só no Brooklyn". Ele pontua que parcerias externas mostram a dificuldade dessas empresas em internalizar o design.
  • Subfinanciamento do áudio: Em reuniões com fabricantes tradicionais de computadores antes da criação da Beats, Iovine descobriu que o orçamento alocado para os componentes de áudio por máquina era de apenas US$ 0,50, resultando em caixas de som voltadas para baixo contra as mesas.

A tese e execução da Beats Electronics

Ao observar que Dr. Dre se incomodava com os filhos ouvindo produções musicais complexas nos fones de ouvido brancos e gratuitos distribuídos pela Apple e pela Samsung, a dupla decidiu disputar o mercado.

  • Vácuo de mercado: A líder da época, Bose, cobrava cerca de US$ 300 enfatizando cancelamento de ruído e fones esteticamente parecidos com "equipamentos médicos" para dormir. A Beats optou pelo apelo sonoro agressivo e identidade visual jovem.
  • Modelo lateral: A Beats foi criada dentro da própria estrutura da Interscope. No momento de sua venda para a Apple em 2014, a marca era líder em fones de ouvido em 50 países e faturava mais do que a própria gravadora em apenas seis anos de operação.

Inteligência Artificial na música: criatividade e compensação

Iovine traça paralelos entre a IA generativa e outras rupturas tecnológicas anteriores no áudio:

  • Precedentes históricos: A introdução do estéreo pelos Beatles e o uso das primeiras baterias eletrônicas por Prince (criadas por Roger Linn) foram inicialmente vistas com desconfiança pelos músicos tradicionais antes de virarem padrão.
  • IA como pré-visualização: Produtores da Interscope (como Pharrell Williams, Swizz Beatz, Timbaland e will.i.am) utilizam ferramentas de IA como geradores de ponto de partida para "destravar ideias" (break a logjam) antes da execução final.
  • Limites da máquina: "O que a IA não pode fazer é crescer em um lar terrível. A IA não pode ter um coração partido. A IA não vai ser a Dolly Parton".
  • Direitos autorais e treino ilegal: Iovine rejeita a tese de fair use defendida pelas startups que treinam modelos em catálogos de mais de 60 milhões de músicas sem autorização. Ele defende que os "prompts" e as referências diretas gerem repasses automáticos aos artistas citados e aos espólios de criadores falecidos (como Wilson Pickett).

A obsolescência do streaming e a desconexão artista-fã

Iovine afirma que o modelo atual de streaming está próximo da obsolescência caso não incorpore ferramentas nativas de engajamento social e corrija distorções financeiras.

  • Ausência de rede social: A tentativa de comprar o Musical.ly quando estava na Apple foi barrada pela cultura interna da empresa, que rejeita produtos sociais. Com isso, os artistas são forçados a usar o TikTok e o Instagram para gerenciar seu público em vez de plataformas diretas de áudio.
  • Distorção no rateio (pro-rata): O modelo de planos familiares penaliza artistas consumidos por quem paga a conta: "Se você ouve Fleetwood Mac e seus filhos pequenos deixam o tablet tocando Taylor Swift o dia inteiro, o dinheiro da sua assinatura vai para onde o botão ficou pressionado, e o Fleetwood Mac não recebe nada".
  • O erro das gravadoras (o "efeito Netflix"): Assim como os estúdios de cinema licenciaram seus catálogos para a Netflix para bater metas de curto prazo e acabaram criando um competidor que hoje domina a distribuição, as gravadoras entregaram seu catálogo ao Spotify. O Spotify vale mais do que todas as grandes gravadoras juntas sem possuir quase nenhuma propriedade intelectual (IP) própria.
  • Movimento lateral da indústria: Para sobreviver à nova onda, as gravadoras precisam ser donas das plataformas e das empresas de IA em vez de apenas licenciar conteúdo passivamente.