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Dino Mavrookas: America Needs to Build Ships Again

Sourcery with Molly O'Shea08 de setembro de 202629minVer no YouTube|

Dino Mavrookas, cofundador e CEO da Saronic e veterano dos Navy SEALs, analisa o colapso da base industrial naval dos Estados Unidos e a estratégia da empresa para reconstruir a capacidade de construção naval militar e comercial por meio de embarcações autônomas, manufatura em escala e injeção de capital de risco privado. A Saronic atingiu uma avaliação de mercado superior a US$ 9 bilhões, com US$ 2,6 bilhões captados.

O abismo na construção naval: Estados Unidos vs. China

  • Disparidade de escala industrial: A China supera os Estados Unidos na taxa agregada de construção naval na proporção de 230 para 1, controlando atualmente 57% da capacidade global de construção de navios.
  • Contraste comercial (2024): Enquanto os estaleiros chineses entregaram mais de 1.000 navios comerciais oceânicos no ano, os Estados Unidos construíram apenas 5 embarcações comerciais.
  • Construção militar direta: Os EUA lançam entre 5 e 10 navios de guerra por ano (cruzadores, destróieres e porta-aviões), contra cerca de 30 navios militares lançados anualmente pela China (uma proporção de 6 a 7 para 1).
  • Controle da cadeia de suprimentos: A China subsidia materiais básicos, mão de obra e financiamento integral para estaleiros. Aliados industriais como Coreia do Sul e Japão (segundo e terceiro maiores fabricantes mundiais) dependem intensamente de blocos estruturais e mão de obra chineses.
  • Encolhimento da frota naval dos EUA: A Marinha norte-americana conta com aproximadamente 290 navios operacionais. Em 2018, o Congresso aprovou uma meta mínima legal de 355 navios; em 2024, a Marinha recalculou sua necessidade para 381 navios tripulados, sem considerar embarcações autônomas.
  • Custos e cronogramas legados: O plano naval de 30 anos para atingir 381 navios tem custo projetado em US$ 1,2 trilhão. Porta-aviões levam mais de 10 anos para serem fabricados e seus custos unitários saltaram de US$ 13 bilhões para cerca de US$ 19 bilhões.

Ambiente regulatório, orçamento e aquisições de defesa

  • Alocação orçamentária: Diante de uma proposta de orçamento de US$ 1,5 trilhão e um orçamento do Departamento de Defesa projetado em cerca de US$ 1 trilhão para 2026, apenas 1% é destinado a sistemas autônomos.
  • Mobilização institucional: Mavrookas relata que a velocidade atual de articulação entre governo e setor de defesa é a mais rápida que testemunhou desde que entrou nas Forças Especiais em 2004, impulsionada pela nova Ordem Executiva Marítima, pelo Plano de Ação Marítima e pelo SHIPS Act em tramitação no Congresso.
  • Mudança no modelo de compras: A superação dos contratos tradicionais cost-plus exige que empresas usem capital privado próprio para construir antes da emissão formal de requerimentos, demonstrando capacidade prévia e acelerando as entregas por meio de canais como a Defense Innovation Unit (DIU).

Estratégia de expansão de portfólio da Saronic

  • Gama de embarcações de superfície: A empresa desenvolve plataformas autônomas escalonadas em tamanho e porte: Corsair, Mirage, Marauder e o novo programa de grande escala Port Alpha (Porpoise Alpha).
  • Marcos contratuais: Em dezembro de 2025, a Saronic firmou um contrato de centenas de milhões de dólares com a Marinha dos EUA via DIU para o fornecimento do modelo Corsair.
  • Atuação multisserviço: Além da Marinha, a Saronic desenvolve aplicações para o Exército (que opera quantitativamente mais embarcações que a própria Marinha), Corpo de Fuzileiros Navais, Guarda Costeira (segurança portuária e costeira) e Força Aérea (operações de busca e resgate em combate).

Parceria com a Castelion: disparo de mísseis hipersônicos autônomos

  • Integração privada direta: A Saronic e a startup de defesa Castelion (liderada pelo CEO Brian) estruturaram uma parceria financiada inteiramente por capital privado para instalar mísseis hipersônicos conteinerizados no convés da embarcação autônoma Marauder.
  • Antecipação em relação aos testes estatais: A cooperação autônoma privada planeja realizar o teste de lançamento de um míssil hipersônico a partir do Marauder antes mesmo que a Marinha dos EUA conclua o primeiro teste formal de disparo hipersônico a partir de uma embarcação tripulada.

Nova geração de Prime Contractors e Estratégia Comercial Dupla

  • Consolidação histórica vs. reabertura: Em 1993, os Estados Unidos contavam com cerca de 55 a 60 prime contractors (contratantes diretos do Pentágono), número reduzido para 5 grandes conglomerados consolidados. Mavrookas projeta que entre 5 e 10 novos primes de tecnologia de defesa em larga escala irão se consolidar nos próximos 5 a 10 anos.
  • O papel do setor comercial no poder naval: A retenção de capacidade industrial, custos unitários reduzidos e cadeias de suprimento resilientes dependem da construção naval comercial em volume.
  • Logística e segurança de transporte: O programa Port Alpha levará a autonomia para frotas comerciais de porta-contêineres, petroleiros e navios Ro-Ro (Roll-on/Roll-off), essenciais para reabastecer tropas em teatros de operações de conflitos prolongados.
  • Impacto do Port Alpha em Brownsville: Em um horizonte de 10 anos, o complexo industrial do Port Alpha em Brownsville, Texas, prevê aportes bilionários, a geração de 10.000 empregos diretos e um impacto econômico regional estimado em US$ 160 bilhões.

Trajetória de Dino Mavrookas e fundação da Saronic

  • Histórico militar e financeiro: Mavrookas atuou por 11 anos nas equipes SEAL da Marinha dos EUA (2004 a 2015), passando seus últimos 5 anos no SEAL Team 6. Após a baixa, trabalhou por 5 anos no fundo de private equity Vista Equity Partners.
  • Incubação e investidores: Fundou a Saronic em 2022 a partir de discussões com Joe Lonsdale através da incubadora da 8VC (ABC). Entre os principais investidores que lideraram rodadas subsequentes estão Caffeinated Capital, Andreessen Horowitz (a16z) e Kleiner Perkins.
  • Origem do nome: Inspirado pela Batalha de Salamina (480 a.C.), durante a Segunda Guerra Médica, quando navios gregos menores e mais manobráveis derrotaram a frota persa numericamente superior e mais pesada no Golfo Sarônico. O nome foi proposto por sua esposa, que nasceu na Grécia.
  • Crescimento de equipe: Em 4 anos de operação, a Saronic expandiu seu quadro funcional para 1.800 colaboradores.