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Braskem: como a gigante petroquímica perdeu 90% do seu valor de mercado

InvestNews BR23 de junho de 202611minVer no YouTube|

Contexto

A Braskem, maior fabricante de resinas das Américas, atravessou uma década de instabilidade marcada por escândalos de corrupção, o desastre geológico em Maceió e uma crise financeira severa. O analista Henrique Esteter detalha como a empresa, que chegou a valer R$ 54 bilhões em 2021, viu seu valor de mercado despencar 90% antes de passar por uma mudança de controle para a IG4 Capital e Petrobras em 2026.

Fatores da Crise

  • Escândalos e Dívida: A empresa foi envolvida na Lava-Jato, resultando em multas bilionárias e na fragilização de sua controladora, a Odebrecht (atual Novonor), que entrou em recuperação judicial e colocou as ações da Braskem como garantia de dívidas.
  • Desastre em Maceió: A extração de sal-gema causou o afundamento de cinco bairros, gerando um passivo bilionário e comprometendo a atratividade da empresa para compradores por anos.
  • Ciclo das Commodities: Em 2021, a empresa surfou spreads recordes devido à pandemia, atingindo o pico de R$ 70 por ação. Contudo, a expansão da capacidade produtiva chinesa e a desvantagem competitiva da Braskem (que utiliza nafta, matéria-prima mais cara que o etano) colapsaram as margens nos anos seguintes.
  • Governança e Mercado: A indefinição sobre o controle da companhia, com a Petrobras como sócia, travou negociações de venda e levou a rebaixamentos sucessivos por instituições como BTG e Bank of America.

A Virada e o Novo Controle

  • Mudança de Gestão: A IG4 Capital assumiu o controle em junho de 2026 ao adquirir dívidas da Novonor que tinham ações da Braskem como garantia. A Petrobras mantém 47% do capital votante e a presidência do conselho.
  • Situação Financeira: A alavancagem atingiu níveis críticos (cerca de 17 vezes), levando a empresa a considerar uma recuperação extrajudicial para renegociar vencimentos de dívidas de 2026.
  • Citações: "Não existe bala de prata para entregar a virada da Braskem" (Bradesco BBI).

Implicações

  • Oferta aos Acionistas: O novo controlador registrou uma oferta obrigatória para comprar papéis em circulação, porém o pagamento será feito em debêntures, não em dinheiro.
  • Cenário Atual: Fatores externos, como o conflito entre EUA e Irã (que restringiu a oferta petroquímica do Oriente Médio) e o aumento de impostos sobre plásticos importados no Brasil, trouxeram um alívio temporário nas margens.
  • Incerteza: O mercado está polarizado. Enquanto o JP Morgan elevou a recomendação para compra com preço-alvo de R$ 15, o Bradesco BBI mantém uma visão pessimista com alvo em R$ 4, destacando o risco de o tempo para a reestruturação ser insuficiente frente aos vencimentos da dívida.