O que é a Xiaomi
A Xiaomi é uma empresa chinesa de eletrônicos com sede em Pequim, conhecida no mundo todo por smartphones vendidos a preços agressivos e por um ecossistema amplo de produtos conectados. Fundada em 6 de abril de 2010 por Lei Jun e outros seis sócios — entre eles Lin Bin, Zhou Guangping e Liu De —, a companhia abriu capital na Bolsa de Hong Kong em junho de 2018, levantando US$ 4,72 bilhões, e é negociada sob o código 1810.
O nome 小米 (xiǎo mǐ) significa literalmente "painço", um grão. Lei Jun já atribuiu outros sentidos ao termo: o caractere "xiao" ("pequeno") remete à filosofia budista, enquanto "mi" funciona como sigla para "Mobile Internet" e para "mission impossible".
Hoje a Xiaomi vai muito além de celulares: fabrica tablets, notebooks, TVs, pulseiras e relógios inteligentes, eletrodomésticos, dispositivos de casa conectada e, desde 2024, carros elétricos. Em dezembro de 2025, a empresa reportava 754,1 milhões de usuários ativos mensais globais em seus sistemas, com 43.688 funcionários.
Onde a Xiaomi fica e onde é fabricada
A sede fica em Pequim, na China. A produção não é feita apenas internamente: a Xiaomi historicamente terceiriza boa parte da fabricação para parceiros e mantém linhas de montagem em diferentes países, além de plantas próprias na China voltadas a produtos de maior valor e à divisão automotiva.
História e origem
A Xiaomi nasceu como uma empresa de software antes de virar fabricante de hardware. O MIUI, sua interface baseada em Android, foi lançado em 16 de agosto de 2010 — meses antes do primeiro celular da marca — e ganhou tração junto a uma comunidade de entusiastas que instalava o sistema em aparelhos de outras marcas. Essa base de usuários foi o alicerce sobre o qual a companhia construiu a venda de telefones.
A estratégia seguinte foi a expansão por submarcas e por categorias adjacentes: a linha Redmi para a faixa de entrada e intermediária, a POCO (criada em 2018) para aparelhos de custo-benefício voltados a desempenho, e a Mijia para dispositivos de internet das coisas. Em 30 de março de 2021, Lei Jun anunciou um investimento de US$ 10 bilhões na criação de uma divisão de veículos elétricos — a aposta mais cara da história da empresa.
Linhas de produtos e submarcas
A Xiaomi organiza o portfólio de celulares em três frentes principais:
- Série numerada Xiaomi (antiga série Mi) — os aparelhos topo de linha, como o Xiaomi 17 e suas variantes Pro, Pro Max e Ultra.
- Redmi — a submarca de volume, com as famílias Redmi Note (intermediária) e Redmi K (desempenho por preço mais baixo, majoritariamente na China).
- POCO — lançada em 2018, voltada a aparelhos de custo-benefício com foco em desempenho.
Fora dos celulares, a Mijia concentra os dispositivos de casa conectada, e a Xiaomi mantém linhas de tablets (Xiaomi Pad), vestíveis, TVs e eletroportáteis.
Xiaomi ou Redmi: qual a diferença
Redmi não é uma marca concorrente: é uma submarca da própria Xiaomi. Na prática, aparelhos Redmi ocupam as faixas de entrada e intermediária, enquanto a série numerada Xiaomi fica com o topo de linha. Ambas rodam o mesmo sistema e compartilham o ecossistema de serviços. O mesmo vale para a POCO, que também pertence à Xiaomi.
HyperOS: o sistema da Xiaomi
O HyperOS é o sistema operacional que sucedeu o MIUI nos aparelhos da marca, unificando celulares, tablets, TVs, dispositivos de casa conectada e os carros elétricos sob uma mesma plataforma.
A quarta geração, o HyperOS 4, foi anunciada em 13 de agosto de 2026, com base no Android 17. A principal mudança é visual: a Xiaomi batizou a nova linguagem de design de "Life Aesthetics", com um efeito de translucidez chamado "Soft Light Glass", que aplica transparências e refrações aos elementos da interface. A tela de bloqueio ganhou mais opções de posicionamento e personalização do relógio e novos widgets; na tela inicial, widgets podem ser empilhados no mesmo espaço e reorganizados por gestos.
A camada de inteligência artificial foi ampliada com o Super XiaoAI 2.0, que inclui recursos como o Inspiration Ball, um Expert Mode e reconhecimento de elementos exibidos na tela.
O programa beta começou em 14 de agosto de 2026 e vai até 17 de setembro, em liberação gradual — os recursos disponíveis variam conforme o modelo. Os primeiros aparelhos contemplados são as linhas Xiaomi 17 (padrão, Pro, Pro Max e Ultra), Redmi K90 (padrão e Pro Max) e o Xiaomi Pad 8, inicialmente apenas na China, sem data confirmada para o lançamento global.
A Xiaomi no mercado global de smartphones
A Xiaomi é a terceira maior vendedora de smartphones do mundo, atrás de Samsung e Apple. Segundo levantamento da consultoria Omdia para o segundo trimestre de 2026, a empresa embarcou 31,2 milhões de aparelhos no período, o equivalente a 11% do mercado global — uma queda de 26% na comparação anual.
No mesmo trimestre, a Samsung liderou com 60,5 milhões de unidades e 22% de participação (alta de 5%), e a Apple ficou em segundo, com 55,1 milhões e 20% (alta de 23%). O mercado global como um todo recuou 6%, para 272 milhões de aparelhos, ante 288,9 milhões no segundo trimestre de 2025.
Ou seja: enquanto as duas líderes cresceram, a Xiaomi perdeu volume — um movimento ligado diretamente ao encarecimento dos chips de memória, que pressionou as margens de toda a faixa intermediária de preço.
Resultados financeiros e o choque de custo de memória
O segundo trimestre de 2026 foi o mais difícil da empresa em anos. A Xiaomi reportou lucro líquido ajustado de 6,2 bilhões de yuans, queda de 42,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita total somou 108,9 bilhões de yuans, recuo de 6,1% na base anual.
A causa central está nos componentes: a margem bruta da divisão de smartphones caiu para 8,5%, ante 11,5% um ano antes, pressionada pelo custo da memória. Os embarques de celulares recuaram 26,5% no período.
O contrapeso veio da divisão automotiva. O segmento que reúne veículos elétricos, inteligência artificial e novas iniciativas teve alta de 17,1% na receita, para 24,9 bilhões de yuans, com 104.199 veículos entregues no trimestre — crescimento de 28,2%. O segmento ainda operou com prejuízo operacional de 2,6 bilhões de yuans, resultado da fase de expansão.
Carros elétricos: SU7 e YU7
A entrada da Xiaomi no setor automotivo foi anunciada em 30 de março de 2021, com um compromisso de investimento de US$ 10 bilhões. O primeiro carro, o sedã elétrico SU7, foi lançado em 28 de março de 2024 e se tornou rapidamente um sucesso comercial na China. O YU7, SUV elétrico da marca, chegou em 26 de junho de 2025 e ampliou o alcance da divisão para a categoria de maior volume do mercado global de elétricos.
A divisão automotiva é hoje a principal fonte de crescimento da empresa — e também sua maior fonte de prejuízo operacional, já que a operação segue em fase de escala.
A Xiaomi no Brasil
A Xiaomi chegou ao Brasil pela primeira vez em 29 de junho de 2015, por meio de parcerias locais, mas encerrou a operação no segundo semestre de 2016.
O retorno oficial foi anunciado em um evento em São Paulo em 21 de maio de 2019, desta vez em parceria com a DL Eletrônicos, empresa brasileira responsável pelo processo de homologação, importação e venda dos aparelhos no país. A primeira loja física da marca, uma Mi Store, foi inaugurada em 1º de junho de 2019 no Shopping Ibirapuera, na capital paulista, com cerca de 210 m². Na mesma ocasião, a empresa lançou seu e-commerce brasileiro. Entre os primeiros aparelhos vendidos oficialmente estavam o Redmi 7 e o Redmi Note 7.
Homologação e aparelhos "não homologados"
Um ponto de atenção específico do mercado brasileiro: pela regra da Anatel, produtos precisam ser analisados e aprovados pela agência para receber o selo e o número de homologação, e não é permitido comercializar aparelhos ainda não aprovados. Como boa parte dos celulares Xiaomi vendidos no país chega por importação paralela, é comum encontrar modelos sem homologação — sem cobertura de garantia oficial e sem a validação regulatória do aparelho. Vale conferir o número de homologação na base da Anatel antes da compra.
Redmi Note 17 Pro Max
A Xiaomi confirmou a estreia global da série Redmi Note 17 para 27 de agosto de 2026, com o Redmi Note 17 Pro Max 5G como principal aparelho da linha. Entre as especificações divulgadas estão tela CrystalRes AMOLED de 6,83 polegadas com resolução 1.5K e carregamento rápido de 100 W (HyperCharge), com bateria de silício-carbono — as informações divulgadas antes do evento divergem quanto à capacidade exata, entre 9.210 mAh e 10.000 mAh, conforme a variante.
Por que os aparelhos da Xiaomi são mais baratos
A resposta está no modelo de negócio, não em um corte de qualidade. Em abril de 2018, às vésperas da abertura de capital, Lei Jun assumiu publicamente o compromisso de manter a margem de lucro líquido do hardware abaixo de 5% — e prometeu devolver aos clientes qualquer valor que ultrapassasse esse teto.
A lógica é vender o aparelho perto do custo e monetizar depois, pelo ecossistema: serviços, publicidade dentro do sistema e a venda cruzada de outros dispositivos conectados a quem já entrou na plataforma. É também por isso que aparelhos Xiaomi costumam exibir anúncios em áreas do sistema — uma escolha de modelo comercial, geralmente desativável nas configurações.
Ecossistema de dispositivos conectados
Além dos celulares, a Xiaomi construiu um catálogo extenso de produtos conectados sob a marca Mijia e por meio de empresas investidas: iluminação, sensores, câmeras, aspiradores, purificadores, eletroportáteis e aparelhos domésticos de nicho — incluindo lançamentos como aquários com automação de cuidados. Todos se integram ao mesmo aplicativo de controle e ao HyperOS, o que reforça o efeito de retenção: quanto mais dispositivos da marca o usuário tem, maior o custo de trocar de plataforma.
Essa amplitude é o que diferencia a Xiaomi de fabricantes que vendem apenas celulares, e é a peça central da estratégia de compensar a margem baixa do hardware principal.
Perguntas frequentes
Quem é a Xiaomi e de que país é? É uma empresa chinesa de eletrônicos, com sede em Pequim, fundada em 6 de abril de 2010 por Lei Jun e outros seis sócios.
Redmi é Xiaomi? Sim. Redmi é uma submarca da Xiaomi, voltada às faixas de entrada e intermediária. POCO também pertence à Xiaomi.
Quando a Xiaomi chegou ao Brasil? Em 29 de junho de 2015. A operação foi encerrada em 2016 e a marca voltou oficialmente ao país em 21 de maio de 2019, em parceria com a DL Eletrônicos.
O que é o HyperOS? É o sistema operacional da Xiaomi, sucessor do MIUI, que unifica celulares, tablets, TVs, dispositivos de casa conectada e os carros da marca. A versão mais recente, o HyperOS 4, foi anunciada em 13 de agosto de 2026 e é baseada no Android 17.
A Xiaomi é maior que a Samsung? Não. No segundo trimestre de 2026, a Samsung liderou o mercado global com 22% de participação e a Apple ficou com 20%; a Xiaomi foi a terceira, com 11%, segundo a Omdia.
A Xiaomi faz carros? Sim. A divisão automotiva foi anunciada em 30 de março de 2021, e a empresa lançou o sedã elétrico SU7 em 28 de março de 2024 e o SUV YU7 em 26 de junho de 2025. No segundo trimestre de 2026, entregou 104.199 veículos.
