Quando foi o terremoto na Colômbia
Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste da Colômbia na manhã de segunda-feira, 10 de agosto de 2026, com epicentro no departamento de Chocó. É o tremor mais forte registrado em território colombiano no século 21, segundo o Serviço Geológico Colombiano (SGC) e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Até a manhã de 11 de agosto, as autoridades contabilizavam 132 mortos, mais de 570 feridos e centenas de desaparecidos, com destruição concentrada nos departamentos de Risaralda, Valle del Cauca e Chocó. O desastre é o primeiro grande teste do presidente Abelardo de la Espriella, que havia tomado posse três dias antes.
O abalo principal ocorreu às 7h34 da manhã de segunda-feira, 10 de agosto de 2026, no horário local da Colômbia (UTC-5) — 9h34 em Brasília e 12h34 em tempo universal (UTC), conforme o registro do USGS.
O horário matinal, em dia útil, colocou boa parte da população em trânsito, em escolas e em locais de trabalho no momento do tremor, o que ajuda a explicar a quantidade de relatos de evacuações de prédios em cidades distantes do epicentro, incluindo Bogotá.
Onde foi o epicentro e qual a profundidade
O epicentro foi localizado a cerca de 5 km ao sul de San José del Palmar, no departamento de Chocó, na região do Pacífico colombiano — cerca de 240 km a oeste de Bogotá. As coordenadas registradas pelo USGS são 4,84° de latitude norte e 76,24° de longitude oeste.
A profundidade foi de aproximadamente 110 km, o que caracteriza um sismo intermediário, e não superficial. Essa profundidade é parte da explicação para o alcance do tremor: terremotos profundos costumam ser sentidos em uma área geográfica muito maior, ainda que a destruição na superfície tenda a ser menos concentrada do que a de um sismo raso de magnitude equivalente.
Não houve alerta de tsunami. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) descartou o risco, e o registro do USGS para o evento não aciona aviso de maremoto.
Quantos mortos e feridos
Os números foram revisados sucessivamente ao longo das primeiras 24 horas, à medida que equipes chegavam a áreas mais afetadas: o balanço partiu de 20 mortos na manhã do dia 10, passou por 47, 69, 77 e 111 e chegou a 132 mortos na madrugada de 11 de agosto, com mais de 570 feridos.
O presidente Abelardo de la Espriella informou 188 desaparecidos; uma base de dados digital de buscas por parentes reunia mais de 1.400 registros. A distribuição por departamento, segundo balanços preliminares, concentrava mais de 40 mortes em Risaralda, 27 em Valle del Cauca — três delas de crianças — e 12 em Chocó, com 84 feridos.
As autoridades trabalhavam com a expectativa de que o número subisse, dado que havia pessoas presas sob escombros em Cali e em Pereira e que parte das áreas rurais próximas ao epicentro seguia com acesso comprometido.
Cidades mais atingidas
A destruição não se concentrou no epicentro, em área de baixa densidade populacional, mas nas cidades médias e grandes do eixo oeste do país:
- Pereira (Risaralda) — uma das cidades com mais colapsos estruturais; mais de 15 edificações vieram abaixo e o teto do Aeroporto Internacional Matecaña desabou parcialmente.
- Cali (Valle del Cauca) — o prefeito Alejandro Eder confirmou o colapso de 20 edifícios, com pessoas presas nos escombros, e cerca de 380 imóveis danificados na cidade.
- Manizales (Caldas) — uma das torres da Catedral Basílica Metropolitana desabou; o resto do templo ficou com rachaduras e foi interditado para avaliação estrutural.
- Quibdó (Chocó) — capital do departamento do epicentro, com danos em infraestrutura e no aeroporto.
- Bogotá — a capital sentiu o tremor com força e teve prédios evacuados, mas não registrou destruição em larga escala.
No total, mais de 1.500 imóveis foram danificados em todo o país, incluindo 61 edifícios com colapso completo.
O terremoto foi sentido no Brasil?
Sim, mas de forma leve e sem danos. Houve relatos de percepção do tremor em Manaus, no Amazonas — o tipo de alcance que a profundidade de 110 km ajuda a explicar. Não há registro de feridos, mortos ou danos estruturais no Brasil em decorrência do sismo.
O abalo também foi sentido no Equador, na Venezuela e no Panamá, com evacuações preventivas de prédios em várias cidades desses países.
O governo brasileiro ofereceu apoio à Colômbia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade e colocou o país à disposição para ajudar; até então, não havia brasileiros entre as vítimas identificadas.
Réplicas e risco de novos tremores
Pelo menos 21 réplicas foram registradas nas primeiras horas após o abalo principal. A maior delas registrada pelo USGS na área foi de magnitude 5,0, às 8h18 no horário local, a 16 km a oeste de San José del Palmar, a cerca de 98 km de profundidade.
A Unidade Nacional de Gestão de Riscos de Desastres (UNGRD) assumiu a coordenação das operações de socorro e do monitoramento de réplicas. O risco associado a elas é sobretudo o de colapso de estruturas já comprometidas pelo abalo principal — daí a interdição de prédios com danos visíveis antes mesmo de qualquer avaliação definitiva.
Danos em aeroportos, hospitais e patrimônio
Seis aeroportos suspenderam operações após sofrerem danos estruturais: Pereira, Manizales, Quibdó, Armênia, Cartago e Buenaventura. No Aeroporto Internacional Matecaña, em Pereira, parte do teto desabou.
Na rede de saúde, três hospitais colapsaram e outros 18 foram afetados — um agravante direto para o atendimento dos feridos justamente nas regiões mais atingidas. Escolas também sofreram danos, e diversas cidades enfrentaram interrupções no fornecimento de energia elétrica e nos serviços de comunicação.
O caso de patrimônio histórico mais visível foi o da Catedral Basílica Metropolitana de Manizales, uma das maiores igrejas em concreto armado da América Latina, que perdeu uma de suas torres laterais.
Resposta do governo e estado de emergência
O presidente Abelardo de la Espriella convocou um comitê de emergência ainda na manhã do dia 10 e decretou estado de emergência nacional, além de instalar um Posto de Comando Unificado para coordenar a resposta. "A primeira prioridade é resgatar as pessoas presas sob os escombros", afirmou.
O desastre chegou a menos de 72 horas do início do mandato: De la Espriella tomou posse em 7 de agosto de 2026, e a gestão da catástrofe se tornou o primeiro teste de sua administração.
A governadora de Chocó, Nubia Carolina Córdoba-Curi, cobrou resposta coordenada para o departamento do epicentro, uma das regiões mais pobres e com menor infraestrutura do país.
Ajuda internacional
Os Estados Unidos anunciaram US$ 15,5 milhões para a resposta ao terremoto. França e União Europeia oficializaram o envio de ajuda humanitária voltada especificamente ao resgate de sobreviventes sob os escombros. El Salvador, México, Chile, Israel e Equador também ofereceram apoio.
O Brasil ofereceu suporte técnico e assistência, em manifestação do presidente Lula no dia 10.
Impacto econômico
Estimativas preliminares apontam prejuízos de até US$ 1 bilhão. O desastre atinge a Colômbia em um momento de fragilidade fiscal, com déficit elevado e taxa básica de juros em 12% ao ano, o que limita o espaço para gastos extraordinários de reconstrução sem pressionar ainda mais as contas públicas.
A região atingida concentra parte relevante da produção cafeeira colombiana e nós logísticos importantes — os seis aeroportos fechados e as estradas interditadas afetaram diretamente o escoamento e a circulação na área.
Impacto no futebol: Libertadores e Sul-Americana
A Dimayor, entidade que organiza o futebol profissional colombiano, suspendeu por tempo indeterminado as rodadas do campeonato nacional. A Conmebol passou a avaliar os impactos logísticos sobre as partidas da Libertadores e da Sul-Americana, já que aeroportos e estradas das cidades-sede foram comprometidos.
Clubes com compromissos continentais, como Deportes Tolima e Independiente Santa Fe, ficaram sob risco de ter jogos adiados ou realocados.
Por que a Colômbia tem terremotos
A Colômbia fica em uma das zonas sismicamente mais ativas do planeta, no encontro de três placas tectônicas: a de Nazca, a Sul-Americana e a do Caribe. A subducção da placa de Nazca sob a Sul-Americana, ao longo da costa do Pacífico, é a fonte dos maiores sismos do país — e é o mecanismo por trás do abalo de 10 de agosto, cujo foco a 110 km de profundidade fica dentro da placa que mergulha.
Não existe "época de terremoto": sismos não têm sazonalidade e não são previsíveis com data, hora e local. O que a ciência oferece é o mapeamento de risco por região e a estimativa de probabilidade em prazos longos — o que faz da norma de construção sismorresistente e do planejamento urbano as principais ferramentas de mitigação.
A percepção de que os terremotos estão mais frequentes no mundo não se sustenta nos dados: o aumento é do número de eventos detectados, resultado de uma rede de sensores muito mais densa do que a de décadas atrás, somado à velocidade com que imagens de qualquer tremor circulam nas redes sociais.
Relação com os terremotos na Venezuela em 2026
Não há relação causal direta estabelecida entre os dois eventos. Em 24 de junho de 2026, a Venezuela foi atingida por dois grandes sismos — magnitudes 7,5 e 7,2, ambos rasos, perto de Catia La Mar e San Felipe —, em um desastre cujo número de mortos chegou a 6.301 até 10 de agosto.
Os terremotos venezuelanos ocorreram na zona de contato entre as placas do Caribe e Sul-Americana, um sistema tectônico distinto do da subducção de Nazca, que produziu o abalo colombiano. A proximidade no calendário e na geografia aproxima os dois desastres, mas eles têm origem em falhas diferentes.
Comparação com terremotos anteriores na Colômbia
O tremor de 2026 é o mais forte registrado em território colombiano no século 21 — acima dos abalos de magnitude 7,3 de 2012, perto de San Agustín, e de magnitude 7,2 de 2004, perto de Pizarro.
Magnitude, porém, não determina o número de mortes. O desastre sísmico mais letal da história recente do país foi o terremoto do Eixo Cafeeiro, em 25 de janeiro de 1999: magnitude 6,2, muito menor, mas com foco a apenas 17 km de profundidade e epicentro sob uma área urbanizada, em Quindío. Ele deixou 1.185 mortos, dos quais 971 só na cidade de Armênia, além de mais de 5 mil feridos e 21 mil casas danificadas ou destruídas. É esse trauma que a população de Manizales e do Eixo Cafeeiro reviveu em 10 de agosto.
O maior sismo já registrado na região foi o de 31 de janeiro de 1906, de magnitude 8,8, na costa entre Equador e Colômbia.
A tragédia de Armero, em novembro de 1985, é um caso distinto: aquele desastre, que matou mais de 20 mil pessoas e ficou marcado pela agonia da menina Omayra Sánchez, foi provocado pela erupção do vulcão Nevado del Ruiz e pelas avalanches de lama resultantes, não por um terremoto.
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