O que é a Sony
A Sony é um conglomerado japonês de eletrônicos e entretenimento com sede em Tóquio. O nome legal da holding é Sony Group Corporation, adotado em 2021 — antes disso a companhia se chamava Sony Corporation, denominação usada desde 1958.
O grupo opera em frentes bastante distintas entre si: videogames (PlayStation), música gravada e editoração, cinema e televisão, sensores de imagem, câmeras profissionais e de consumo, áudio e televisores. No ano fiscal de 2025, encerrado em março de 2026, a Sony reportou vendas consolidadas de ¥12.479,6 bilhões, alta de 4% sobre o ano anterior, e lucro operacional de ¥1.447,5 bilhões, um avanço de 13%. O lucro líquido foi de ¥1.030,9 bilhões, queda de 3%. O presidente e CEO é Hiroki Totoki; a diretora financeira é Lin Tao.
História e origem
A empresa foi fundada em 7 de maio de 1946 por Masaru Ibuka e Akio Morita, com o nome Tokyo Tsushin Kogyo K.K. A marca Sony passou a nomear a companhia em janeiro de 1958, quando ela se preparava para operar no mercado de capitais americano.
Entre os produtos que marcaram a trajetória do grupo estão o TR-55, primeiro rádio transistorizado fabricado no Japão, lançado em 1955; a linha de televisores Trinitron; o Walkman, que popularizou o áudio portátil a partir dos anos 1970; o disco compacto (CD), desenvolvido em parceria com a Philips; e o PlayStation, lançado em 1994.
Segmentos de negócio
A Sony organiza suas operações em segmentos reportados separadamente. No resultado do ano fiscal de 2025, os principais foram:
- Game & Network Services (G&NS) — PlayStation. Vendas de ¥4.685,7 bilhões e lucro operacional de ¥463,3 bilhões, alta de 12%.
- Entertainment, Technology & Services (ET&S) — televisores, áudio e câmeras. Vendas de ¥2.260,5 bilhões e lucro operacional de ¥158,6 bilhões, queda de 17%, pressionado pelo custo de memória.
- Imaging & Sensing Solutions (I&SS) — sensores de imagem. Vendas de ¥2.151,5 bilhões e lucro operacional de ¥357,3 bilhões, alta de 37%.
- Music — Vendas de ¥2.120,1 bilhões e lucro operacional de ¥447,0 bilhões, alta de 25%.
- Pictures — Vendas de ¥1.499,3 bilhões e lucro operacional de ¥104,9 bilhões, queda de 11%.
A estrutura mudou recentemente: em 3 de setembro de 2025 a Sony aprovou a cisão parcial do braço financeiro, e as ações da Sony Financial Group Inc. passaram a ser negociadas na Bolsa de Tóquio em 29 de setembro de 2025, com a operação efetivada em 1º de outubro. A Sony reteve menos de 20% do capital da empresa cindida, que deixou de ser subsidiária consolidada e passou a ser avaliada por equivalência patrimonial.
PlayStation e a Sony Interactive Entertainment
A Sony Interactive Entertainment é a subsidiária responsável pelo PlayStation. No fechamento do ano fiscal de 2025, o console PlayStation 5 acumulava 93 milhões de unidades vendidas e a rede reportava 125 milhões de usuários ativos mensais.
Em 1º de julho de 2026 a empresa anunciou que vai encerrar, a partir de janeiro de 2028, a produção de discos físicos para jogos novos lançados em consoles PlayStation. Depois dessa data, os lançamentos passam a ser vendidos apenas em formato digital, tanto na PlayStation Store quanto no varejo. Jogos já publicados em disco, ou lançados em disco antes de janeiro de 2028, não são afetados, e o leitor óptico do PS5 continua funcionando para esses títulos. A justificativa apresentada pela companhia foi a mudança de preferência do público e da indústria de entretenimento, que segundo a Sony vem migrando do disco para o digital.
Preço e estoque do PS5 diante da crise de memória
A escassez global de memória, puxada pela demanda de data centers de inteligência artificial, encareceu componentes para toda a indústria de eletrônicos. No relatório financeiro divulgado no fim de julho de 2026, a Sony Interactive Entertainment afirmou ter assegurado a quantidade de memória necessária para atender ao volume de vendas projetado do PS5 no ano fiscal de 2026 e informou que não há mudança nos planos de lucratividade — o que na prática estende a garantia de fornecimento e de preço até o início de 2027, período que cobre lançamentos aguardados como GTA 6 e Marvel's Wolverine. Na chamada de resultados do ano fiscal de 2025, Hiroki Totoki descreveu a alta de custos como uma disrupção tecnológica provocada pela demanda de IA, e a companhia estimou conter cerca de ¥30 bilhões desse impacto no ano fiscal de 2026 por meio de ações combinadas.
Sensores de imagem
Os sensores CMOS são um dos negócios mais lucrativos do grupo e o segmento I&SS registrou vendas recordes no ano fiscal de 2025. A Sony detém aproximadamente metade do mercado global de sensores de imagem CMOS, posição sustentada pelas tecnologias de retroiluminação (BSI) e de sensores empilhados, com presença forte no segmento de smartphones premium — incluindo o iPhone — e em câmeras de cinema.
Essa liderança começou a ser disputada. Em dezembro de 2025 a Samsung fechou acordo com a Apple para fabricar sensores CMOS empilhados de três camadas para iPhones, com produção em sua fábrica em Austin, no Texas, sinalizando um modelo de fornecimento dividido. Do lado da Sony, a resposta industrial passa por um memorando de entendimento não vinculante assinado com a TSMC para desenvolver e fabricar sensores de imagem de próxima geração na planta de Kumamoto, no Japão — uma estratégia "fab-lite" para reduzir investimento em capacidade própria.
Câmeras Alpha e ZV
A linha de câmeras da Sony é uma das mais buscadas da marca no Brasil. Entre os modelos mais procurados estão as mirrorless APS-C da série Alpha, como a a6400 e a a6700, a linha de vídeo Cinema Line, com a FX30, e as câmeras voltadas para criação de conteúdo da família ZV, como a ZV-E10 e a ZV-1. As câmeras fazem parte do segmento ET&S, que no ano fiscal de 2025 somou ¥2.260,5 bilhões em vendas.
Áudio: do Walkman à linha 1000X
A Sony criou o mercado de áudio pessoal com o Walkman nos anos 1970 e mantém posição de destaque no segmento premium de fones com cancelamento de ruído. A família 1000X estreou em 2016 com o modelo MDR-1000X, e os headphones sem fio da série — como o WH-1000XM5 — estão entre os produtos mais buscados da marca.
Em maio de 2026 a companhia apresentou o 1000X THE COLLEXION, edição que marca os dez anos da linha e se tornou o fone mais caro já lançado pela Sony: US$ 649 nos Estados Unidos, disponível nas cores preta e platina. O modelo traz haste em aço inoxidável com acabamento feito peça a peça, conchas em couro vegano e faixa de cabeça em couro, driver dedicado com domo de compósito de carbono unidirecional e estreia da tecnologia DSEE Ultimate, que usa processamento de IA para reconstruir detalhes do áudio em tempo real. O cancelamento de ruído aproveita a tecnologia do WH-1000XM6, com 12 microfones e coprocessador V3 associado ao chip QN3. A autonomia declarada é de 24 horas com cancelamento ativo e 32 horas sem.
Sony Ericsson e os celulares
A Sony Ericsson Mobile Communications AB foi criada em 1º de outubro de 2001 como uma joint venture meio a meio entre a Sony e a sueca LM Ericsson, combinando a expertise da Ericsson em rádio e infraestrutura celular com a marca e o software multimídia da Sony. O auge veio entre 2003 e 2009, com os aparelhos das séries Walkman (linha W) e Cyber-shot (linha C). Em 2010 chegou o Xperia X10, primeiro aparelho Android da parceria.
Em outubro de 2011 a Sony anunciou a compra da fatia da Ericsson por € 1,05 bilhão. A transação foi concluída em fevereiro de 2012, a Sony Ericsson deixou de existir e as operações migraram para a Sony Mobile Communications, com sede em Tóquio. A marca de smartphones do grupo passou a ser a Xperia.
A Sony no Brasil
A Sony anunciou em setembro de 2020 o fechamento de sua fábrica na Zona Franca de Manaus e a interrupção da venda de eletrônicos de consumo no país. A produção foi encerrada no fim de março de 2021, com os 220 funcionários da planta desligados, e a venda de televisores, câmeras e equipamentos de áudio foi interrompida na metade daquele ano. A companhia operava no Brasil havia 48 anos. Entre os motivos citados estiveram a alta do dólar, que encareceu a fabricação local, e o contexto da pandemia de covid-19.
A saída não foi total. A Sony Brasil manteve o atendimento a clientes e outros negócios do grupo no país, como soluções profissionais, videogames, Sony Music e Sony Pictures. Os consoles PlayStation e acessórios já eram importados antes da decisão.
