O que é a Salesforce
A Salesforce é uma empresa norte-americana de software corporativo que vende CRM — gestão de relacionamento com o cliente — no modelo de nuvem. Em vez de instalar o programa nos servidores da própria empresa, o cliente acessa tudo pelo navegador e paga uma assinatura por usuário. Foi essa aposta, resumida no slogan de fundação "The End of Software", que ajudou a popularizar o software como serviço (SaaS) no mundo corporativo.
A empresa é hoje uma das maiores do setor de tecnologia. No ano fiscal de 2026 registrou receita de US$ 41,5 bilhões, lucro líquido de US$ 7,5 bilhões e 83.334 funcionários. Suas ações são negociadas na Bolsa de Nova York sob o código CRM, e a companhia integra tanto o índice S&P 500 quanto o Dow Jones. A sede fica na Salesforce Tower, em São Francisco, na Califórnia.
Como funciona e quais são os principais produtos
O produto central é o Sales Cloud, que organiza o funil de vendas: cadastro de clientes, oportunidades em aberto, histórico de contato e previsão de receita ficam num único banco de dados que toda a equipe enxerga. Em torno dele a Salesforce montou uma família de plataformas:
- Service Cloud — atendimento e suporte ao cliente, com filas de chamados e canais integrados.
- Marketing Cloud — automação de campanhas, e-mail e jornadas de relacionamento.
- Commerce Cloud — lojas e vitrines de comércio eletrônico.
- Tableau — visualização e análise de dados.
- MuleSoft — integração entre sistemas diferentes via APIs.
- Slack — comunicação corporativa, adquirida em 2021.
- Platform — camada de desenvolvimento para quem quer construir aplicações próprias sobre a base da Salesforce.
Tudo é vendido por licença: cada pessoa que entra na plataforma consome um assento, e o faturamento anual é a regra.
História
A Salesforce foi fundada em 8 de março de 1999 por Marc Benioff, Parker Harris, Dave Moellenhoff e Frank Dominguez, num apartamento em São Francisco. Benioff vinha da Oracle, onde passou 13 anos em vendas, marketing e produto — foi eleito "novato do ano" aos 23 e virou o vice-presidente mais jovem da companhia.
Desde a fundação a empresa adota o modelo filantrópico "1-1-1", pelo qual destina 1% do tempo dos funcionários em horas de voluntariado, 1% do produto e 1% da receita a causas sociais. Benioff segue como fundador, presidente do conselho e CEO. A companhia já teve dois arranjos de comando compartilhado: Keith Block foi co-CEO até fevereiro de 2020, e Bret Taylor assumiu o mesmo cargo em novembro de 2021, deixando-o em janeiro de 2023.
Em 2018, Benioff e a esposa, Lynne, compraram a revista Time por US$ 190 milhões — uma aquisição pessoal do casal, não da empresa.
As aquisições que moldaram a empresa
Boa parte do portfólio atual veio de compras, não de desenvolvimento interno:
| Empresa | Ano | Valor |
|---|---|---|
| Slack | 2021 | US$ 27,7 bilhões |
| Tableau | 2019 | US$ 15,7 bilhões |
| Informatica | 2025 | cerca de US$ 8 bilhões |
| MuleSoft | 2018 | US$ 6,5 bilhões |
| Demandware | 2016 | US$ 2,8 bilhões |
| ExactTarget | 2013 | US$ 2,5 bilhões |
A compra do Slack, a maior da história da companhia, foi a tentativa de transformar o CRM numa camada de trabalho cotidiano, e não apenas num sistema que o vendedor abre para registrar a visita.
Agentforce e a aposta em inteligência artificial
O Agentforce é a plataforma de agentes autônomos da Salesforce: em vez de sugerir um texto, o agente executa tarefas dentro do CRM — atualiza o pipeline, responde a um chamado, dispara uma ação — respeitando as permissões configuradas pela empresa.
É a linha de produto que mais cresce. No segundo trimestre do ano fiscal de 2027, a receita anual recorrente combinada de Agentforce e Data 360 chegou a cerca de US$ 3,9 bilhões, alta de 210% em um ano. Só o Agentforce passou de US$ 1,5 bilhão, avanço de 240%.
Claudeforce: a parceria com a Anthropic
Em 26 de agosto de 2026, Salesforce e Anthropic anunciaram o Claudeforce, uma expansão da parceria entre as duas empresas com dois sentidos de integração.
De um lado, a Salesforce entra dentro do Claude: o plugin "Salesforce in Claude" estreia com 37 habilidades pré-construídas de vendas — preparação de reunião, revisão da saúde de um negócio, análise de pipeline — que permitem ao vendedor consultar dados de receita ao vivo e executar ações dentro da própria interface do Claude. O plugin está disponível para clientes-piloto selecionados e a Salesforce espera abrir o beta em setembro de 2026, com novas habilidades a partir do fim do ano.
Do outro, o Claude entra dentro da Salesforce: é o modelo de raciocínio do Atlas Reasoning Engine, roda por padrão no Agentforce Vibes e no Agentforce Coworker, está disponível no Agent Builder e é o modelo padrão do Slack, incluindo o Slackbot.
"Estamos unindo a IA nº 1 e o CRM nº 1 do mundo — o melhor dos dois mundos", disse Marc Benioff, presidente do conselho e CEO da Salesforce, no anúncio. Dario Amodei, CEO e cofundador da Anthropic, afirmou que o "Salesforce in Claude leva inteligência de fronteira para sistemas onde acontece boa parte da atividade comercial do mundo".
Resultados financeiros e a ação CRM
No segundo trimestre do ano fiscal de 2027, encerrado em 31 de julho de 2026 e divulgado em 26 de agosto, a Salesforce teve receita de US$ 11,3 bilhões, alta de 11% em um ano. Assinaturas e suporte responderam por US$ 10,8 bilhões, com avanço de 12%.
O lucro foi o número que chamou atenção: US$ 4,844 bilhões, alta de 73%, com lucro por ação diluído de US$ 4,29 no critério contábil (mais 119%) e de US$ 5,90 no ajustado (mais 103%). Boa parte desse salto não veio da operação, e sim de um ganho de US$ 2,6 bilhões com investimentos estratégicos, puxado pela participação da Salesforce na própria Anthropic, segundo a CNBC. A margem operacional ficou em 20,5% no critério contábil e 34,1% no ajustado.
Os compromissos de receita ainda não reconhecidos — indicador que o mercado usa para prever faturamento futuro — somaram US$ 33,5 bilhões na parcela de curto prazo, alta de 14%, e US$ 66,3 bilhões no total. A empresa elevou a projeção para o ano fiscal completo, agora entre US$ 46,1 bilhões e US$ 46,4 bilhões de receita, com lucro por ação ajustado de US$ 16,67 a US$ 16,71. As ações dispararam no pregão estendido após o balanço.
Quanto custa o Salesforce
A cobrança é por usuário, por mês, com contrato anual. Em levantamento de 21 de agosto de 2026, as edições do Sales Cloud custavam:
| Edição | Preço por usuário/mês |
|---|---|
| Starter | US$ 25 |
| Pro Suite | US$ 100 |
| Enterprise | US$ 165 |
| Unlimited | US$ 330 |
| Agentforce 1 | US$ 550 |
Os valores são publicados em dólar, inclusive nas páginas brasileiras do site. Cotação em reais depende de negociação com a Salesforce ou com um parceiro oficial, e o custo real de um projeto costuma incluir implantação e customização além das licenças.
Salesforce no Brasil
A Salesforce abriu seu primeiro escritório brasileiro em São Paulo em 2013 e opera em mais de 23 países. A sede brasileira, na zona sul da capital paulista, comporta cerca de 300 pessoas.
Em 2022 a companhia fez sua primeira aquisição no país: a Atonit, empresa brasileira de marketplace com menos de dois anos de existência na época da compra.
Trailhead, certificações e carreira
O Trailhead é a plataforma oficial de capacitação da Salesforce e é gratuita nos módulos e trilhas de aprendizado. O formato é gamificado: cada módulo concluído rende pontos e uma badge, e o acúmulo faz o usuário subir por 12 níveis de Trailblazer Rank, de Scout a All Star Ranger. As trilhas são organizadas por carreira — administrador, desenvolvedor, consultor, arquiteto, marketing, design.
Os superbadges são o degrau seguinte: em vez de responder perguntas, o candidato resolve um problema de negócio hipotético dentro de um ambiente de testes real da plataforma.
As certificações, porém, não são gratuitas. Os exames são cobrados em dólar e pesam mais no mercado de trabalho do que as badges, porque atestam conhecimento avaliado formalmente. É esse conjunto — plataforma gratuita de estudo, certificação paga — que sustenta o ecossistema de profissionais e parceiros em torno do produto.
