Visão geral
A Revolta das Baratas foi uma série de protestos liderados por jovens na Índia, iniciados em maio de 2026, contra irregularidades em exames universitários, o desemprego juvenil e o que os manifestantes consideram o estilo autoritário do governo do primeiro-ministro Narendra Modi. O movimento, de caráter satírico e originado nas redes sociais, forçou a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, representando um dos maiores desafios políticos enfrentados por Modi desde sua reeleição em 2024.
Antecedentes
A insatisfação teve início após o vazamento de questões do Exame Nacional de Elegibilidade e Ingresso (NEET), prova de admissão para faculdades de medicina realizada em maio de 2026 e que afetou mais de dois milhões de candidatos. O cancelamento da prova gerou indignação, com relatos de cerca de 20 suicídios entre estudantes. A crise se agravou quando o presidente da Suprema Corte da Índia, Surya Kant, comparou jovens desempregados a "parasitas" e "baratas" durante uma audiência.
Como o movimento começou
Em resposta à declaração do magistrado, o estrategista político Abhijeet Dipke, de 30 anos, lançou nas redes sociais a provocação "E se todas as baratas se unissem?". A mensagem viralizou e deu origem ao Partido Popular das Baratas (Cockroach Janta Party, CJP), um grupo satírico que se autodenomina "o partido das pessoas que o sistema esqueceu de contar". A página oficial do CJP no Instagram alcançou rapidamente mais de 22 milhões de seguidores, superando o partido governista Bharatiya Janata Party (BJP).
Linha do tempo
- Maio de 2026: Vazamento e anulação do exame NEET; início da indignação estudantil.
- Meados de maio de 2026: Declaração do presidente da Suprema Corte comparando desempregados a baratas; criação do CJP por Abhijeet Dipke.
- Junho de 2026: Expansão do movimento para incluir demandas por emprego e críticas ao governo Modi; início de protestos presenciais.
- 28 de junho de 2026: Ativista Sonam Wangchuk se junta ao CJP e inicia greve de fome.
- Julho de 2026: Manifestações em Nova Délhi e outras cidades; confrontos com a polícia; Modi grava vídeo com concessões.
- 25 de julho de 2026: Renúncia do ministro Dharmendra Pradhan.
Principais atores
- Abhijeet Dipke: Fundador do CJP.
- Narendra Modi: Primeiro-ministro da Índia, alvo das críticas.
- Dharmendra Pradhan: Ministro da Educação que renunciou ao cargo.
- Sonam Wangchuk: Ativista que realizou greve de fome.
- Ashutosh Ranka e Saurav Das: Porta-vozes do CJP.
Impactos e desdobramentos
O movimento expandiu suas pautas para além dos vazamentos de provas, incluindo o desemprego juvenil (que atinge cerca de 40% dos graduados com menos de 25 anos), o alto custo de vida e a falta de oportunidades. A pressão das ruas levou à renúncia de Pradhan, considerada a maior vitória do CJP até o momento. O governo tentou bloquear contas do movimento nas redes sociais e recorreu a medidas como gás lacrimogêneo durante as manifestações, mas os protestos continuaram em locais como Jantar Mantar, em Nova Délhi.
