As relações Brasil-Índia são marcadas por crescente cooperação em economia, tecnologia, defesa e política internacional, com ambos os países sendo membros dos BRICS e defendendo pautas globais como o multilateralismo. Em 2025, a Índia foi o quinto maior parceiro comercial do Brasil, e há metas ambiciosas para expandir o intercâmbio comercial. Uma visita presidencial em 2026 aprofundou parcerias em minerais críticos, IA, e resultou em acordos como a linha de montagem da Embraer na Índia e parcerias digitais e de saúde, visando fortalecer laços estratégicos e econômicos.
As relações entre Brasil e Índia são caracterizadas por uma crescente cooperação bilateral em diversas áreas, incluindo economia, tecnologia, defesa e política internacional. Ambos os países são membros de importantes fóruns multilaterais, como os BRICS, e compartilham posições coincidentes em pautas globais, como o multilateralismo e a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A colaboração abrange desde o comércio de minerais críticos e terras raras até a segurança no uso da inteligência artificial e a expansão de acordos comerciais. Em 2025, a Índia foi o quinto maior parceiro comercial do Brasil, com uma corrente de comércio que atingiu US$ 15,2 bilhões. Os líderes de ambos os países estabeleceram a meta de expandir o intercâmbio comercial para US$ 20 bilhões em poucos anos, com a ambição de alcançar US$ 30 bilhões até 2030.
As relações diplomáticas entre Brasil e Índia têm se aprofundado ao longo dos anos, com um foco crescente em parcerias estratégicas. Em fevereiro de 2026, uma visita oficial do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva à Índia marcou um ponto significativo nesse desenvolvimento. Durante a visita, foram abordados temas como minerais críticos e terras raras, essenciais para a transição energética, e a segurança no uso da inteligência artificial (IA). Lula participou de um evento global de alto nível sobre IA em Nova Délhi, que deu sequência ao chamado 'processo de Bletchley', onde se discutiu a democratização da tecnologia e seu uso para empoderamento social e desenvolvimento. A visita também incluiu a assinatura de parcerias e memorandos de entendimento, além de discussões para avançar no acordo de comércio preferencial entre o Mercosul e a Índia. Houve também a inauguração do escritório da ApexBrasil na Índia e a realização de um fórum empresarial com a participação de mais de 300 empresas brasileiras. As discussões entre os líderes abrangeram ainda a cooperação em áreas como comércio, investimentos, defesa, aviação, tecnologias digitais, economia e finanças, transição energética, saúde, acesso a medicamentos e indústria farmacêutica, e cooperação espacial.
Um exemplo concreto do aprofundamento das relações comerciais e de defesa é o acordo firmado em 21 de fevereiro de 2026, entre a Embraer e as indianas Adani Defense & Aerospace e Mahindra. Este memorando de entendimento prevê o estabelecimento de uma linha de montagem final para o jato regional E175 na Índia, no âmbito do programa indiano de Aeronaves de Transporte Regional (RTA), além da produção de aeronaves comerciais e de defesa. A parceria comercial, assinada na presença do presidente Lula e do ministro do Comércio e Indústria da Índia, Piyush Goyal, reforça as relações estratégicas entre os dois países e visa atender à crescente demanda do mercado de aviação indiano, que estima a necessidade de cerca de 500 aeronaves na faixa de 80 a 146 assentos nos próximos 20 anos. O modelo E175 é considerado uma solução viável para conectar cidades de pequeno e médio porte na Índia, acelerando a expansão da aviação regional. Este Memorando de Entendimento (MoU) ampliado é um avanço de um memorando inicial assinado em janeiro de 2026 e faz parte de um plano mais abrangente para desenvolver o programa de Aeronaves de Transporte Regional (RTA) na Índia, incluindo oportunidades na fabricação de aeronaves, cadeia de suprimentos, serviços pós-venda, treinamento de pilotos e obtenção de encomendas.
Durante o Fórum Empresarial Brasil-Índia em 21 de fevereiro de 2026, foi formalizada a Parceria Digital com a Índia, a primeira dessa natureza assinada pelo Brasil. Esta parceria visa reunir a cooperação em inteligência artificial, computação de alto desempenho e startups de base tecnológica, promovendo a transferência de tecnologia e a formação de pessoal. As oportunidades se estendem a setores de ponta como tecnologia da informação, biotecnologia e exploração espacial.
No mesmo Fórum Empresarial, o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, assinou três Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) estratégicas para a produção nacional de medicamentos oncológicos no Sistema Único de Saúde (SUS). Os acordos representam um investimento estimado de até R$ 722 milhões no primeiro ano, podendo chegar a R$ 10 bilhões em 10 anos, utilizando o poder de compra do Estado para ofertar aos pacientes do SUS os medicamentos pertuzumabe, dasatinibe e nivolumabe. Esta iniciativa visa fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde, garantindo o abastecimento de fármacos, promovendo a transferência de tecnologia e ampliando a autonomia produtiva nacional.
Um Acordo de Cooperação em Micro, Pequenas e Médias Empresas foi assinado em 21 de fevereiro de 2026, com o objetivo de apoiar a troca de experiências em um setor vital para a geração de empregos em ambos os países.
12 de fev, 2026