O que é o Prometheus
Prometheus é o primeiro supercluster de escala gigawatt da Meta, montado no campus de data centers da empresa em New Albany, Ohio, nos Estados Unidos. Anunciado por Mark Zuckerberg em julho de 2025 ao lado do Hyperion, na Louisiana, o projeto foi construído às pressas — inclusive com tendas industriais — para colocar a Meta na frente da corrida por capacidade de treinamento de inteligência artificial. A previsão é que entre em operação em 2026, consumindo pelo menos 1 gigawatt.
Não confundir com o Project Prometheus, a startup de inteligência artificial de Jeff Bezos, que não tem relação com a Meta.
O Prometheus não é um prédio, e sim um cluster de computação distribuído por várias edificações do campus da Meta em New Albany, dedicado ao treinamento de modelos de IA. O nome vem do titã da mitologia grega que roubou o fogo dos deuses — a mesma convenção de nomes que batizou o Hyperion, na Louisiana.
Zuckerberg tornou o projeto público em 14 de julho de 2025, ao anunciar que a Meta construiria vários "superclusters" multigigawatt e criaria a divisão Meta Superintelligence Labs. Na ocasião, ele citou a empresa de pesquisa SemiAnalysis para afirmar que a Meta estava a caminho de ser o primeiro laboratório a colocar um supercluster acima de 1 GW em operação.
Onde fica o Prometheus
O cluster fica no campus de data centers da Meta em New Albany, um subúrbio distante de Columbus, capital de Ohio, com endereço registrado na 1500 Beech Road. A operação se espalha pelos condados de Franklin e Licking.
O campus não é novo: a Meta abriu obra ali em 2017 e já investiu mais de US$ 1,5 bilhão no local, que sustenta mais de 300 empregos operacionais e chegou a mobilizar 1.200 trabalhadores especializados em picos de construção. O Prometheus é a camada de computação para IA acrescentada a essa base existente — uma distinção que boa parte da cobertura mistura, atribuindo ao supercluster os números do campus inteiro.
Por que a Meta construiu o Prometheus com tendas
Para não esperar o prazo de uma obra convencional, a Meta ergueu no campus seis estruturas temporárias à prova de intempéries — internamente chamadas de "rapid deployment structures" — cada uma com cerca de 125 mil pés quadrados (aproximadamente 11,6 mil m²). São, na prática, tendas industriais recheadas de servidores e aceleradores de IA.
A escolha rendeu tanto elogios quanto deboche no setor. De um lado, é uma resposta direta ao gargalo do momento: chips disponíveis mais rápido do que o concreto consegue acompanhar. De outro, estruturas provisórias impõem limites de densidade térmica e de refrigeração que um data center projetado do zero não tem. A Meta adotou o modelo como medida de velocidade, em paralelo à construção permanente.
Capacidade: o que significa 1 gigawatt
O Prometheus foi dimensionado para puxar mais de 1 gigawatt — 1.000 megawatts — de potência elétrica, o suficiente para abastecer cerca de 876 mil residências americanas ao longo de um ano. Se cumprir o cronograma, será o primeiro data center de capacidade gigawatt do mundo dedicado a treinamento de IA.
É menos do que os 5 GW planejados para o Hyperion, mas o Prometheus chega antes: enquanto a Louisiana só deve alcançar 2 GW por volta de 2030, Ohio é o ativo que coloca capacidade de treinamento na mão da Meta ainda em 2026.
Como o Prometheus é alimentado
A solução energética adotada em Ohio é diferente da da Louisiana. Em vez de encomendar usinas à concessionária local, a Meta optou por geração própria "atrás do medidor" (behind-the-meter): usinas a gás dedicadas exclusivamente ao campus, sem conexão física com a rede elétrica pública, operando em modo ilhado.
O projeto Socrates, aprovado pelo Ohio Power Siting Board em junho de 2025, é a maior instalação desse tipo já anunciada para um único cliente de data center: duas unidades de 200 MW em terrenos separados de 20 acres dentro do New Albany Business Park, somando 400 MW, com entrada em operação prevista para o fim de 2026. Quem desenvolve e opera é a Will-Power OH, subsidiária da Williams Companies; quem consome a energia é a Sidecat LLC, afiliada da Meta.
O parque de geração é heterogêneo — três turbinas Solar Turbines Titan 250, nove PGM 130, três Siemens SGT400 e quinze motores alternativos Caterpillar 3520 —, abastecido por dois gasodutos dedicados de 24 polegadas. Os reguladores de Ohio aprovaram ainda uma terceira unidade, de 250 MW, no condado de Licking, também em regime behind-the-meter.
Os acordos nucleares
Em 9 de janeiro de 2026, a Meta anunciou três contratos de energia nuclear que somam até 6,6 GW até 2035 — mais do que a demanda elétrica total do estado americano de New Hampshire — apresentados como lastro de longo prazo para o Prometheus e para os data centers da região:
- Vistra — acordos de 20 anos para comprar mais de 2,1 GW da usina de Beaver Valley, na Pensilvânia, e das usinas Perry e Davis-Besse, em Ohio, incluindo aumentos de potência nas plantas ohioanas.
- Oklo — sustentação do desenvolvimento de um complexo Aurora de 1,2 GW no condado de Pike, em Ohio. A caracterização do sítio e a pré-construção começam em 2026, com a primeira fase prevista para 2030, na melhor das hipóteses.
- TerraPower — financiamento de até oito reatores rápidos a sódio Natrium: duas unidades novas capazes de gerar até 690 MW firmes, com entrega a partir de 2032, mais o direito à energia de outras seis unidades, somando 2,1 GW, previstas para 2035.
Nenhum desses megawatts existe hoje. O nuclear é o horizonte de 2030 em diante; o que liga o Prometheus em 2026 é gás.
Quanto custa e como é financiado
A Meta não divulgou um valor fechado para o Prometheus. O número público que circula é o do financiamento: cerca de US$ 3 bilhões em empréstimos de construção para o campus de Ohio, operação apelidada internamente de "Project Walleye".
A estrutura chamou atenção do mercado por ser inédita. Em vez de separar o financiamento do data center do financiamento da usina — o padrão do setor —, o arranjo permite que os credores financiem os dois ativos em um único contrato, a SOFR mais 2,5%. É a mesma lógica de tratar computação e energia como um só ativo que aparece no modelo ilhado da operação. Em paralelo, a Meta levantou US$ 29 bilhões com as gestoras PIMCO e Blue Owl para o financiamento mais amplo de sua infraestrutura de data centers.
Cronograma e status
A obra do Socrates começou em junho de 2025, com operação prevista para o fim de 2026. As tendas de implantação rápida foram erguidas ao longo de 2025 e 2026, e o cluster está em construção, com a previsão da Meta de entrar em operação ainda em 2026 — prazo que a empresa reafirmou ao longo do ano.
Críticas e o rito acelerado de Ohio
O projeto virou peça central do debate sobre o custo escondido da infraestrutura de IA em Ohio. Em 2025, o estado criou uma via expressa de aprovação para determinadas usinas, que permite autorizar projetos em até 45 dias e sem audiência pública. Na prática, moradores costumam descobrir a decisão de instalação depois de tomada.
As objeções se concentram em três pontos: a emissão de usinas a gás construídas às pressas perto de áreas residenciais e parques; o ruído das obras e da operação; e a pressão sobre as tarifas de energia da região, num estado que se tornou um dos maiores polos de data centers dos Estados Unidos. Meta e Microsoft anunciaram medidas para compensar parte da alta de tarifas para consumidores de Ohio, o que críticos consideram insuficiente diante da escala da demanda adicionada.
Prometheus e Hyperion: os dois superclusters da Meta
Prometheus e Hyperion foram apresentados juntos, em julho de 2025, como a base física da aposta da Meta em superinteligência. Cumprem papéis diferentes.
O Prometheus é o projeto de velocidade: 1 GW, em um campus que já existia, com tendas e geração própria a gás, para entregar capacidade de treinamento em 2026. O Hyperion é o projeto de escala: 5 GW em terreno virgem na Louisiana, mais de US$ 50 bilhões anunciados em infraestrutura, dez usinas encomendadas à concessionária local e horizonte de conclusão em 2032.
Nos dois casos o padrão é o mesmo — a Meta assume o custo integral da energia, contrata geração dedicada e transfere parte do risco financeiro para fora do próprio balanço.
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