O que é o Magazine Luiza (Magalu)
O Magazine Luiza é uma das maiores varejistas do Brasil, com operação simultânea em lojas físicas, e-commerce próprio e marketplace. A empresa se apresenta a investidores como um ecossistema digital de compra e venda, e não apenas como uma rede de lojas: além do varejo de eletrodomésticos, móveis, eletrônicos e informática, o grupo reúne logística, serviços financeiros, publicidade digital, nuvem e delivery.
"Magalu" é a marca comercial e o nome do aplicativo; "Magazine Luiza S.A." é a razão social e o nome da companhia listada na B3, sob o código MGLU3. As duas formas se referem à mesma empresa.
No segundo trimestre de 2026, o grupo somou R$ 14,5 bilhões em vendas totais e R$ 8,9 bilhões de receita líquida.
História: de Franca ao varejo nacional
A empresa nasceu em 16 de setembro de 1957, em Franca (SP), quando Luiza Trajano Donato e Pelegrino José Donato compraram uma pequena loja de presentes chamada A Cristaleira. O nome atual veio de um concurso promovido em uma rádio da cidade.
Marcos da expansão:
- 1974 — abertura da primeira loja de departamentos, com mais de 5.000 m².
- 1977 — a rede chega a 30 lojas, vinte anos após a fundação.
- 1992 — a empresa lança o conceito de "loja virtual", com terminais eletrônicos em pontos físicos, anos antes da internet comercial no Brasil.
- 2008 — entrada na capital paulista, com 44 lojas abertas simultaneamente.
- 2010–2011 — expansão para o Nordeste com a compra das Lojas Maia (cerca de 150 lojas) e do Baú da Felicidade (121 lojas).
- Maio de 2011 — abertura de capital na B3, com as ações negociadas sob o código MGLU3.
- 2019 em diante — série de aquisições digitais que transforma a companhia em ecossistema.
Lojas físicas e presença
O Magalu encerrou o segundo trimestre de 2026 com 1.246 lojas, sendo 1.016 convencionais e 230 virtuais. As lojas não funcionam apenas como ponto de venda: integradas à malha logística, atuam como mini-hubs de estoque e entrega, ao lado de 21 centros de distribuição e 175 unidades de cross-docking.
Essa integração explica o comportamento recente do negócio. No 2T26, as vendas em lojas físicas cresceram 10,3% enquanto o e-commerce recuou 11,9% — a companhia atribuiu a queda digital à disciplina comercial e ao foco em rentabilidade, num trimestre pressionado pelo repasse da alta global no custo de memória.
E-commerce, marketplace e o aplicativo
O aplicativo do Magalu concentra o estoque próprio da varejista (1P) e a oferta de vendedores parceiros (3P), além de serviços financeiros e, desde 2026, delivery. É a peça central da estratégia de superapp: em vez de vender apenas produtos de linha branca e eletrônicos, o app passa a disputar frequência de uso com aplicativos de entrega e de pagamento.
Magalu Log e a logística
A Magalog é o braço logístico do grupo e presta serviço tanto às marcas próprias quanto a vendedores do marketplace. É ela que responde pelas entregas dos produtos do Magalu vendidos em plataformas de terceiros, incluindo o acordo firmado com o Mercado Livre em 2026.
Cartão Magalu, MagaluPay e Luizacred
O cartão de crédito da marca é emitido pela Luizacred, joint venture entre a Magazine Luiza e o Itaú Unibanco. Em fevereiro de 2013, a varejista transferiu a gestão da operação de cartões ao Itaú, mantendo o direito a 50% dos resultados do negócio. A conta digital MagaluPay complementa a frente financeira dentro do aplicativo.
Marcas do grupo e aquisições
O grupo cresceu por compras sucessivas, concentradas a partir de 2019:
- Netshoes (2019) — e-commerce esportivo, adquirido por US$ 114,9 milhões, que trouxe também Zattini e Shoestock.
- Época Cosméticos — beleza e perfumaria.
- Estante Virtual e Hub Prepaid (2020).
- aiqfome (2020) — delivery de comida com forte presença em cidades do interior.
- KaBuM! (2021) — maior e-commerce de games e informática do país, comprado por cerca de R$ 1 bilhão.
- Jovem Nerd (2021) e Canaltech — conteúdo e audiência.
- Magalu Cloud — infraestrutura de nuvem lançada pela própria companhia.
Magalu Delivery: a entrada na entrega de comida
Em 2 de setembro de 2026, o grupo lançou o Magalu Delivery, serviço de entrega de refeições, itens de supermercado, farmácia e conveniência dentro do próprio aplicativo do Magalu, com promessa de entrega em até 60 minutos. A operação roda sobre a tecnologia do aiqfome, comprado pelo grupo em 2020, e estreou em mais de 400 cidades de Minas Gerais, Paraná e São Paulo.
O alcance pode ser maior: o aiqfome montou uma coalizão com oito aplicativos regionais — Plus Delivery, Quero Delivery, Uai Rango, pede.ai, Aiboo, Qfome, Pedidos10 e Amo Ofertas —, arranjo que pode levar o serviço a 1.170 cidades. "O Magalu Delivery é o resultado da sinergia e do aprendizado operacional dentro do nosso ecossistema", afirmou Igor Remigio, CEO do aiqfome.
O movimento coloca o Magalu em concorrência direta com iFood e Rappi, apostando na malha de cidades médias onde o aiqfome já opera.
Acordo com o Mercado Livre
No mesmo 2 de setembro de 2026, o Magalu passou a vender no marketplace do Mercado Livre: cerca de 27 mil itens do estoque próprio das marcas Magazine Luiza, KaBuM! e Época Cosméticos, em categorias como móveis, linha branca, TVs, computadores, celulares e cosméticos. A entrega fica com a Magalog.
Para o CEO Frederico Trajano, "há um espaço muito grande de cooperação e coopetição" entre as duas empresas, e cerca de três quartos dos clientes que comprarem produtos do Magalu na plataforma do concorrente serão novos para a rede. Do outro lado, Fernando Yunes, vice-presidente do Mercado Livre para a América Latina, resumiu o interesse: "eles trazem sortimento, condições de preço e logística que nós não temos em algumas categorias".
O mercado reagiu forte: MGLU3 subiu 16,88% no dia do anúncio, fechando a R$ 5,40. A XP avaliou o acordo como favorável ao Magalu, com efeito nas vendas 1P a partir do quarto trimestre de 2026, mas classificou a parceria como "mais estratégica do que transformadora" para o Mercado Livre, já que o volume representa menos de 15% do GMV brasileiro da plataforma.
Ações (MGLU3) e resultados recentes
A Magazine Luiza abriu capital em maio de 2011 e negocia na B3 sob o código MGLU3. A ação foi um dos maiores casos de valorização da bolsa brasileira na segunda metade da década de 2010 e, depois, um dos maiores casos de desvalorização, à medida que juros altos e concorrência asiática pressionaram o e-commerce.
Números do segundo trimestre de 2026, divulgados em 6 de agosto de 2026:
| Indicador | 2T26 | Variação anual |
|---|---|---|
| Vendas totais | R$ 14,5 bi | -5,1% |
| Receita líquida | R$ 8,9 bi | -2,6% |
| Ebitda ajustado | R$ 708,8 mi | -2,5% |
| Margem Ebitda | 8,0% | — |
| Resultado líquido ajustado | -R$ 50,4 mi | reverteu lucro de R$ 1,8 mi |
A companhia encerrou o trimestre com R$ 5,8 bilhões em caixa total e geração de caixa operacional de R$ 259 milhões.
Quem comanda a empresa
Luiza Helena Trajano é presidente do conselho de administração, posição que assumiu em 2009 após comandar a operação por décadas. Sobrinha dos fundadores, é uma das empresárias mais conhecidas do país.
Frederico Trajano, filho de Luiza Helena, é o presidente-executivo desde janeiro de 2016 e conduziu a chamada "digitalização" da varejista — a transição de rede de lojas para plataforma, com marketplace, logística própria e serviços financeiros.
