Quem é Hertz Dias
Hertz Dias é professor da rede pública do Maranhão, rapper e dirigente do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Em 24 de fevereiro de 2026, o partido o lançou como pré-candidato à Presidência da República nas eleições daquele ano, apresentando-o simultaneamente como oposição ao governo federal e à extrema direita. É a segunda vez que ele integra uma chapa presidencial do PSTU: em 2018, foi candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Vera Lúcia.
O nome completo registrado na Justiça Eleitoral é Hertz da Conceição Dias. Ele é natural de São José de Ribamar, na Região Metropolitana de São Luís, e leciona História nas redes pública municipal e estadual do Maranhão.
Fora da sala de aula, atua no movimento negro e na cena do rap maranhense. Integra o grupo Gíria Vermelha e é um dos fundadores do movimento Hip Hop Quilombo Urbano, criado em 1989 em São Luís — segundo o g1, uma das organizações de hip hop mais antigas do Brasil. Segundo o Correio Braziliense, a iniciativa combina cultura hip hop com o combate ao racismo e a luta por moradia.
Propostas e posições políticas
O programa que o PSTU divulgou ao apresentar a pré-candidatura, no manifesto "Por uma alternativa para romper as engrenagens do sistema capitalista", reúne as bandeiras que Dias defende publicamente:
- fim da escala 6x1 sem redução de salários e direitos;
- aumento geral dos salários, tendo como referência o salário mínimo calculado pelo Dieese;
- isenção de Imposto de Renda para assalariados;
- revogação das reformas Trabalhista e da Previdência;
- direitos trabalhistas e proteção social para trabalhadores de aplicativos;
- desmilitarização da Polícia Militar, com criação de uma força de segurança única e civil;
- descriminalização das drogas, apresentada pelo partido como estratégia para atingir o financiamento de milícias e facções;
- oposição à exploração de petróleo na Margem Equatorial e à privatização de hidrovias na Amazônia;
- titulação de terras indígenas e quilombolas e reforma agrária;
- combate ao machismo, ao racismo, à LGBTfobia, ao capacitismo e à xenofobia.
Em reportagem publicada em 2 de maio de 2026, a Gazeta do Povo descreveu propostas de alcance mais amplo defendidas na pré-campanha: estatização completa do sistema financeiro, tomada das fortunas dos bilionários brasileiros, suspensão do pagamento da dívida pública, expropriação de terras sem indenização e uma economia planificada sob controle do Estado. Segundo o mesmo veículo, ele defende substituir o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal por conselhos populares, e sustenta que empresas estrangeiras que deixem o país devem abandonar maquinário e estrutura física como reparação histórica.
Pré-candidatura à Presidência em 2026
O anúncio foi feito em 24 de fevereiro de 2026. No comunicado, o PSTU posicionou Dias contra o governo federal e contra a extrema direita, e defendeu a construção de um governo "sem capitalistas", formado pela classe trabalhadora e por povos originários. O partido afirmou ser preciso "romper com o imperialismo e as engrenagens do sistema".
A linha de ataque ao governo Lula é parte central do discurso. Em abril de 2026, Dias afirmou que o presidente se deslocou para a direita no espectro político e apresentou a própria candidatura como alternativa para a classe trabalhadora, argumentando que as opções disponíveis ao eleitorado eram limitadas.
Em 8 de maio de 2026, o PSTU promoveu um ato no auditório do curso de História da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), no Centro Histórico de São Luís, para lançar a pré-candidatura de Dias à Presidência ao lado da de Saulo Arcangeli ao governo do Maranhão.
Pré-candidatura não é candidatura registrada. A oficialização depende de convenção partidária e do registro na Justiça Eleitoral, etapa prevista para ocorrer entre julho e agosto de 2026. Em consulta ao sistema DivulgaCandContas do Tribunal Superior Eleitoral em 31 de julho de 2026, não havia registro de candidatura à Presidência em nome dele para aquele pleito.
Trajetória eleitoral
Dias já disputou três eleições pelo PSTU, sem ser eleito em nenhuma delas.
Em 2018, foi candidato a vice-presidente da República na chapa de Vera Lúcia, sob o número 16. O registro consta como deferido no DivulgaCandContas do TSE, com resultado "não eleito".
Em 2020, concorreu à prefeitura de São Luís.
Em 2022, foi candidato ao governo do Maranhão, também com o número 16 e registro deferido. Obteve 5.191 votos, 0,15% do total; o pleito foi vencido por Carlos Brandão (PSB), com 1.769.187 votos (51,29%).
