Visão geral
A Guerra Civil Iemenita, iniciada em 2014, é um conflito complexo que envolve múltiplas facções disputando o controle do Iêmen. De um lado, estão os houthis (também conhecidos como Ansar Allah) e forças leais ao ex-presidente Ali Abdullah Saleh, que tomaram a capital Sana'a em 2014. Do outro, encontram-se as forças leais ao governo internacionalmente reconhecido do presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, apoiadas por uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita. O conflito é frequentemente descrito como uma guerra por procuração entre a Arábia Saudita e o Irã, embora ambos os lados neguem envolvimento direto. A guerra tem causado uma grave crise humanitária, com milhões de pessoas necessitando de assistência e enfrentando fome e doenças.
Contexto histórico e desenvolvimento
A rebelião houthi no Iêmen tem raízes em uma insurgência iniciada em 2004 no norte do país, liderada pelo clérigo Hussein Badreddin al-Houthi, que se opunha ao governo iemenita. Os houthis, um grupo xiita zaidita, alegavam defender sua comunidade contra discriminação e agressão governamental. Após anos de combates intermitentes, em setembro de 2014, os houthis assumiram o controle da capital Sana'a, destituindo o governo do presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi. Em março de 2015, uma ofensiva houthi avançou sobre Taiz, Mocha e Lahij, chegando aos arredores de Áden, onde Hadi havia estabelecido uma capital provisória. Hadi fugiu do país, e uma coalizão liderada pela Arábia Saudita lançou operações militares, incluindo ataques aéreos, para restaurar o governo de Hadi. Os Estados Unidos forneceram inteligência e apoio logístico à campanha saudita. O conflito tem sido marcado por massacres, excessos e violações de direitos humanos, com a intervenção saudita sendo amplamente condenada pela devastação e perdas de vidas civis.
Linha do tempo
- Junho de 2004: Início da rebelião houthi no norte do Iêmen.
- Setembro de 2014: Houthis tomam a capital Sana'a e destituem o governo.
- 19 de março de 2015: Confrontos entre forças leais a Hadi e houthis no Aeroporto Internacional de Áden.
- 20 de março de 2015: Atentados a mesquitas em Sana'a; Hadi declara Áden capital provisória.
- 22 de março de 2015: Forças houthis invadem Taiz, a terceira maior cidade do Iêmen.
- 25 de março de 2015: Hadi foge do país; coalizão liderada pela Arábia Saudita inicia intervenção militar com ataques aéreos.
Principais atores
- Governo do Iêmen (internacionalmente reconhecido): Liderado pelo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi (e posteriormente pelo Conselho de Liderança Presidencial), com sede em Áden.
- Movimento Houthi (Ansar Allah): Grupo xiita zaidita que controla Sana'a e grande parte do norte do Iêmen, liderado por Abdul-Malik al-Houthi.
- Forças leais a Ali Abdullah Saleh: Ex-presidente do Iêmen que se aliou aos houthis após sua destituição (posteriormente morto em 2017).
- Coalizão liderada pela Arábia Saudita: Inclui Emirados Árabes Unidos, Egito, Marrocos, Jordânia, Kuwait, Bahrein e Catar, com apoio logístico e de inteligência dos Estados Unidos.
- Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA): Grupo terrorista que aproveitou o caos para expandir seu território e influência.
- Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL): Também realizou ataques no Iêmen.
- Irã: Acusado por Arábia Saudita e EUA de apoiar os houthis, o que o Irã nega.
Termos importantes
- Houthis (Ansar Allah): Grupo político-militar xiita zaidita do Iêmen, que se tornou um dos principais beligerantes na guerra civil.
- Zaidismo: Ramo do islamismo xiita predominante no norte do Iêmen, ao qual os houthis pertencem.
- Coalizão Saudita: Aliança militar de países árabes, liderada pela Arábia Saudita, que intervém no Iêmen em apoio ao governo de Hadi.
- Crise Humanitária: Situação de extrema necessidade de ajuda humanitária devido ao conflito, resultando em fome, doenças e deslocamento em massa da população iemenita.
- Guerra por Procuração: Conflito em que potências maiores apoiam facções opostas em um terceiro país, sem se envolverem diretamente em combate.
