Economista da Apollo alerta para risco de corrida bancária via IA
Agentes de IA podem migrar depósitos bancários para contas de alto rendimento, ameaçando a liquidez e a lucratividade das instituições financeiras.
Pontos principais
- Torsten Slok, economista-chefe da Apollo, aponta que agentes de IA podem automatizar a transferência de saldos de contas correntes para fintechs.
- Contas correntes tradicionais oferecem rendimento médio de 0,1%, enquanto opções em fintechs variam entre 3,3% e 5,0% ao ano.
- A saída em massa de depósitos baratos pode comprometer a capacidade dos bancos de financiar empréstimos e gerar lucros.
- O setor bancário enfrenta pressão adicional com a alta das taxas de juros e a queda recente de ETFs do setor, como o KBWB.
- Estimativas da McKinsey indicam que a automação financeira pode reduzir em até 20% o lucro bancário global vindo de depósitos na próxima década.
- Não há sinais imediatos de uma corrida bancária, mas especialistas alertam para a vulnerabilidade do sistema frente à automação.
O economista-chefe da Apollo Global Management, Torsten Slok, alertou em setembro de 2026 que o uso crescente de agentes de inteligência artificial pode desencadear uma nova forma de corrida bancária. Segundo o especialista, assistentes inteligentes como o Muse poderiam identificar automaticamente saldos parados em contas correntes com rendimentos baixos e movê-los para contas de alto rendimento oferecidas por fintechs, como SoFi e outras plataformas digitais.
Essa migração automatizada de capital representa um risco sistêmico para os bancos tradicionais, que dependem desses depósitos de baixo custo para financiar suas operações de crédito. Caso a prática se torne generalizada, o setor pode sofrer um impacto significativo em suas margens, com projeções da McKinsey sugerindo uma perda potencial de até US$ 170 bilhões em lucros globais na próxima década.
Embora não existam evidências de uma crise de liquidez em curso, o setor financeiro já enfrenta um cenário desafiador. O índice Invesco KBW Bank ETF registrou quedas consecutivas recentemente, pressionado pela alta das taxas de juros nos EUA e pela incerteza econômica, fatores que tornam a base de depósitos dos bancos ainda mais crítica para a estabilidade do sistema financeiro.
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