Investigação aponta elo entre produtora de filme e desvios na prefeitura de SP
Decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que uniu os inquéritos e retirou o sigilo dos autos, revela que o deputado Mário Frias enviou à produtora Go Up valores incompatíveis com sua renda declarada e aponta indícios de vínculo do esquema com o PCC.
Pontos principais
- O ministro Flávio Dino, do STF, uniu sob sua relatoria os inquéritos da Polícia Civil de SP e da Polícia Federal sobre o caso e retirou o sigilo dos autos.
- Segundo a representação da Polícia Federal transcrita na decisão, registros financeiros mostram que o deputado Mário Frias enviou à produtora Go Up (de "Dark Horse") valores incompatíveis com sua renda declarada e com os créditos em suas contas bancárias.
- A PF aponta um "circuito financeiro fechado": a empresa Complexsys, contratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) com verba pública, recebeu repasses diretos de Frias, devolveu valores ao próprio ICB e repassou recursos a outra entidade, a ANC.
- Karina Ferreira da Gama preside o Instituto Conhecer Brasil, entidade que tem contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para pontos de Wi-Fi, sob suspeita de sobrepreço de R$ 26 milhões.
- Para Dino, os elementos reunidos indicam não dois esquemas separados, mas uma única organização voltada a captar, disseminar e ocultar recursos públicos, na qual Frias figuraria como "agente central" - hipótese que a decisão trata como ainda em apuração, não como conclusão.
- A decisão cita linha investigativa que aponta possíveis vínculos do esquema com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), o que sugeriria dimensão interestadual e justificaria a atuação da Polícia Federal.
- O Instituto Conhecer Brasil também é alvo de apurações por desvio de emendas parlamentares e superfaturamento em contratos com o Sesi.
- Documentos do inquérito indicam a existência de um "tesoureiro fantasma" e atas com assinaturas suspeitas de fraude na gestão da organização.
- A Polícia Civil de São Paulo não localizou a sede da produtora Go Up Entertainment no endereço oficial, que funcionava como um coworking.
- Dino levantou o sigilo dos autos para evitar "vazamentos seletivos" e determinou que a Polícia Federal receba o material extraído dos celulares apreendidos em junho pela Polícia Civil, além de requisitar ao Coaf relatórios de inteligência financeira sobre o caso.
Uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), unificou sob sua relatoria os inquéritos da Polícia Civil de São Paulo e da Polícia Federal sobre o caso e retirou o sigilo dos autos. Segundo a representação da PF transcrita na decisão, registros financeiros mostram que o deputado federal Mário Frias remeteu à produtora Go Up Entertainment, do filme Dark Horse, valores incompatíveis com sua renda declarada e com os créditos em suas contas bancárias.
A PF também descreveu um circuito financeiro fechado: a empresa Complexsys, contratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) com verba pública, recebeu repasses diretos de Frias, devolveu valores ao próprio Instituto e repassou recursos a outra entidade, a ANC. Para Dino, isso indica uma única organização voltada a captar, disseminar e ocultar recursos públicos, na qual Frias seria o agente central, hipótese que a decisão trata como ainda em apuração. A decisão cita também linha investigativa sobre possíveis vínculos do esquema com a facção criminosa PCC.
O Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, segue como alvo das demais investigações por desvio de verbas públicas já apuradas pela Polícia Civil e pela Polícia Federal. Dino determinou ainda que a Polícia Federal receba o material extraído dos celulares apreendidos em junho e requisitou ao Coaf relatórios de inteligência financeira sobre o caso, medidas que, segundo o ministro, evitam vazamentos seletivos. A prefeitura e os investigados negam irregularidades; a defesa de Karina da Gama diz colaborar com as investigações.
Fonte primária
Tópicos relacionados
Cobertura da mídia
Dark Horse: perícia recusou 17 aparelhos eletrônicos por falhas na embalagem de provas
Times Brasil • 14 set, 19:21
Organograma apreendido pela polícia de SP mostra o nome 'Mário' ao lado das palavras 'sócio' e 'Go Up USA', produtora de filme sobre Bolsonaro nos EUA
G1 Política • 14 set, 16:24
EXCLUSIVO: ONG de Karina Gama, produtora de ‘Dark Horse’, teve tesoureiro fantasma e atas com assinaturas suspeitas
Intercept Brasil • 14 set, 15:14
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.
