Gestores de fundos multimercado migram para grandes bancos
Com juros altos e resgates bilionários, gestores renomados transferem operações para grandes bancos em busca de estrutura e resiliência.
Pontos principais
- A indústria de multimercados acumula saídas líquidas de R$ 672 bilhões desde 2022.
- Arminio Fraga, da Gávea Investimentos, transferiu a gestão de seus fundos para a Bradesco Asset.
- O Itaú Asset Management contratou Luiz Eduardo Portella, da Novus Capital, para liderar novas estratégias.
- O patrimônio de fundos macro em grandes bancos quase dobrou desde 2019, alcançando R$ 542 bilhões.
- Gestoras independentes viram seus ativos combinados caírem pela metade desde 2022, para R$ 89 bilhões.
- A Selic em dois dígitos e a concorrência de títulos isentos de impostos reduziram a atratividade dos fundos independentes.
- O número de fundos macro no Brasil recuou 20% desde o pico de 2021, totalizando 743 em julho.
O setor de fundos multimercado no Brasil atravessa uma reestruturação profunda, marcada pela migração de gestores de renome para grandes instituições financeiras. O movimento é impulsionado por um cenário de juros elevados, que perduram acima de 10% há quatro anos, tornando a renda fixa e produtos isentos de impostos opções mais competitivas para os investidores. Como resultado, casas independentes têm enfrentado dificuldades operacionais e resgates expressivos, levando figuras como Arminio Fraga a transferir a gestão de seus fundos para estruturas como a do Bradesco.
Enquanto gestoras independentes perdem fôlego, os braços de gestão de grandes bancos ganham relevância ao absorver equipes experientes e oferecer maior suporte de back-office e compliance. A tendência reflete uma mudança estrutural no mercado financeiro brasileiro, onde a escala e a resiliência das grandes instituições tornaram-se diferenciais diante da volatilidade macroeconômica e do desempenho abaixo do CDI registrado por muitos fundos multimercado nos últimos anos.
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