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FTC e 22 estados processam Amazon por manipulação em anúncios

A Amazon é acusada de inflar secretamente preços em leilões de publicidade, gerando prejuízos estimados em mais de US$ 20 bilhões aos anunciantes desde 2019.

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Foto: Politico Technology
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31/08 às 15:32 · atualizado 23:32

Pontos principais

  • A Federal Trade Commission (FTC) e uma coalizão de 22 estados americanos abriram um processo judicial contra a Amazon.
  • A ação foi protocolada no tribunal federal do Distrito Oeste de Washington.
  • A denúncia alega que a empresa operou um esquema secreto de sobretaxa em anúncios por mais de sete anos.
  • A Amazon é acusada de manipular leilões de 'segundo preço' para inflar artificialmente os valores cobrados.
  • O montante das cobranças indevidas é estimado pela FTC em mais de US$ 20 bilhões desde 2019.
  • Cerca de 1,2 milhão de empresas que utilizam a plataforma para promover produtos teriam sido afetadas.
  • O processo aponta que a companhia alterou regras de leilão após a realização dos lances pelos anunciantes.
  • A Amazon nega as irregularidades e afirma que o custo médio por clique permaneceu estável no período.
  • A empresa sustenta que suas práticas de publicidade ajudaram a reduzir custos para os anunciantes nos últimos anos.

A Federal Trade Commission (FTC), em conjunto com procuradores-gerais de 22 estados americanos, entrou com uma ação judicial contra a Amazon, acusando a gigante do comércio eletrônico de manipular sistematicamente seus leilões de publicidade digital. Segundo o documento protocolado no tribunal federal do Distrito Oeste de Washington, a empresa teria inflado secretamente os preços pagos por anunciantes durante mais de sete anos, utilizando taxas ocultas que resultaram em prejuízos bilionários para cerca de 1,2 milhão de negócios que dependem da plataforma para promover seus produtos.

De acordo com a acusação, a Amazon informava aos anunciantes que operava um modelo de leilão de 'segundo preço', no qual o vencedor pagaria apenas um centavo acima do lance do concorrente imediato. No entanto, a FTC alega que a companhia alterou as regras de precificação em 2019, passando a elevar os preços mínimos de forma arbitrária após os lances já terem sido submetidos. A agência estima que essa prática de sobretaxa secreta tenha gerado mais de US$ 20 bilhões em receitas indevidas para a empresa, que atualmente ocupa a posição de terceira maior plataforma de publicidade do mundo.

A Amazon refutou as alegações, classificando as acusações como infundadas. Em comunicado, a companhia afirmou que o custo médio por clique em sua plataforma permaneceu estável e que seus sistemas de publicidade, na verdade, reduziram os custos para os anunciantes ao longo dos últimos anos. O caso ganha relevância em um cenário de crescente escrutínio regulatório sobre as práticas de mercado das Big Techs e ocorre em um momento em que a receita publicitária se tornou um pilar fundamental para o crescimento financeiro da Amazon.

Fonte primária

Federal Trade Commission (FTC)

FTC, States Sue Amazon Over Secret Ad Surcharge Scheme

FTC e os procuradores-gerais de 22 estados (Alaska, Arizona, Califórnia, Colorado, Flórida, Idaho, Illinois, Indiana, Iowa, Kentucky, Louisiana, Maryland, Nebraska, Nova Jersey, Nova York, Carolina do Norte, Oklahoma, Pensilvânia, Rhode Island, Carolina do Sul, Vermont e Washington) processaram a Amazon no tribunal federal do Distrito Oeste de Washington, alegando que a empresa, há mais de sete anos, inflou secretamente os preços em seus leilões de anúncios de busca. A Amazon dizia aos anunciantes que operava leilões de "segundo preço" (GSP), em que o vencedor pagaria só "um centavo a mais" que o segundo colocado, mas segundo a denúncia, a partir de 2019 passou a aplicar sem aviso uma sobretaxa oculta chamada internamente de "soft reserve price", cobrando do anunciante vencedor seu próprio lance (e não o do segundo colocado) em cerca de 80% das vezes em 2024 — ante 30-40% em 2021 e 70% em 2022. Documentos internos citados na denúncia descrevem a mecânica como um "participante de leilão inventado" e um "proxy de segundo preço" calculado pela empresa, e executivos reconheceram internamente que a prática era uma "forma inteligente e não-transparente de cobrar o primeiro preço", eficaz para aumentar a receita, especialmente em dias de pico como Prime Day e Black Friday. A FTC alega que a Amazon deu respostas falsas a anunciantes que perguntavam diretamente se o formato do leilão havia mudado, e estima que o esquema extraiu dezenas de bilhões de dólares de mais de 1 milhão de marcas e vendedores, incluindo mais de 500 mil pequenas e médias empresas. O voto da Comissão para autorizar a ação foi 2-0.

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