Cientistas reconstroem sons de insetos do período Jurássico
Pesquisadores usaram IA e modelos 3D para revelar que insetos de 165 milhões de anos já utilizavam comunicação ultrassônica.
Pontos principais
- O estudo analisou 20 asas fossilizadas de nove espécies de insetos da Formação Jiulongshan, na China.
- A espécie Sigmaboilus peregrinus emitia sons acima de 20 kHz, na faixa do ultrassom, inaudível para humanos.
- A descoberta desafia a teoria de que o ultrassom em insetos evoluiu apenas como defesa contra morcegos.
- Morcegos surgiram cerca de 100 milhões de anos após o período em que esses insetos habitavam a Terra.
- A reconstrução utilizou laser vibrometria, modelos computacionais e machine learning para simular os sons.
- A diversidade sonora sugere que a competição por espaço acústico e predadores primitivos moldaram a evolução desses sinais.
Uma equipe internacional de pesquisadores conseguiu reconstruir a paisagem sonora de florestas do Jurássico Médio, há cerca de 165 milhões de anos, a partir da análise de fósseis de parentes distantes dos grilos e esperanças. Utilizando técnicas avançadas como laser vibrometria e modelos de machine learning, os cientistas mapearam as estruturas das asas fossilizadas, que preservam as marcas dos órgãos estridulatórios responsáveis pela emissão de sons através do atrito entre as asas.
O estudo, publicado na revista PNAS, demonstra que esses insetos já possuíam um repertório acústico complexo e diversificado. Enquanto a maioria das espécies emitia tons puros em frequências baixas, a identificação de sinais ultrassônicos em exemplares antigos indica que essa capacidade evoluiu muito antes do surgimento dos morcegos. Os pesquisadores sugerem que a pressão de predadores primitivos e a necessidade de ocupar nichos acústicos específicos foram os motores iniciais para o desenvolvimento de frequências elevadas, alterando a compreensão científica sobre a evolução da comunicação animal.
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