Avalanche no Nepal deixa 392 mortos e mais de 1.500 desaparecidos
Colapso de geleira na fronteira com o Tibete provocou inundações catastróficas, destruindo infraestruturas e deixando centenas de estrangeiros entre os desaparecidos na região do Himalaia.
Pontos principais
- O desastre ocorreu na quarta-feira (26) após o colapso da geleira na montanha Langtang Lirung.
- O número de mortes confirmadas subiu para 392, com cerca de 1.500 pessoas ainda desaparecidas.
- A avalanche de gelo, rochas e lama atingiu rios locais, causando inundações repentinas e destrutivas.
- Centenas de estrangeiros de mais de 30 países estão entre os desaparecidos na área de trilhas e peregrinação.
- O Exército do Nepal resgatou 350 pessoas presas em um túnel da Usina Hidrelétrica do Trishuli Superior.
- Infraestruturas como 70 pontes, estradas e vilarejos inteiros, incluindo Timure, foram destruídos.
- O Serviço Geológico dos EUA confirmou que o tremor de magnitude 5,2 foi causado pelo colapso glacial, não por sismo tectônico.
- Dois homens foram presos após serem flagrados furtando joias de vítimas do desastre em vídeos que viralizaram.
- Equipes de resgate enfrentam dificuldades extremas de acesso devido à lama, escombros e risco de novas inundações.
- O governo dos Estados Unidos anunciou uma ajuda humanitária de US$ 500 mil para as operações de emergência.
Uma catástrofe natural de grandes proporções atingiu a região fronteiriça entre o Nepal e o Tibete na última quarta-feira (26), após o colapso de uma geleira na montanha Langtang Lirung. O evento desencadeou uma avalanche massiva de gelo, rochas e lama que varreu vales e destruiu infraestruturas críticas, incluindo pontes e usinas hidrelétricas. O impacto foi tão severo que, inicialmente, o tremor de magnitude 5,2 registrado na área foi confundido com um terremoto tectônico, hipótese descartada posteriormente pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos. Até o momento, as autoridades confirmam 392 mortes e mais de 1.500 pessoas desaparecidas, um número que inclui centenas de turistas estrangeiros que realizavam trilhas na região do Himalaia.
A situação no local permanece crítica, com equipes de resgate enfrentando obstáculos severos para acessar áreas isoladas. A lama e os detritos bloquearam rios, criando o risco iminente de novas inundações repentinas caso ocorram rompimentos de barreiras naturais. Em uma operação de destaque, militares do Exército do Nepal conseguiram resgatar 350 pessoas que estavam presas em um túnel da Usina Hidrelétrica do Trishuli Superior, no distrito de Rasuwa, embora cerca de cem indivíduos ainda permaneçam retidos no local. A devastação atingiu vilarejos inteiros, como Timure, deixando um rastro de destruição que dificulta a comunicação e a logística de socorro.
Além do desafio humanitário, o desastre trouxe à tona episódios de criminalidade em meio ao caos. A Polícia do Nepal efetuou a prisão de dois homens suspeitos de furtar joias de cadáveres encontrados nos escombros, após a circulação de vídeos nas redes sociais que flagraram a ação. O caso gerou indignação local enquanto as autoridades tentam manter a ordem e organizar a busca pelos desaparecidos. O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, visitou a região de Gyirong, no Tibete, classificando a situação como uma prioridade nacional para ambos os países afetados.
Especialistas apontam que a região é particularmente vulnerável a desastres em cadeia devido à sua geografia íngreme e à instabilidade do permafrost, que tem sido afetado pelo aquecimento global. A escala do evento, descrita por sobreviventes como repentina e incontrolável, ressalta a fragilidade das infraestruturas construídas em zonas de alta montanha. Enquanto a comunidade internacional começa a se mobilizar, com os Estados Unidos anunciando um auxílio de US$ 500 mil, o foco das autoridades permanece na localização dos desaparecidos e na mitigação de novos riscos geológicos que ameaçam as populações a jusante dos rios atingidos.
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