Investigação revela facilidade na compra de botes para travessia do Canal
Fabricantes chineses vendem botes infláveis de grande porte para traficantes de pessoas, facilitando travessias perigosas no Canal da Mancha.
Pontos principais
- Repórteres infiltrados confirmaram que fabricantes chineses vendem botes militares sem certificação de segurança da União Europeia.
- As embarcações, com capacidade para centenas de pessoas, são comercializadas por cerca de 1.678 dólares a unidade.
- A capacidade de produção dos fornecedores atinge 500 unidades por mês, alimentando a cadeia de suprimentos da crise migratória.
- A investigação expõe a fragilidade no controle da venda desses equipamentos, que são essenciais para a logística de grupos criminosos.
Uma investigação jornalística expôs a facilidade com que traficantes de pessoas adquirem botes infláveis de grande porte diretamente de fabricantes chineses para realizar travessias no Canal da Mancha. Ao se infiltrarem como compradores, os repórteres constataram que as empresas estão dispostas a fornecer grandes quantidades de embarcações militares, mesmo sem a certificação de segurança exigida pela União Europeia. Com um custo unitário de aproximadamente 1.678 dólares e uma capacidade de produção que chega a 500 unidades mensais, esses botes tornaram-se peças centrais na logística das redes de tráfico humano. A revelação destaca um elo crítico na cadeia de suprimentos que sustenta a crise migratória na região, evidenciando como a oferta industrial em larga escala facilita o uso de meios de transporte precários e perigosos para o deslocamento de centenas de pessoas em águas internacionais.
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