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Reino Unido aprova compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount

Autoridades britânicas autorizaram a fusão de US$ 110 bilhões entre Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery após a empresa aceitar compromissos de investimento.

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Foto: G1 - Economia
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06/08 às 08:32 · atualizado 11:34

Pontos principais

  • A operação de US$ 110 bilhões foi aprovada pela Competition and Markets Authority (CMA) do Reino Unido.
  • A Paramount aceitou salvaguardas que incluem a manutenção de investimentos em produção local e independência jornalística.
  • O governo britânico concluiu que a fusão não prejudica a concorrência nem fere o interesse público no país.
  • Apesar do sinal verde no Reino Unido e aprovação condicional na União Europeia, o negócio enfrenta resistência nos EUA.
  • Uma coalizão de 12 estados americanos move uma ação judicial contra a fusão, alegando riscos à concorrência e aumento de preços.
  • O sindicato dos roteiristas (WGA) também contesta a operação, citando preocupações com a redução de postos de trabalho.
  • A Paramount concordou em suspender a conclusão do negócio até uma decisão judicial ou até junho de 2027.
  • Um juiz federal da Califórnia agendou o julgamento do caso nos Estados Unidos para março de 2027.

O governo do Reino Unido e a Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) concederam aprovação regulatória para a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance. A transação, avaliada em US$ 110 bilhões, visa consolidar uma das maiores potências globais de entretenimento, integrando estúdios de cinema, canais de televisão e plataformas de streaming. Para obter o aval britânico, a Paramount comprometeu-se a manter níveis específicos de investimento em produção local e a garantir a diversidade e independência da programação jornalística no mercado do Reino Unido.

Embora a decisão represente um marco importante para a fusão, o futuro da operação permanece incerto devido a obstáculos significativos nos Estados Unidos. O negócio é alvo de uma ação judicial movida por uma coalizão de 12 estados americanos, que argumentam que a união entre as gigantes do setor pode resultar em práticas anticompetitivas e elevação de preços para os consumidores. Além disso, o sindicato dos roteiristas (WGA) manifestou oposição formal, temendo impactos negativos no mercado de trabalho da indústria criativa.

Diante do cenário jurídico complexo, a Paramount aceitou adiar a conclusão da transação. A empresa concordou em suspender o fechamento do negócio até que haja uma definição judicial nos Estados Unidos ou, no limite, até junho de 2027. Um juiz federal na Califórnia já marcou o início do julgamento para março de 2027, o que coloca a fusão em um compasso de espera prolongado, apesar do sucesso nas negociações com reguladores europeus e britânicos.

Fonte primária

Competition and Markets Authority (CMA)

Anticipated acquisition by Paramount Skydance Corporation of Warner Bros. Discovery, Inc. — Decision on relevant merger situation and substantial lessening of competition (ME/7144/26)

A CMA concluiu que a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance (acordo fechado em 27/2/2026) não gera perspectiva realista de lesão substancial à concorrência (SLC) no Reino Unido, e por isso o caso não será encaminhado para investigação de fase 2 (Enterprise Act 2002, seções 33(1) e 34ZA(2)). A CMA analisou distribuição de filmes em cinema e fornecimento por atacado de canais infantis lineares de TV paga — as duas áreas de sobreposição mais relevantes — além de produção/licenciamento de conteúdo AV e SVOD, descartando preocupações nessas últimas. Em distribuição teatral, a autoridade concluiu que, apesar de as partes competirem de perto entre si, não estão mais próximas uma da outra do que de Universal, Disney ou Sony; a entidade combinada se tornaria a maior distribuidora do Reino Unido, mas seguiria enfrentando essas três majors e estúdios menores. Em canais infantis lineares, a CMA constatou posição forte das partes, mas apontou alternativas (canais gratuitos, conteúdo infantil via SVOD) e demanda declinante pelo segmento linear pago. Em SVOD, concorrentes como Netflix, Apple, Disney, Amazon Prime e serviços não-SVOD (BBC iPlayer, ITVX) foram considerados restrição competitiva suficiente à entidade combinada.

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