Empresas de IA compram e destroem livros raros para treinar modelos
Laboratórios de IA compram acervos físicos para digitalização em massa, gerando críticas pela destruição permanente de obras raras e fora de catálogo.
Pontos principais
- Empresas utilizam máquinas industriais para remover páginas de livros e acelerar o escaneamento para treinamento de modelos de IA.
- A plataforma ISBNdb atua como intermediária na aquisição em larga escala de exemplares para laboratórios de tecnologia.
- O objetivo é obter dados 'limpos' e originais, produzidos antes da proliferação de conteúdos gerados por IA generativa.
- Livreiros e especialistas em preservação alertam para a perda irreversível de patrimônio literário devido à destruição dos exemplares físicos.
- Tecnologias de digitalização não destrutiva são apontadas como alternativas para evitar a perda de acervos históricos.
Empresas de inteligência artificial têm adotado uma prática controversa para alimentar seus modelos de linguagem: a compra em massa de livros físicos para digitalização acelerada. O processo, que frequentemente envolve o uso de máquinas industriais para remover as páginas das obras, tem como objetivo extrair dados 'limpos' e autênticos, anteriores à era da IA generativa. A plataforma ISBNdb tem sido um dos principais elos nessa cadeia de suprimentos, atendendo laboratórios que buscam fontes de alta qualidade para o treinamento de seus sistemas.
A estratégia tem gerado forte reação de livreiros e colecionadores, que relatam um aumento atípico na demanda por títulos raros e fora de catálogo. Além da preocupação ética sobre a destruição de patrimônio cultural, especialistas defendem o uso de tecnologias de digitalização não destrutiva, como as desenvolvidas pela empresa austríaca Treventus, como uma alternativa viável para preservar os exemplares físicos enquanto se obtém o conteúdo necessário para a inovação tecnológica.
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