Cenipa aponta negligência e falhas técnicas em acidente da Voepass
Relatório final sobre a queda do avião em Vinhedo em 2024 identifica 19 fatores contribuintes, incluindo cultura de normalização de desvios e falhas na fiscalização da Anac.
Pontos principais
- Investigação do Cenipa identificou 19 fatores contribuintes para o acidente que vitimou 62 pessoas.
- Relatório aponta cultura organizacional na Voepass de não registrar falhas técnicas para manter aeronaves em operação.
- Aeronave apresentava problemas recorrentes no sistema de degelo que não foram reportados formalmente.
- Tripulação enfrentou sobrecarga de informações e falhou ao reagir aos alertas de estol e formação de gelo.
- Investigação revelou prática de trocar componentes defeituosos entre diferentes aeronaves da frota.
- O avião não deveria ter decolado devido a uma pane nos limpadores de para-brisa que restringia condições de voo.
- Anac foi criticada por não adotar medidas regulatórias eficazes após identificar fragilidades na manutenção da companhia.
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado nesta quinta-feira, concluiu que a queda do ATR-72 da Voepass em Vinhedo, em agosto de 2024, foi resultado de uma série de falhas técnicas, operacionais e regulatórias. A investigação destacou que a causa principal foi uma cultura organizacional de negligência, na qual tripulações e mecânicos normalizavam desvios e deixavam de registrar panes nos livros de bordo para evitar que as aeronaves fossem retiradas de operação. O documento detalha que o acúmulo severo de gelo nas asas, somado a uma falha no sistema de degelo, comprometeu o controle da aeronave, levando-a a um movimento de parafuso antes do impacto que resultou na morte de todos os 62 ocupantes.
Além das falhas internas da companhia, o Cenipa apontou deficiências na atuação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Segundo o órgão, a agência falhou ao não converter as não conformidades identificadas anteriormente em medidas regulatórias eficazes que pudessem interromper os riscos operacionais. No momento do acidente, a sobrecarga de alertas na cabine e a falta de reconhecimento da gravidade da situação pela tripulação contribuíram para a perda de consciência situacional dos pilotos. O relatório reforça que a aeronave, que apresentava problemas recorrentes, não possuía condições operacionais adequadas para o voo devido a uma pane prévia nos limpadores de para-brisa.
Comentários
Carregando comentários...
