Prática ilegal de dotes na Índia impulsiona aumento de feminicídios
Estudo do King's College aponta que a persistência da cultura do dote na Índia eleva a violência contra mulheres e o feticídio feminino.
Pontos principais
- A prática do dote é proibida na Índia desde 1961, mas ainda funciona como uma exigência de mercado baseada no status social do noivo.
- O número de mortes anuais relacionadas a disputas por dotes subiu de 2 mil na década de 1990 para mais de 6.500 atualmente.
- A pressão financeira sobre as famílias das noivas resulta em casos frequentes de assédio, violência física e feminicídio.
- A lógica extrativista do sistema contribui para o feticídio feminino, reduzindo a proporção de nascimentos para 927 meninas por mil meninos.
Um estudo antropológico conduzido pelo King's College de Londres revela que a prática ilegal de dotes na Índia continua a ser um motor crítico de violência contra mulheres. Embora proibida por lei há mais de seis décadas, a tradição evoluiu para uma transação financeira baseada no status social do noivo, transformando o casamento em um risco constante para as famílias das noivas. A incapacidade de atender a demandas financeiras exorbitantes frequentemente resulta em assédio e feminicídio, com o número de mortes anuais superando a marca de 6.500. Além da violência direta, o sistema incentiva o feticídio feminino, visto que famílias buscam evitar custos futuros, o que tem gerado um desequilíbrio demográfico preocupante no país. Ativistas alertam que a ineficácia das leis atuais exige uma transformação cultural profunda para combater a indiferença social que sustenta essa prática.
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