Irã declara acordo de paz nulo após ataques dos EUA em Teerã
Autoridades iranianas contam mais de 35 mortos e 300 feridos; o Brent superou brevemente US$86 antes de recuar para US$84,93.
Pontos principais
- Os EUA intensificaram os ataques na madrugada de 16 de julho, atingindo alvos mais ao norte do que nas rodadas anteriores.
- A mídia estatal iraniana reportou ataques nos arredores de Teerã e na província de Semnan, onde ficam a produção de mísseis balísticos e o programa espacial do país.
- Autoridades iranianas dizem que os ataques dos EUA já mataram mais de 35 pessoas e feriram mais de 300.
- Teerã afirmou que as ondas de ataques anularam o memorando de entendimento de 17 de junho que sustentava o cessar-fogo.
- O IRGC disse ter atacado a Quinta Frota dos EUA no Bahrein e um centro logístico militar americano em Mina Abdullah, no Kuwait.
- O ISW reportou ataque americano ao quartel da 388ª Brigada em Iranshahr, a cerca de 200 km da costa, matando sete soldados e ferindo outros 13.
- O Brent superou brevemente US$86 por barril em 15 de julho antes de recuar para US$84,93, alta de 0,2% sobre o dia anterior.
O principal negociador iraniano, Mohammed Bagher Ghalibaf, disse que o país está "em uma guerra essencial e existencial com os Estados Unidos", que não tem motivo para continuar cumprindo os termos do acordo de paz e que suas forças armadas têm "completa liberdade de ação". O Irã retaliou antes do amanhecer com mísseis e drones contra aliados dos EUA na região e alertou que seus ataques podem escalar. Forças americanas dispararam contra um navio que os EUA acusaram de tentar furar seu bloqueio naval.
O Exército americano conduziu ataques diurnos raros na quarta-feira, incluindo uma onda de 90 minutos, após reimpor um bloqueio naval aos portos iranianos; esses ataques mataram sete militares iranianos. Teerã ameaçou cortar mais exportações de energia da região, dizendo que os EUA "devem se preparar para o fechamento de todos os outros corredores de exportação que beneficiam os EUA e seus aliados". A Guarda Revolucionária ameaçou em 15 de julho interromper todas as exportações de energia do Oriente Médio por causa do bloqueio, que impede petroleiros com petróleo iraniano de usar o Estreito de Ormuz — responsável por cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo e gás antes da guerra.
Fontes primárias
Iran has no plans for negotiations, focused on defense: FM spokesman
Coletiva de imprensa do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, em Teerã, 15 de julho de 2026. Baghaei afirma que o Irã "não tem planos para negociações e está focado na defesa", rejeitando a ideia de que os ataques dos EUA forçariam Teerã à mesa de negociação. Declara que o Irã não se considera mais vinculado ao memorando de entendimento (MoU) assinado com Washington em 17 de junho: "Um MoU é um conjunto de compromissos mútuos e, em caso de violação pela outra parte, também deixaremos de cumprir nossas obrigações." Acusa os EUA de terem agido de má-fé desde o início: "a outra parte incorreu em má-fé e quebra de promessa a partir do próprio primeiro artigo." Sobre a postura militar, afirma que "as forças armadas iranianas responderão com força total a qualquer agressor. Se atacarem, serão atacados de volta." Reitera a posição do Irã de que a responsabilidade pela administração do Estreito de Ormuz foi delegada a Teerã pelo Artigo 5 do acordo de 14 pontos, em disputa com a leitura americana dos ataques recentes na região.
Qalibaf: If Iran not to benefit from MoU, no reason to remain committed
Declaração do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, em 15 de julho de 2026. Ele afirma que, se o Irã não obtém benefício algum do Memorando de Entendimento de Islamabad, "não há razão para Teerã aderir a ele", já que o acordo "só tem sentido quando suas cláusulas são válidas e implementadas." Diz que as forças armadas do Irã têm "total liberdade de ação para enfrentar qualquer agressão inimiga." Segundo Qalibaf, o Irã documentou ao menos 42 violações significativas por parte dos EUA desde a assinatura do MoU em 17 de junho, incluindo descumprimentos sobre os arranjos do Estreito de Ormuz, ameaças de ataque militar, ataques ao sul do Irã, reimposição de sanções ao petróleo e a continuidade da agressão israelense ao Líbano. Afirma que o Irã "nunca buscou a guerra e nunca buscará, mas deve estar sempre pronto para o combate e firme para proteger sua segurança", caracterizando a negociação como parte de uma "estratégia de resistência", não de rendição.
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