Nunes Marques propõe selo de acurácia para institutos de pesquisa
Presidente do TSE sugere premiação para institutos com maior precisão eleitoral, gerando críticas de especialistas sobre a natureza científica das pesquisas.
Pontos principais
- O ministro Kassio Nunes Marques propôs a criação de um 'Selo de Acurácia Eleitoral' para premiar institutos de pesquisa.
- A premiação seria baseada na proximidade dos resultados das pesquisas com os dados oficiais das urnas.
- A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) e cientistas políticos criticaram a medida, afirmando que pesquisas medem intenções momentâneas.
- Especialistas alertam que a certificação não é uma atribuição adequada da Justiça Eleitoral e pode tumultuar o pleito.
- O TSE abriu prazo até 17 de julho para que os institutos enviem sugestões sobre os critérios da premiação.
- O debate ocorre após a suspensão de uma pesquisa da AtlasIntel por decisão individual do ministro.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, apresentou uma proposta para a criação de um selo de acurácia destinado a premiar institutos de pesquisa eleitoral que demonstrarem maior precisão em relação aos resultados oficiais das urnas. A medida, discutida em reunião com representantes de 19 entidades do setor, visa incentivar o aperfeiçoamento técnico e a transparência nos levantamentos de intenção de voto. Segundo a proposta, seriam avaliados os dados divulgados nos sete dias anteriores ao pleito e os resultados de boca de urna, excluindo-se empresas que tenham sofrido condenações por irregularidades graves. O tribunal estabeleceu o dia 17 de julho como prazo final para o recebimento de contribuições dos institutos sobre os critérios da premiação.
A iniciativa, contudo, enfrenta resistência crescente de especialistas, cientistas políticos e da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP). A entidade argumenta que a proposta desconsidera a natureza científica dos levantamentos, que captam o cenário no momento da coleta, e não funcionam como previsões futuras. Críticos da medida reforçam que a metodologia científica não deve ser validada por órgãos judiciais, apontando que a certificação não é uma atribuição adequada da Justiça Eleitoral e que a intervenção pode gerar instabilidade e interferir na percepção pública sobre o processo eleitoral.
O debate ganha relevância após a recente suspensão, por decisão individual de Nunes Marques, de uma pesquisa da AtlasIntel, caso que ainda aguarda julgamento definitivo no plenário do tribunal. Especialistas alertam que a iniciativa pode confundir o rigor científico com a expectativa de resultados futuros, levantando questões sobre os limites da atuação do tribunal na regulação da atividade de institutos de pesquisa. A preocupação central é que a Justiça Eleitoral passe a atuar como árbitro da qualidade técnica, o que poderia gerar interpretações equivocadas e tumultuar o cenário eleitoral.
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