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Ações da Natura sobem após prévia de receita abaixo do esperado

Apesar da estimativa de queda de até 10% na receita do 2º trimestre de 2026, as ações da Natura reagiram positivamente no mercado financeiro.

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Foto: G1 - Economia
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08/07 às 09:15 · atualizado 17:34

Pontos principais

  • A Natura estima receita líquida entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões no 2º trimestre de 2026.
  • O resultado representa uma queda anual de 9% a 10% em relação ao mesmo período de 2025.
  • Falhas na migração para o sistema SAP causaram escassez severa de produtos no mercado.
  • O fechamento da fábrica de Interlagos e ajustes logísticos impactaram o abastecimento.
  • Mudanças no modelo de franquias e políticas de preços afetaram as vendas online.
  • Apesar da queda na receita, a empresa projeta expansão na margem EBITDA.
  • O mercado brasileiro apresentou desaquecimento, enquanto a região Hispânica cresceu.
  • A alta das ações foi impulsionada por fatores técnicos e movimentos de short squeeze.
  • A companhia adotou uma postura de maior transparência com investidores após resultados anteriores.
  • Os resultados completos e auditados serão divulgados oficialmente em 10 de agosto de 2026.

A Natura antecipou ao mercado uma prévia operacional para o segundo trimestre de 2026 indicando uma queda de até 10% em sua receita líquida consolidada, com valores estimados entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões. O desempenho foi pressionado por uma combinação de desafios internos e externos, incluindo dificuldades operacionais severas decorrentes da migração para o sistema SAP e o fechamento da fábrica de Interlagos, que resultaram em problemas de abastecimento. Além disso, a empresa citou o desaquecimento do consumo no Brasil, alterações tributárias de ICMS em São Paulo e ajustes no modelo de franquias como fatores que contribuíram para a retração no período.

Surpreendentemente, as ações da companhia registraram alta expressiva no pregão após o anúncio. Analistas de mercado atribuem essa reação positiva a fatores técnicos, como um movimento de short squeeze e a expectativa de que grandes investidores, como o fundo Advent, possam estar aumentando suas participações. Além disso, a maior transparência na comunicação da empresa e a projeção de expansão na margem EBITDA — impulsionada por ganhos de eficiência operacional e redução de despesas com rescisões — foram recebidas com otimismo por parte dos investidores, que enxergam sinais de recuperação na governança corporativa.

Embora o cenário doméstico tenha sido desafiador, a Natura destacou que a região Hispânica manteve um crescimento consistente em moeda constante. A empresa segue focada em um plano de reconfiguração da cadeia de suprimentos e ajustes na força de vendas para reverter a queda de receita. Instituições financeiras como Citi e Morgan Stanley mantêm cautela, monitorando se a companhia conseguirá atingir suas metas de rentabilidade para o ano. O mercado aguarda agora a divulgação dos resultados completos e auditados, prevista para o dia 10 de agosto de 2026, para avaliar a sustentabilidade da trajetória de recuperação da empresa.

Fonte primária

Natura Cosméticos S.A. (CVM)

Fato Relevante | Resultados Preliminares do 2T26 — Natura Cosméticos S.A.

Em Fato Relevante datado de 8 de julho de 2026 (Resolução CVM nº 44/2021), a Natura Cosméticos S.A. informa, em caráter excepcional, dados preliminares do 2T26: estima receita líquida consolidada entre R$ 5,1 bi e R$ 5,2 bi, uma queda de 9% a 10% na comparação anual. A companhia atribui a pressão sobre o Brasil a cinco fatores combinados: (I) desabastecimento severo de produtos durante a estabilização do novo sistema de Planejamento Integrado, atualização do SAP e realocação de volume após o fechamento da fábrica de Interlagos; (II) queda de volume no canal de venda direta, com recuo anual de atividade e produtividade das consultoras que mais do que compensou a recuperação trimestral do canal; (III) implementação de política de preços harmonizada entre canais, que desacelerou o canal online no curto prazo; (IV) transição de 100% dos contratos de franquia para um novo modelo baseado em sell-out, gerando desestocagem momentânea nas lojas franqueadas; (V) descompasso temporário de tributos ligado a mudanças no ICMS-ST de São Paulo. Esses fatores no Brasil superaram o crescimento positivo em moeda constante da região hispânica. Apesar da queda de receita, a empresa espera expansão trimestral da margem EBITDA reportada, por menores despesas de rescisão e ganhos de eficiência do novo modelo operacional. A Natura reforça que os números são preliminares, não auditados e sujeitos a revisão; o resultado completo do 2T26 sai em 10 de agosto de 2026, e a companhia entra em período de silêncio a partir de 12 de julho de 2026.

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