Investigações revelam falhas sistêmicas, negligência e cultura tóxica em maternidades do Reino Unido, resultando em centenas de mortes e lesões.
O relatório Ockenden, a maior revisão de maternidade na história do serviço público de saúde britânico (NHS), revelou falhas sistêmicas graves no atendimento obstétrico. Além da análise inicial de 2.500 casos, novas investigações no Nottingham University Hospitals NHS Trust apontaram que 444 mulheres e 76 recém-nascidos sofreram danos ou morreram devido a desfechos potencialmente evitáveis ao longo de 13 anos. O documento descreve uma cultura institucional tóxica, marcada por bullying, negligência e episódios de tratamento desumanizador, onde equipes frequentemente ignoravam riscos clínicos e falhavam em admitir gestantes em trabalho de parto.
A persistência dessas falhas, mesmo após alertas repetidos à gestão, evidencia uma crise de governança e a incapacidade do sistema em lidar com a demanda e a complexidade dos casos. Parlamentares classificam a segurança atual como dependente de sorte, reforçando a necessidade urgente de uma reestruturação profunda nos protocolos. Em resposta, o governo britânico nomeou conselheiros especializados para implementar reformas estruturais e garantir maior financiamento, visando mitigar a fragilidade do sistema e evitar a repetição de tragédias que impactaram inúmeras famílias.
The Guardian World • 24 jun, 07:45
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