A EasyJet recusou uma oferta de £ 4,74 bilhões da Castlelake, classificando a proposta como oportunista e insuficiente para os interesses dos acionistas.
A companhia aérea EasyJet rejeitou formalmente uma nova proposta de aquisição apresentada pela firma de investimentos americana Castlelake, avaliada em £ 4,74 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 32,34 bilhões. A diretoria da empresa classificou a oferta de 625 pence por ação como oportunista e insuficiente, argumentando que os termos não refletem o valuation real da companhia nem atendem aos melhores interesses dos acionistas. Antes desta tentativa, a empresa já havia recusado propostas inferiores, de 560p e 600p por ação, mantendo sua postura de resistência à venda. Diante da recusa, a Castlelake optou por tornar a oferta pública, o que provocou uma valorização de mais de 5% nas ações da companhia no mercado.
Para viabilizar a operação e contornar potenciais questões regulatórias, a Castlelake tem buscado o apoio de executivos experientes do setor, como Peter Bellew. Em resposta ao movimento da gestora, o conselho da EasyJet reafirmou que seu foco permanece na execução de metas de médio prazo e na expansão estratégica do seu segmento de férias. A empresa sustenta que a oferta não condiz com o potencial de crescimento da companhia no cenário atual.
O impasse coloca a empresa em uma posição de cautela, enquanto o mercado aguarda se a firma de investimentos decidirá elevar a oferta ou desistir definitivamente da operação após a rejeição oficial. A postura da diretoria reforça a estratégia de manter a independência da aérea frente a investidores que buscam aproveitar momentos de volatilidade no setor de aviação.
Comunicado oficial da easyJet (22/06/2026): o Conselho rejeitou por unanimidade, em 21/06, a terceira proposta indicativa e condicional da Castlelake — £6,25 por ação em dinheiro, com alternativa parcial para acionistas optarem por ações não listadas, intransferíveis e sem direito a voto, em um veículo de aquisição que seria 49% da Castlelake e 51% de cidadãos da UE. As duas propostas anteriores, de £5,60 e £6,00 por ação com a mesma estrutura, também já haviam sido rejeitadas. O Conselho classificou a oferta como 'highly opportunistic', feita no contexto de um preço de ação temporariamente deprimido, e disse que ela 'fundamentally undervalues easyJet' por se basear em preços afetados por conflito e em lucros de curto prazo, sem refletir as perspectivas de médio prazo. Apontou ainda que a estrutura de propriedade é 'opaque' e expressou reservas sobre a alavancagem elevada e a condicionalidade. A empresa reafirmou confiança na estratégia, citando balanço com grau de investimento e posição de caixa líquido, aumento de 46% no lucro antes de impostos nos dois exercícios até setembro de 2025, e meta de lucro antes de impostos acima de £1 bilhão.
Comunicado oficial da Castlelake (22/06/2026), tornando pública sua abordagem após o Conselho da easyJet recusar engajamento. A Castlelake detalha três propostas não vinculantes: 560 pence por ação (carta de 12/06, rejeitada em 16/06), 600 pence (17/06, rejeitada em 20/06) e 625 pence em dinheiro (20/06, rejeitada em 21/06). Segundo a Castlelake, a terceira proposta representa prêmio de aproximadamente 59% sobre o preço de 394,20 pence em 28/05/2026 (último dia antes de seu interesse vir a público) e de cerca de 71% sobre o preço médio ponderado por volume de 365,42 pence, equivalente a um múltiplo de 16,5x os lucros projetados para 2027. A firma afirma ter estruturado a propriedade (49% Castlelake / 51% de nacionais da UE, com apoio de executivos do setor) para cumprir as regras europeias de controle de companhias aéreas. Sob o City Code, a Castlelake tem até as 17h (horário de Londres) de 26/06/2026 para anunciar intenção firme de oferta ou declarar que não pretende prosseguir.
Folha de São Paulo - Mercado • 22 jun, 12:53
InfoMoney • 22 jun, 10:18
The Guardian World • 22 jun, 08:10
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