O acordo para reabrir o Estreito de Hormuz reduz o preço do petróleo e impulsiona o Ibovespa, que subiu 1,21% nesta segunda-feira.
Os mercados financeiros globais reagiram com euforia ao anúncio de um acordo de paz preliminar entre os Estados Unidos e o Irã, visando encerrar um conflito que durava mais de cem dias. A notícia da reabertura gradual do Estreito de Hormuz, ponto estratégico para o comércio global de petróleo, provocou uma alta de 1,3% nos futuros do S&P 500 e uma queda de mais de 5% nos contratos futuros da commodity, atingindo o patamar mais baixo dos últimos três meses. No Brasil, o otimismo com a estabilização geopolítica impulsionou o Ibovespa, que subiu 1,21% na manhã desta segunda-feira, alcançando 173.196,05 pontos, enquanto o dólar abriu em queda de 0,35%. Analistas da XP destacam que a desvalorização do petróleo pode aliviar pressões inflacionárias, favorecendo o cenário de cortes de juros, embora ações de empresas do setor registrem queda no pregão.
O tratado, cuja assinatura oficial está prevista para a próxima sexta-feira, 19 de junho, prevê um período de 60 dias de negociações técnicas intensivas para tratar de temas sensíveis, como o programa nuclear iraniano e o alívio de sanções econômicas. Apesar do apoio do presidente Donald Trump, o pacto enfrenta desafios internos e ceticismo de especialistas, que questionam se a euforia atual dos mercados possui fundamentos sólidos ou se representa uma reação exagerada ao anúncio diplomático. Paralelamente, Israel, que participou do ataque conjunto ao Irã, foi excluído das tratativas e declarou que manterá sua presença militar no Líbano, Síria e Gaza, mantendo um ponto de tensão regional fora do escopo do acordo.
Além do cenário externo, o mercado brasileiro processa novos indicadores domésticos. O Boletim Focus elevou as projeções de inflação, PIB e taxa Selic para 2026, enquanto o ambiente político segue monitorado com a divulgação da pesquisa BTG/Nexus, que aponta Lula com 49% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Investidores agora voltam suas atenções para a 'Superquarta', que contará com decisões de política monetária do Federal Reserve e do Copom, buscando sinais sobre a trajetória dos juros em meio à nova configuração geopolítica.
Em post no Truth Social na noite de domingo (14 jun), Trump declara que "o Acordo com a República Islâmica do Irã está agora completo" e autoriza a abertura toll-free (sem pedágio) do Estreito de Ormuz e a remoção imediata do bloqueio naval dos EUA: "Navios do Mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!". Em post posterior, especifica que a abertura efetiva do Estreito ocorrerá com a assinatura do acordo na sexta-feira (19 jun), para fins de remoção de minas, e que o petróleo voltará a fluir nas duas pontas para a região e o mundo. Este é o catalisador direto da reação dos mercados: o fim do bloqueio e a reabertura de Ormuz (rota de ~20% do petróleo global) sinalizam normalização da oferta e do risco geopolítico.
Anúncio oficial do mediador das negociações: "Após conversas intensivas, temos o prazer de anunciar que o Acordo de Paz entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã foi ALCANÇADO. Ambos os lados declararam a cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano." A cerimônia oficial de assinatura será na sexta-feira, 19 de junho, na Suíça. Sharif agradece a EUA e Irã pelo compromisso com a solução diplomática e aos co-mediadores Catar, Arábia Saudita e Turquia, e diz que os mediadores facilitarão reuniões pré-implementação ao longo da semana, base para as conversas técnicas e a assinatura. Trata-se da declaração formal e bilateral de que o acordo foi fechado — o evento que originou a alta dos mercados.
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