Mercados globais sobem após acordo entre EUA e Irã
O otimismo com a reabertura do Estreito de Ormuz impulsiona recordes no STOXX 600 e leva empresas americanas a captar US$ 40 bilhões em dívidas.
Pontos principais
- O presidente Donald Trump e o líder iraniano Mohammad Bagher Qalibaf assinaram o memorando de entendimento.
- O índice europeu STOXX 600 alcançou um novo recorde histórico, recuperando perdas desde o início da guerra em fevereiro.
- A reabertura do Estreito de Ormuz, prevista para 19 de junho, reduziu o preço do petróleo ao menor nível em três meses.
- Empresas dos EUA emitiram mais de US$ 40 bilhões em dívidas na segunda-feira, aproveitando o clima de confiança renovada.
- O Ibovespa supera os 173 mil pontos, enquanto o dólar recua 0,32%, cotado a R$ 5,04.
- O acordo estabelece um período de 60 dias para negociações técnicas sobre o programa nuclear iraniano.
- Israel foi excluído das negociações e manterá sua presença militar no Líbano, Síria e Gaza.
- As ações da SpaceX registraram alta de 6% em seu primeiro dia completo de negociações na bolsa.
- A pesquisa BTG/Nexus aponta Lula com 49% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro.
- Investidores aguardam a 'Superquarta' com decisões de política monetária do Federal Reserve e do Copom.
Os mercados financeiros globais mantêm o otimismo após o anúncio de um acordo de paz preliminar entre os Estados Unidos e o Irã, assinado pelo presidente Donald Trump e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf. A reabertura gradual do Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de energia, provocou uma queda acentuada nos contratos futuros do petróleo Brent, que atingiram o patamar mais baixo dos últimos três meses. Na Europa, o índice STOXX 600 registrou um novo recorde histórico, recuperando integralmente as perdas acumuladas desde o início do conflito em 28 de fevereiro e elevando o ganho acumulado do índice para 7,2% no ano.
Nos Estados Unidos, o cenário de alívio geopolítico não apenas impulsionou o índice Dow Jones a uma nova máxima intradiária e marcou a estreia positiva da SpaceX, mas também ativou o mercado de capitais. Aproveitando o clima de otimismo, empresas americanas emitiram mais de US$ 40 bilhões em dívidas na segunda-feira, em um dos dias mais ativos do setor recentemente. No Brasil, o Ibovespa opera em alta, superando os 173 mil pontos, enquanto o dólar recua 0,32%, sendo negociado a R$ 5,04, refletindo a redução do prêmio de risco global. O tratado, cuja implementação oficial está prevista para a próxima sexta-feira, 19 de junho, prevê um período de 60 dias de negociações técnicas intensivas.
Setorialmente, o impacto do acordo foi assimétrico. Nos EUA e na Europa, empresas de aviação e cruzeiros registraram altas expressivas, beneficiadas pela queda nos custos de combustível, enquanto companhias do setor de energia enfrentaram quedas. No Brasil, o movimento é similar, com a Petrobras operando em baixa devido à desvalorização do barril no mercado internacional. Analistas observam que a redução da pressão inflacionária decorrente da queda do petróleo pode permitir que o Federal Reserve mantenha ou reduza as taxas de juros futuramente, o que traz alívio para os mercados emergentes.
Além do cenário externo, o mercado brasileiro processa novos indicadores domésticos e a pesquisa BTG/Nexus, que aponta Lula com 49% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro. Investidores agora voltam suas atenções para a 'Superquarta', que contará com decisões de política monetária do Federal Reserve e do Copom. Bancos centrais globais devem adotar uma postura de cautela, aguardando a consolidação do acordo antes de definir novas políticas de juros, dado que o câmbio permanece sensível às oscilações geopolíticas remanescentes.
Fontes primárias
Trump declara acordo com o Irã "completo" e autoriza reabertura do Estreito de Ormuz
Em post no Truth Social na noite de domingo (14 jun), Trump declara que "o Acordo com a República Islâmica do Irã está agora completo" e autoriza a abertura toll-free (sem pedágio) do Estreito de Ormuz e a remoção imediata do bloqueio naval dos EUA: "Navios do Mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!". Em post posterior, especifica que a abertura efetiva do Estreito ocorrerá com a assinatura do acordo na sexta-feira (19 jun), para fins de remoção de minas, e que o petróleo voltará a fluir nas duas pontas para a região e o mundo. Este é o catalisador direto da reação dos mercados: o fim do bloqueio e a reabertura de Ormuz (rota de ~20% do petróleo global) sinalizam normalização da oferta e do risco geopolítico.
Mediador (PM do Paquistão) anuncia que o acordo de paz EUA-Irã foi "ALCANÇADO", assinatura em 19 jun
Anúncio oficial do mediador das negociações: "Após conversas intensivas, temos o prazer de anunciar que o Acordo de Paz entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã foi ALCANÇADO. Ambos os lados declararam a cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano." A cerimônia oficial de assinatura será na sexta-feira, 19 de junho, na Suíça. Sharif agradece a EUA e Irã pelo compromisso com a solução diplomática e aos co-mediadores Catar, Arábia Saudita e Turquia, e diz que os mediadores facilitarão reuniões pré-implementação ao longo da semana, base para as conversas técnicas e a assinatura. Trata-se da declaração formal e bilateral de que o acordo foi fechado — o evento que originou a alta dos mercados.
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