Senado dos EUA aprova US$ 70 bilhões para reforço de deportações
O Senado aprovou US$ 70 bilhões para o ICE e CBP, mantendo um fundo controverso ligado a Trump enquanto a pauta migratória avança no Congresso.
Pontos principais
- O pacote de US$ 70 bilhões foi aprovado por 52 votos a 47, sem apoio democrata.
- Os recursos financiarão o ICE e a Patrulha de Fronteira pelos próximos três anos.
- O projeto mantém um fundo de US$ 1,8 bilhão ligado a um processo de Trump contra o IRS.
- Uma emenda para redirecionar o fundo para agentes feridos no ataque ao Capitólio foi rejeitada.
- A votação ocorreu após 18 horas de debate e semanas de intensas negociações.
- O líder da maioria, John Thune, articulou a votação para evitar emendas que travassem a tramitação.
- O projeto segue para a Câmara dos Representantes, onde a expectativa é de aprovação rápida.
- Donald Trump nomeou Bill Pulte como diretor interino de inteligência nacional.
O Senado dos Estados Unidos aprovou um aporte de US$ 70 bilhões destinado ao Departamento de Segurança Interna, com foco no fortalecimento das operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) e da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP). A medida, aprovada por 52 votos a 47 após uma sessão de 18 horas, consolida uma das principais promessas da agenda migratória do governo de Donald Trump, garantindo financiamento para as agências pelos próximos três anos. Durante o processo, o Legislativo rejeitou tentativas de democratas e de membros do próprio Partido Republicano de proibir permanentemente um fundo de US$ 1,8 bilhão, classificado como de 'anti-armamentização'.
Este fundo controverso está diretamente relacionado a um processo movido por Trump contra o IRS, referente ao vazamento de suas declarações de imposto de renda. Entre as tentativas frustradas de alterar o texto, o senador Bill Cassidy propôs, sem sucesso, redirecionar esses recursos para agentes feridos durante o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro. A manutenção do montante gerou críticas de opositores, que temem o uso dessas verbas para compensar aliados políticos do presidente. O líder da maioria no Senado, John Thune, trabalhou intensamente para manter o foco do projeto na segurança de fronteira, buscando evitar a inclusão de emendas que pudessem comprometer a tramitação célere da matéria na Câmara dos Representantes.
A aprovação do projeto evidenciou divisões internas no Partido Republicano e a ausência de apoio democrata, apesar das semanas de negociações. Paralelamente ao avanço da pauta migratória, o Executivo continua a realizar mudanças em cargos estratégicos, como a nomeação de Bill Pulte para a direção interina de inteligência nacional. O cenário em Washington permanece sob tensão, com debates sobre a gestão de arquivos sensíveis e o uso de verbas discricionárias, enquanto a base governista busca acelerar a implementação das novas políticas de fiscalização fronteiriça.
Fontes primárias
S. 2 — Secure America Act (reconciliação sob a S. Con. Res. 33), Título I — Comitê de Segurança Interna
Projeto de reconciliação orçamentária "Secure America Act" (S. 2), relatado pelo senador Lindsey Graham (Comitê de Orçamento) e aprovado pelo plenário do Senado por 52 a 47 na madrugada de 5 jun 2026 — a republicana Lisa Murkowski foi a única do partido a votar contra. Por usar reconciliação, contorna a regra dos 60 votos e dispensa apoio democrata; segue agora para a Câmara. O pacote injeta cerca de US$ 69,5 bi em recursos plurianuais para a agenda de imigração até o fim do mandato de Trump, com todos os valores disponíveis até 30 set 2029. O Título I (Comitê de Segurança Interna) aporta, além dos montantes já existentes: US$ 9,55 bi para contratar, pagar, treinar e equipar agentes e apoio da Patrulha de Fronteira (CBP); US$ 7,45 bi para agentes e apoio das Investigações de Segurança Interna (HSI/ICE), dos quais US$ 108,5 mi para investigadores de exploração infantil; US$ 3,45 bi para tecnologia e triagem de fronteira (equipamento de inspeção não intrusiva, IA/machine learning, operações aéreas e marítimas, vigilância, sistema biométrico de entrada/saída e combate ao fentanil); e US$ 2,5 bi adicionais à Secretaria de Segurança Interna. Subtotal do Título I: US$ 22,95 bi.
S. 2 — Secure America Act, Título II — Comitê de Justiça do Senado (texto de reconciliação)
Título II da S. 2, da jurisdição do Comitê de Justiça, traz o grosso do financiamento de execução e uma nova tabela de taxas migratórias. Apropriações (disponíveis até 30 set 2029, salvo indicação): US$ 29,85 bi ao ICE para contratação, treinamento e operações de execução; US$ 2,055 bi à Secretaria de Segurança Interna; US$ 750 mi aos Centros Federais de Treinamento (FLETC); US$ 3,32 bi ao Departamento de Justiça (inclui o Escritório Executivo de Revisão de Imigração/juízes de imigração); US$ 5,0 bi ao Bureau of Prisons; US$ 1,17 bi ao Serviço Secreto. O ponto que travou o plenário por horas é a Seção 155 ("BRIDGEN"), que cria um Fundo sob o Procurador-Geral de até US$ 3,5 bi em repasses a governos estaduais e locais por despesas ligadas à imigração desde 20 jan 2021 — o fundo que os democratas chamam de "slush fund" e tentaram, sem sucesso, restringir. A Parte I institui ainda nova grade de taxas migratórias: taxa de asilo (mínimo US$ 1.000, corrigida pela inflação), taxas de autorização de trabalho (EAD), taxa de parole, taxa de status de proteção temporária (TPS), taxa de integridade de visto, entre outras. (Texto do comitê; a versão final promulgada/engrossed ainda não havia sido publicada no mesmo dia da votação.)
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