Em anos de eleição geral, o funcionamento do Congresso Nacional é marcado por um calendário legislativo mais intenso e concentrado no primeiro semestre. A partir de junho, deputados e senadores tendem a dedicar mais tempo às suas campanhas eleitorais nos estados, o que pressiona pela rápida tramitação de projetos. Essa dinâmica eleva o risco de decisões apressadas em pautas importantes, que podem ser guiadas mais pelo impacto eleitoral do que por avaliações estruturais aprofundadas.
Em 2026, a expectativa é que o Congresso enfrente um cenário de maior pressão para aprovar projetos com apelo popular, como medidas de redução do custo de vida, alterações em benefícios sociais e propostas relacionadas à jornada de trabalho. Essas pautas, embora populares, podem gerar preocupações macrofiscais. Além disso, a oposição tende a intensificar a pressão sobre o governo por meio de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e da retomada de temas sensíveis, como a segurança pública, buscando desgastar o governo no período pré-eleitoral. O governo, por sua vez, busca equilibrar a aprovação de propostas que possam servir como bandeiras eleitorais com a necessidade de evitar decisões que gerem impactos fiscais ou institucionais de difícil reversão após as eleições.