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Bolsas dos EUA e ouro caem com expectativa de alta nos juros em 2026

Dados de emprego nos EUA superam expectativas, reduzindo apostas de cortes nos juros pelo Fed e pressionando mercados globais, incluindo o Brasil.

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Foto: Bloomberg - Markets
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05/06 às 11:45 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • O mercado de trabalho dos EUA criou 172.000 vagas em maio, superando a previsão de 85.000.
  • A probabilidade de um aumento de 25 pontos-base na taxa de juros pelo Fed subiu para 70%.
  • O S&P 500, Nasdaq e Dow Jones encerraram o dia com perdas, lideradas pelo setor de tecnologia.
  • Fabricantes de chips como Nvidia, Intel, AMD e Broadcom sofreram quedas após atingirem níveis de sobrecompra.
  • O presidente Donald Trump questionou a queda das bolsas, argumentando que dados positivos deveriam impulsionar o mercado.
  • Tensões geopolíticas no Oriente Médio e no Estreito de Ormuz elevaram incertezas sobre a inflação e preços de energia.
  • No Brasil, o dólar atingiu R$ 5,14 e o Ibovespa recuou para a casa dos 170 mil pontos devido à fuga de capital estrangeiro.
  • A dificuldade de cortes na Selic deve manter a renda fixa brasileira atrativa por um período maior que o esperado.
  • O mercado aguarda a primeira reunião de Kevin Warsh como chair do Federal Reserve para definir o tom da política econômica.

As bolsas de valores dos Estados Unidos encerraram uma sequência de nove semanas de alta, operando em queda após a divulgação de dados do mercado de trabalho que superaram significativamente as expectativas. Com a criação de 172.000 vagas em maio, o desempenho robusto da economia levou o Federal Reserve a reavaliar a urgência de cortes nas taxas de juros. A percepção de que o banco central americano pode adiar o início de um ciclo de flexibilização monetária gerou uma reação negativa nos mercados globais, elevando a probabilidade de um aumento de 25 pontos-base na taxa de juros para 70% no mercado futuro. O movimento também impulsionou o rendimento dos Treasuries, atraindo capital global e pressionando ativos de risco, incluindo o Bitcoin e o ouro, que eliminou todos os ganhos acumulados no ano.

O setor de tecnologia foi o mais impactado pela aversão ao risco, com investidores reduzindo posições em fabricantes de semicondutores após o segmento atingir níveis de sobrecompra. O presidente Donald Trump manifestou descontentamento com o movimento, questionando via rede social por que o mercado reagiu com pessimismo a indicadores econômicos que, em sua visão, deveriam sustentar o otimismo. Apesar da defesa do presidente, a percepção de Wall Street é de que o aquecimento do mercado de trabalho forçará o Fed a manter um aperto monetário prolongado para conter a inflação, cenário agravado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e no Estreito de Ormuz, que adicionam incertezas sobre os preços de energia.

No Brasil, o cenário externo de incerteza refletiu diretamente na economia local, elevando os juros futuros e impulsionando a cotação do dólar, que atingiu R$ 5,14. O Ibovespa recuou para a casa dos 170 mil pontos, pressionado pela saída de capital estrangeiro em busca da maior atratividade da renda fixa americana. Analistas agora ajustam suas projeções, observando que a solidez do emprego nos EUA reduz o espaço para cortes na taxa Selic, o que deve manter a renda fixa brasileira atrativa por um período maior do que o inicialmente previsto pelo mercado.

O foco dos investidores se volta para a primeira reunião conduzida por Kevin Warsh como novo chair do Federal Reserve, evento visto como um divisor de águas para a condução da política econômica sob a gestão de Trump. Warsh enfrenta seu primeiro grande desafio como tomador de decisão, com o mercado aguardando diretrizes claras sobre como o banco central equilibrará o crescimento econômico com o controle inflacionário. Especialistas alertam que, embora os números de emprego sejam positivos, existem nuances como a estagnação em certos segmentos e os desafios enfrentados por trabalhadores iniciantes, fatores que devem ser considerados na próxima reunião de política monetária.

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