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Jerome Powell defende autonomia do Federal Reserve contra interferência

O ex-presidente do Fed alerta que a politização da instituição ameaça a estabilidade econômica e a confiança pública ao receber prêmio por coragem.

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Foto: Axios - Main
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31/05 às 22:15 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • Jerome Powell classificou tentativas de interferência política no Fed como uma ameaça ao Estado de Direito.
  • A administração Trump tem realizado investigações contra o órgão e tentou remover a governadora Lisa Cook.
  • Powell permanece no conselho do Fed para evitar nomeações imediatas pelo Poder Executivo.
  • Kevin Warsh assumiu a presidência do Federal Reserve em 22 de maio, sucedendo Powell.
  • Powell recebeu o prêmio John F. Kennedy Profile in Courage pela defesa da autonomia do banco central.
  • Investigações sobre gastos na sede do Fed foram interpretadas por Powell como retaliação política pela condução dos juros.

O ex-presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, reiterou a importância da autonomia da instituição frente ao Poder Executivo, alertando que a credibilidade do banco central enfrenta um teste de estresse crítico sob a atual administração. Em meio a investigações criminais contra o órgão e tentativas de remoção de membros, como a governadora Lisa Cook, Powell classificou a postura do governo Trump como uma ameaça direta ao Estado de Direito. Ele decidiu permanecer no conselho para evitar substituições imediatas pelo presidente Donald Trump, argumentando que a independência do Fed é um pilar central para a estabilidade econômica do país.

Ao receber o prêmio John F. Kennedy Profile in Courage, Powell reforçou que a independência da autoridade monetária é um ativo inestimável para a democracia. O ex-presidente enfatizou que as decisões de política monetária não devem ser influenciadas por conveniências políticas, alertando que a politização do banco central comprometeria severamente a confiança pública. Ele destacou que as pressões pela sua renúncia e as investigações sobre gastos na sede da instituição, iniciadas após divergências sobre a política de juros, configuram um teste de estresse democrático para o sistema financeiro.

O cenário institucional mudou oficialmente em 22 de maio, quando Kevin Warsh assumiu a presidência do Federal Reserve, sucedendo Powell. Warsh defende uma reestruturação profunda da instituição, o que adiciona complexidade ao debate sobre a governança do banco. Analistas observam que as falas de Powell sublinham um momento de tensão, onde a preservação de critérios técnicos contra pressões políticas é vista como essencial para evitar a desestabilização dos mercados. A resistência de Powell em deixar o conselho reflete a preocupação de que a perda de autonomia institucional resulte em uma erosão duradoura da credibilidade do banco central perante a sociedade americana.

Fonte primária

Federal Reserve Board / Governor Jerome H. Powell

Acceptance Remarks — 2026 John F. Kennedy Profile in Courage Award

Discurso de aceitação de Jerome Powell ao receber o Prêmio John F. Kennedy Profile in Courage, em Boston, em 31 de maio de 2026 (texto oficial publicado pelo Federal Reserve). Powell argumenta que as grandes instituições públicas e privadas — universidades, a Constituição, o Legislativo, o Judiciário e o próprio Fed — são 'o alicerce e a personificação' da democracia americana. Sobre o banco central, lembra que desde sua fundação em 1913 o Fed busca estabilidade econômica e financeira via política monetária (pleno emprego e preços estáveis), supervisão bancária, operação do sistema de pagamentos e atuação como socorrista em crises (cita a Crise Financeira Global e a pandemia de COVID-19). Reconhece falibilidade: 'no Fed, somos humanos e, portanto, imperfeitos; quando erramos, reconhecemos e mudamos de rumo', mas afirma que as decisões se baseiam apenas na melhor análise econômica, sem considerar a sorte de qualquer partido ou político. Diz que o Fed passa por um 'teste de estresse' como outras instituições e defende as proteções legais que blindam a política monetária da pressão política: governadores e presidentes dos Reserve Banks têm proteção legal contra remoção e mandatos longos descolados do ciclo eleitoral de quatro anos; cabe à administração apenas preencher vagas no Board (e Chair/Vice), sujeito à confirmação do Senado. Alerta: se 'qualquer administração encontrar um meio de remover dirigentes do Fed por divergências de política, futuras administrações farão o mesmo', o público perderia a fé no banco central e sua credibilidade — 'um ativo inestimável' construído ao longo de décadas — seria perdida. Conclui invocando o respeito ao Estado de Direito ('um governo de leis, e não de homens', de John Adams), o alerta de Edmund Burke de que instituições democráticas levam muito tempo para construir e podem ser destruídas rapidamente, e a frase de Kennedy: 'Não pergunte o que seu país pode fazer por você; pergunte o que você pode fazer pelo seu país.' Powell não menciona Trump nominalmente em momento algum.

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