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Alphabet levanta US$ 80 bilhões em ações para expandir infraestrutura de IA

A Alphabet captará US$ 80 bilhões para financiar a demanda por IA, incluindo um aporte de US$ 10 bilhões da Berkshire Hathaway e foco em expansão de capital.

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Foto: The Pancake of Heaven! / CC BY-SA 4.0
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01/06 às 18:43 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • A captação de US$ 80 bilhões será dividida entre aporte direto da Berkshire Hathaway, ofertas coordenadas por bancos e venda gradual de ações.
  • O investimento marca uma mudança estratégica, visto que a Alphabet historicamente priorizava a recompra de suas próprias ações.
  • O aporte direto de US$ 10 bilhões da Berkshire Hathaway consolida a Alphabet como uma das principais posições da holding.
  • Os recursos serão destinados à expansão da infraestrutura de IA, que enfrenta demanda superior à capacidade atual da empresa.
  • A Alphabet elevou sua previsão de gastos de capital (capex) para 2026, projetando investimentos entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões.
  • O CEO Sundar Pichai defende que o risco de subinvestir em IA é atualmente superior ao risco de investir em excesso.
  • A receita da Google Cloud registrou alta de 63% no primeiro trimestre de 2026, impulsionando a necessidade de novos aportes.
  • A operação é considerada uma das maiores ofertas de ações da história do mercado financeiro.
  • Analistas debatem a sustentabilidade econômica do atual boom de investimentos em inteligência artificial diante do volume de capital mobilizado.

A Alphabet anunciou um plano ambicioso para levantar US$ 80 bilhões por meio da emissão de novas ações, visando acelerar a construção de sua infraestrutura de computação voltada à inteligência artificial. A operação, coordenada por instituições como Goldman Sachs, JPMorgan Chase e Morgan Stanley, será dividida em tranches que incluem ofertas subscritas, programas de venda e um acordo privado. O movimento reflete a necessidade de recursos intensivos para sustentar o crescimento da Google Cloud, que registrou alta de 63% na receita no primeiro trimestre de 2026, e para atender a uma demanda por serviços de IA que supera a capacidade computacional atual da companhia. A decisão representa uma mudança estratégica relevante, uma vez que a empresa historicamente focava na recompra de suas próprias ações para devolver valor aos acionistas.

Como parte fundamental desta estratégia, a empresa elevou suas projeções de gastos de capital (capex) para 2026, estimando investimentos entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões. O CEO Sundar Pichai tem defendido publicamente que, no atual cenário de corrida tecnológica, o risco de subinvestir em IA é significativamente superior ao risco de investir em excesso. Este cenário de gastos elevados é compartilhado por outras gigantes do setor, como Microsoft, Meta e Amazon, que juntas planejam investir mais de US$ 700 bilhões em capital ao longo deste ano para garantir competitividade global até o final da década.

O plano inclui um acordo de investimento direto de US$ 10 bilhões firmado com a Berkshire Hathaway, consolidando a Alphabet como uma das principais posições da holding. A participação da empresa de Greg Abel é notável por representar uma mudança na estratégia de alocação de capital da Berkshire, que historicamente evitava o setor de tecnologia. Embora a operação reforce a liderança tecnológica da Alphabet, o volume massivo de capital mobilizado tem gerado debates entre analistas de mercado sobre a sustentabilidade econômica a longo prazo do atual boom de inteligência artificial e os retornos esperados para os acionistas.

Fonte primária

Alphabet Inc. (Investor Relations)

Alphabet Announces Proposed $80 Billion Equity Capital Raise to Expand AI Infrastructure and Compute

Comunicado oficial da Alphabet (Mountain View, 1 jun 2026) anunciando ofertas de ações somando US$ 80 bilhões em valor agregado esperado para financiar investimentos em infraestrutura de computação de IA, diante de demanda que excede a oferta disponível da empresa. A estrutura tem três partes: (1) ofertas concorrentes com garantia firme de US$ 30 bi — US$ 15 bi em depositary shares representando preferred stock conversível obrigatória e US$ 15 bi em Class A Common Stock e Class C Capital Stock, divididos igualmente; (2) programa at-the-market (ATM) de até US$ 40 bi em ações Class A/C, com início previsto para o 3T2026; e (3) private placement de US$ 10 bi com a Berkshire Hathaway — US$ 5 bi em Class A a US$ 351,81/ação e US$ 5 bi em Class C a US$ 348,20/ação, ampliando posição que a Berkshire vinha construindo desde o 3T2025. Goldman Sachs, J.P. Morgan e Morgan Stanley são os joint book-running managers; Goldman atua como placement agent do private placement. Uso dos recursos: das ofertas garantidas e do private placement, fins corporativos gerais incluindo capex para escalar infraestrutura de IA e compute global; o ATM destina-se primariamente a uma mudança administrativa na forma de pagar obrigações tributárias sobre vesting de ações de funcionários (cerca de US$ 30 bi para obrigações de 2026, num modelo 'sell to cover'). A preferred stock tem liquidation preference de US$ 1.000/ação e converte-se automaticamente por volta de 15 mai 2029; a Alphabet pretende listar as depositary shares na Nasdaq sob 'GOOGM' e 'GOOGN', e fará capped call transactions para reduzir diluição. Contexto financeiro citado pela própria empresa: capex de 2026 estimado em US$ 180–190 bi (com 2027 'significativamente' maior); fluxo de caixa operacional de US$ 174 bi nos 12 meses até 31 mar 2026; mais de US$ 85 bi em dívida levantados no último ano (dívida total acima de US$ 100 bi); receita do 1T2026 cresceu 22% a/a para US$ 110 bi, Google Cloud +63% a/a com backlog de mais de US$ 460 bi, e 350 milhões de assinaturas pagas. A oferta foi registrada via Form S-3 na SEC.

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