Estudo da USP aponta risco dobrado de morte em cirurgias de Chagas
Pesquisa do InCor revela que pacientes com doença de Chagas têm mortalidade 2,4 vezes maior após procedimentos cardíacos.
Pontos principais
- O risco de morte pós-operatória para pacientes com doença de Chagas chega a 36%.
- A alta mortalidade está ligada à complexidade técnica de acessar a camada externa do coração.
- O estudo do Instituto do Coração da USP analisou 288 pacientes.
- Especialistas defendem a criação de protocolos específicos de acompanhamento no SUS.
- A doença de Chagas atinge cerca de 7 milhões de pessoas no mundo, com altos índices de subnotificação.
Um estudo conduzido pelo Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da USP identificou que pacientes portadores da doença de Chagas enfrentam um risco de mortalidade 2,4 vezes superior após passarem por cirurgias cardíacas. A análise, que acompanhou 288 pacientes, aponta que a taxa de óbito pós-operatório atinge 36% neste grupo. Segundo os pesquisadores, o desafio clínico reside na complexidade técnica dos procedimentos, que frequentemente exigem o acesso à camada externa do coração, área frequentemente comprometida pela patologia. Diante dos resultados, a equipe médica enfatiza a urgência de implementar protocolos de acompanhamento especializados no Sistema Único de Saúde (SUS) para mitigar esses riscos. A doença de Chagas, que afeta aproximadamente 7 milhões de pessoas globalmente, ainda apresenta um cenário crítico de subnotificação, o que dificulta o manejo clínico adequado desses pacientes em situações cirúrgicas.
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