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Papa Leão XIV publica primeira encíclica sobre inteligência artificial

A encíclica 'Magnifica Humanitas' alerta para riscos éticos da IA, pede supervisão global e critica a doutrina de 'guerra justa' de Donald Trump.

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Foto: NYTimes World
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25/05 às 00:31 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • A encíclica 'Magnifica Humanitas' foi apresentada em 25 de maio de 2026, marcando um ano de pontificado de Leão XIV.
  • O Papa defende que decisões letais não devem ser delegadas a sistemas de IA e condena o uso de armas autônomas.
  • O documento exige marcos legais robustos e pede que governos desacelerem o desenvolvimento de IA para garantir segurança.
  • Leão XIV critica a concentração de poder tecnológico em entidades privadas e a falta de supervisão pública independente.
  • O pontífice repudia a doutrina da 'guerra justa', argumentando que ela tem sido usada para justificar conflitos de forma inadequada.
  • A presença de Christopher Olah, da Anthropic, no lançamento gerou debates sobre a relação entre a Igreja e o setor tecnológico.
  • O texto alerta que a IA pode facilitar a disseminação de desinformação e levar a conflitos globais incontroláveis.
  • O Papa compara os perigos da inteligência artificial aos riscos das mudanças climáticas, elevando o tema à prioridade global.
  • O documento propõe uma atualização da doutrina social da Igreja, focando na dignidade humana frente à revolução tecnológica.
  • O Vaticano busca dialogar com o Vale do Silício, defendendo que a tecnologia deve servir ao bem comum e não apenas ao lucro.

O Papa Leão XIV apresentou em 25 de maio de 2026 sua primeira encíclica, 'Magnifica Humanitas', documento que marca o primeiro ano de seu pontificado. Em uma quebra de protocolo, o pontífice conduziu a apresentação no Vaticano ao lado de Christopher Olah, cofundador da Anthropic, que reconheceu a necessidade de escrutínio externo para laboratórios de IA. O texto centraliza o debate na ascensão da inteligência artificial, focando em segurança, direitos trabalhistas e a interseção entre moralidade e transformação digital. O Papa enfatizou que a tecnologia deve ser 'amigável aos seres humanos' e não deve substituir o julgamento humano em decisões letais, alertando para os riscos de delegar escolhas irreversíveis a sistemas artificiais.

Inspirado pela 'Rerum Novarum' de 1891, o pontífice traça um paralelo entre os desafios da Revolução Industrial e a atual era digital. Leão XIV utiliza as metáforas bíblicas de Babel e Jerusalém para contrastar a busca pelo lucro desenfreado com a necessidade de uma coexistência fraterna. O documento exige a criação de marcos legais robustos e mecanismos de supervisão independente, visando conter os impactos negativos da automação no mercado de trabalho e prevenir novas formas de escravidão tecnológica. Além disso, o Papa defende que a propriedade de dados não deve ficar exclusivamente em mãos privadas, criticando o enfraquecimento de organizações multilaterais.

Além das questões éticas, o pontífice condenou o conceito de 'guerra justa' defendido pela administração do presidente Donald Trump, classificando a doutrina como obsoleta e frequentemente usada para justificar conflitos de forma inadequada. O documento alerta que a tecnologia, se não for regulada, pode conduzir o mundo a ciclos de conflitos armados sem fim e facilitar a disseminação massiva de desinformação. Esse posicionamento, somado às críticas à indústria de armas e à concentração de poder tecnológico, tem gerado tensões diplomáticas entre o Vaticano e a Casa Branca, em um momento de intensa movimentação na geopolítica global.

Ao atualizar a doutrina social da Igreja, o Papa reforça que o progresso técnico não pode ser regido apenas por critérios de eficiência e ganho financeiro. A presença de especialistas e líderes do setor tecnológico no lançamento sublinha o interesse do Vaticano em estabelecer um diálogo direto com o Vale do Silício. Para Leão XIV, a proteção da pessoa humana deve ser o pilar central de qualquer desenvolvimento tecnológico, garantindo que a inovação contribua para o bem comum e não para o aprofundamento das desigualdades sociais ou para a erosão da verdade pública.

Fonte primária

Santa Sé / Vaticano

Carta Encíclica Magnifica Humanitas — Leão XIV

Primeira encíclica do pontificado de Leão XIV, assinada em 15/05/2026 (135º aniversário da Rerum novarum de Leão XIII) e publicada em 25/05/2026. Encíclica social em cinco capítulos sobre a salvaguarda da pessoa humana no tempo da inteligência artificial. Parte da premissa de que a técnica não é 'antagonista da humanidade' nem 'intrinsecamente má', mas 'nunca é neutra', pois assume as características de quem a concebe, financia, regula e usa. O Papa afirma que a IA pode imitar e simular a pessoa, mas não possui consciência moral, empatia nem capacidade afetiva, relacional ou espiritual. Defende um código ético submetido a critérios de justiça social partilhada, com supervisão independente e transparência, sintetizado na frase 'não precisamos de uma IA mais moral, se esta moral for decidida por poucos' (§107). Alerta que algoritmos, plataformas, dados e infraestruturas tecnológicas são novas formas de propriedade que não podem ficar concentradas em poucas mãos, sob pena de alargar o fosso entre incluídos e excluídos (§67). Propõe 'desarmar' a IA, subtraindo-a à lógica de competição armada militar, económica e cognitiva e quebrando a equivalência entre poder técnico e direito de governar (§110). Sobre a guerra, sustenta que 'não existe algoritmo que possa tornar a guerra moralmente aceitável' e que a teoria da 'guerra justa' deve ser superada, preservada a legítima defesa em sentido estrito. Trata ainda da dignidade do trabalho na transição digital, da crítica ao transumanismo e ao pós-humanismo, de uma 'ecologia da comunicação' baseada na verdade, e das novas formas de escravidão e colonialismo ligadas à extração de matérias-primas e à exploração de dados.

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