Documento 'Magnifica humanitas', de cerca de 43 mil palavras, defende regulação, supervisão independente e dados como bem comum.
Cento e trinta e cinco anos depois de a encíclica Rerum novarum responder à Revolução Industrial, o Papa Leão XIV dedicou seu primeiro documento do tipo, o mais solene de um papado, à inteligência artificial. Intitulado 'Magnifica humanitas: Sobre a salvaguarda da pessoa humana no tempo da inteligência artificial', o texto conclama os governos a um 'envolvimento político mais ativo, capaz de frear quando tudo acelera'.
Para o papa, a IA não é moralmente neutra: 'imita e simula a pessoa, mas não possui consciência moral, empatia nem capacidades afetivas, relacionais ou espirituais'. O documento defende marcos legais, supervisão independente e proteção de crianças contra imagens hipersexualizadas geradas por IA, denuncia 'novas formas de escravidão' nas cadeias de produção de tecnologia e argumenta que os dados deveriam ser tratados como 'bem comum', não vendidos ou confiados a poucos. Christopher Olah, cofundador da Anthropic, esteve entre os que apresentaram o texto no Vaticano.
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