Guerra no Oriente Médio eleva inflação global e preços de energia e alimentos
O conflito no Oriente Médio eleva os preços de energia e alimentos globalmente, impactando a inflação e o crescimento econômico, segundo FMI e FAO.
Pontos principais
- A guerra no Oriente Médio elevou os preços dos fertilizantes e combustíveis, com impacto limitado nos alimentos no Brasil este ano, mas pressão maior vinda do diesel.
- O FMI alertou que a continuidade do conflito pode levar a preços mais altos e crescimento econômico mais lento globalmente em 2026.
- Grandes importadores de energia na Ásia e Europa são os mais afetados pelos custos crescentes de combustível e insumos, devido à interrupção no Estreito de Ormuz.
- Os preços mundiais dos alimentos aumentaram em março, impulsionados pelos custos de energia, com o Índice de Preços de Alimentos da FAO atingindo 128,5 pontos.
- A FAO alertou que um conflito prolongado e custos de produção altos podem levar à redução da produção agrícola e afetar a oferta e os preços dos alimentos no futuro.
A guerra no Oriente Médio tem provocado uma disparada nos preços dos fertilizantes e combustíveis, gerando alertas inflacionários em diversas economias globais. No Brasil, o impacto imediato nos preços dos alimentos é limitado, pois a colheita já está finalizada, mas a pressão maior vem do aumento dos combustíveis, especialmente o diesel, que afeta a logística. O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a continuidade do conflito pode levar a preços mais altos e crescimento econômico mais lento globalmente em 2026.
Grandes importadores de energia na Ásia e Europa são os mais afetados pelos custos crescentes de combustível e insumos, devido à interrupção no Estreito de Ormuz. Nos Estados Unidos, o preço médio do galão de gasolina já superou US$ 4, e a zona do euro registrou forte aceleração da inflação anual em março, impulsionada pelos preços da energia. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) também reportou que os preços mundiais dos alimentos subiram em março, com o Índice de Preços de Alimentos atingindo 128,5 pontos, um aumento de 2,4% em relação a fevereiro, impulsionado pelos custos de energia. O economista-chefe da FAO, Máximo Torero, afirmou que os aumentos foram modestos até agora, amortecidos pela oferta global de cereais, mas alertou que um conflito prolongado e custos de produção elevados podem levar à redução da produção agrícola e afetar a oferta e os preços dos alimentos no futuro.
O Brasil, que importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, é particularmente vulnerável, com culturas como milho, arroz, trigo e cana-de-açúcar sendo as mais afetadas pelo aumento dos custos. No médio prazo, a persistência dos altos preços pode levar produtores a reduzir a área plantada ou a aplicação de adubos, impactando a oferta e os preços dos alimentos.
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