A China enfrenta uma grave crise demográfica, com a taxa de natalidade em seu ponto mais baixo desde 1949, apesar dos esforços governamentais para reverter a tendência e incentivar nascimentos.
A China está imersa em uma crise demográfica sem precedentes, com a taxa de natalidade atingindo seu nível mais baixo desde 1949, registrando 5,63 nascimentos por mil habitantes em 2025. Esta queda acentuada resultou em uma diminuição da população total em 3,4 milhões no último ano, marcando o quarto ano consecutivo em que o número de mortes supera o de nascimentos. As políticas governamentais, desde a política do filho único até os incentivos mais recentes para ter dois ou três filhos, não conseguiram reverter essa tendência, que já se manifestava desde a década de 1970.
Diversos fatores contribuem para essa situação, incluindo um desequilíbrio de gênero significativo, resultado de abortos seletivos de fetos femininos, que criou uma "crise de solteiros" com milhões de homens sem parceiras. Além disso, mulheres com maior nível educacional tendem a adiar o casamento ou optar por não casar, impactando diretamente a natalidade. Os altos custos e as dificuldades na criação dos filhos são citados pela população como os principais motivos para a relutância em ter mais descendentes, tornando ineficazes os incentivos financeiros e até medidas controversas, como um imposto sobre contraceptivos. A persistência dessa crise ameaça a China com um envelhecimento populacional antes de um enriquecimento, o que pode esgotar a força de trabalho, enfraquecer a demanda dos consumidores e ter sérias repercussões na economia global.