O aquecimento da superfície do Oceano Atlântico está alterando o regime de chuvas no Brasil, resultando em eventos climáticos extremos como chuvas torrenciais e estiagens, com a degradação ambiental agravando a situação.
O aquecimento contínuo da superfície do Oceano Atlântico está potencializando a ocorrência de eventos climáticos extremos no Brasil, manifestando-se em chuvas torrenciais e períodos de estiagem prolongada. Segundo o meteorologista Marcelo Seluchi, o aquecimento global eleva a temperatura da atmosfera, fazendo com que a umidade proveniente do oceano se converta em chuvas de intensidade extrema. Em algumas áreas da costa brasileira, a temperatura média das águas oceânicas já se encontra até 3°C acima da média histórica, um fator que aumenta significativamente a umidade atmosférica.
Este fenômeno é corroborado por dados da Noaa e por um estudo publicado na revista Advances in Atmospheric Sciences, que apontam para recordes no aquecimento dos oceanos, atribuídos principalmente à emissão de gases de efeito estufa. A professora Ilana Wainer destaca que a temperatura do planeta e dos oceanos tem apresentado um aumento constante desde 1850, com uma aceleração notável a partir da década de 1980. A degradação ambiental, exemplificada pelo desmatamento na Amazônia, agrava ainda mais a irregularidade na distribuição das chuvas, causando secas em certas regiões e inundações em outras.