O Conselho Federal de Medicina (CFM) estuda vincular o registro profissional de médicos ao desempenho no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), proposta que gera controvérsia com o Ministério da Educação e associações do setor.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) está avaliando a possibilidade de utilizar as notas do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) como critério para a concessão do registro profissional. A medida, que poderia resultar na negação do registro a médicos com notas consideradas insuficientes, tem gerado um intenso debate com o Ministério da Educação (MEC) e diversas associações do setor. O presidente do CFM, José Hiram Gallo, defende a iniciativa, citando um "problema estrutural gravíssimo" na formação médica e a necessidade de sanções para faculdades com baixo desempenho.
A proposta encontra apoio na Associação Médica Brasileira (AMB), que também defende a criação de um exame de proficiência e critica a expansão desordenada de cursos de medicina. No entanto, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) expressa preocupação com o que considera um "uso punitivo" do Enamed, argumentando que o exame não foi concebido para avaliar a aptidão profissional e que a declaração do CFM carece de validade legal. A discussão se intensifica enquanto dois projetos de lei sobre o tema tramitam no Congresso Nacional, indicando a relevância e a complexidade da questão para o futuro da medicina no Brasil.