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Ministro da Fazenda debate aspectos econômicos da redução da jornada 6x1 (PEC 221/19) - 12/5/26

Câmara dos Deputados12 de maio de 20262h17minVer no YouTube

Contexto

Esta audiência pública, realizada em 12 de maio de 2026 pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados, debateu os aspectos econômicos da PEC 221/19, que propõe o fim da escala de trabalho 6x1. O debate contou com a participação do Ministro da Fazenda, Dário Durigan, além de representantes do IPEA, da Fecomércio-SP e da Unicamp. O tom geral foi de busca por um equilíbrio entre a demanda social por qualidade de vida e a viabilidade econômica para as empresas.

Pontos Principais

  • Perfil do Trabalhador: Felipe Vela (IPEA) destacou que trabalhadores em jornadas superiores a 40 horas semanais acumulam desvantagens, como menor escolaridade e salários mais baixos. A redução da jornada é apresentada como uma ferramenta para diminuir a desigualdade no mercado formal.
  • Impacto nos Custos: Fábio Pina (Fecomércio-SP) argumentou que a redução da jornada impõe um custo adicional de aproximadamente R$ 160 bilhões anuais à folha de pagamento, o que, segundo ele, poderia pressionar preços ou gerar desemprego, especialmente em pequenas empresas.
  • Produtividade e Experiência Internacional: O professor José Dário (Unicamp) refutou a ideia de que a redução da jornada causa colapso econômico, citando experiências internacionais onde a produtividade aumentou e o absenteísmo caiu após a implementação de jornadas reduzidas. Ele enfatizou que o crescimento econômico depende de múltiplos fatores macroeconômicos, não apenas da duração da jornada.
  • Posicionamento do Governo: O Ministro Dário Durigan defendeu que o debate é geracional e que o governo busca um "ponto de equilíbrio". Ele ressaltou que a reforma tributária e outras políticas de produtividade são fundamentais para que a economia absorva essa transição sem prejuízos, descartando a necessidade de indenizações aos empregadores, uma vez que a hora de trabalho pertence ao trabalhador.
  • Saúde e Custo Social: Deputados e representantes de movimentos sociais (como o VAT) destacaram o aumento exponencial de custos com saúde pública (SUS e Previdência) decorrentes de doenças ocupacionais, como burnout, causadas pela exaustão da escala 6x1.

Implicações

  • Transição e Negociação: O relator, deputado Léo Prates, reforçou que o objetivo é construir um relatório que alcance os 308 votos necessários para aprovação, buscando um pacto que envolva linhas de crédito e qualificação profissional para empresas e trabalhadores.
  • Foco na Produtividade: Há um consenso emergente de que o Brasil precisa superar o modelo de baixa produtividade. O governo sinaliza que a redução da jornada deve ser acompanhada por investimentos em tecnologia, infraestrutura e desburocratização.
  • Próximos Passos: A comissão continuará a série de audiências públicas em diferentes estados (São Paulo, Rio Grande do Sul e Maranhão) para aprofundar o debate sobre impactos sociais e setoriais antes da apresentação do relatório final.