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Macroeconomic Cycles and the Future of Fiscal Policy: Lyn Alden | U Got Options with Cem Karsan

Kai Media23 de abril de 20261h07minVer no YouTube

Neste episódio de "U Got Options", Cem Karsan, do CBOE, entrevista Lyn Alden, conhecida por sua análise macroeconômica. Eles discutem os ciclos macroeconômicos atuais, a dominância fiscal, o futuro da política fiscal, o papel da inteligência artificial e o futuro das criptomoedas, especialmente Bitcoin e stablecoins. Alden compartilha sua perspectiva sobre por que a dominância fiscal é inevitável e persistente, as implicações da dívida pública elevada e como o cenário atual difere de períodos históricos anteriores.

Dominância Fiscal e Ciclos de Dívida

  • Início da Dominância Fiscal: Lyn Alden explica que sua abordagem de investimento, desde 2019, foca na dominância fiscal, especialmente nos EUA e globalmente. Ela observou que grande parte do mercado subestimava o poder e a quantidade de estímulo fiscal que viria.
  • Mudança de Alavancagem: Houve uma transferência significativa da alavancagem do setor privado para o setor público. Isso tem implicações para o PIB nominal, concentração de riqueza, níveis de inflação e desempenho do mercado.
  • Déficits Fiscais Estruturalmente Altos: Devido à dominância fiscal e outros fatores, os EUA têm déficits fiscais estruturalmente altos. Isso tende a manter os valores nominais elevados, resultando em um ambiente de PIB "aquecido" e bons preços de ativos em termos de moeda ao longo de vários anos.
  • Ciclos de Dívida Históricos: Alden descreve como os ciclos de dívida levam a taxas de juros cada vez mais baixas e níveis de dívida crescentes em relação ao PIB. Quando as taxas de juros chegam a zero e os níveis de dívida privada são muito altos (como em 1929/1930 e 2007/2008), os países que controlam sua própria moeda tendem a "imprimir" dinheiro. Isso transfere a dívida do setor privado para o público através de injeções fiscais e monetização da dívida.
  • Diferença em Relação aos Anos 70: A situação atual difere dos anos 70. Naquela época, a maior parte da criação de dinheiro vinha do crédito bancário do setor privado. Hoje, com dívida pública superior a 100% do PIB, o aumento das taxas de juros para combater a inflação aumenta a despesa com juros federais, criando um ciclo difícil de desacelerar.
  • Fatores Adicionais: Demografia (população envelhecida com altos custos médicos e previdência social) e a financeirização da economia dos EUA (receita tributária correlacionada com preços de ativos) contribuem para a dificuldade de reduzir os déficits.

O Privilégio Exorbitante do Dólar Americano

  • Resiliência do Dólar: Alden argumenta que, embora a dívida importe, o dólar americano possui uma demanda estrutural externa significativa (trilhões em passivos denominados em dólar fora dos EUA), o que o torna resiliente a choques e impede um colapso imediato.
  • Efeitos dos Déficits: Apesar da resiliência, os déficits fiscais ainda têm efeitos nos preços dos ativos, na economia e na distribuição de riqueza.
  • Custos do Status de Reserva: Ter o dólar como moeda de reserva global tem custos. Embora seja bom para a "América, o império" (sanções, vigilância financeira), prejudica a base industrial doméstica, especialmente a manufatura de baixa margem, devido à valorização artificial da moeda.
  • Impacto da Perda do Privilégio Exorbitante: Se a demanda externa pelo dólar diminuir, os EUA teriam que financiar mais dívida internamente, levando a um efeito de crowding out (deslocamento de investimento privado) ou à monetização pelo banco central, o que aumentaria a inflação. Isso faria com que os EUA se assemelhassem a outros países desenvolvidos, sem a vantagem extra do dólar.

Populismo e Tecnologia

  • Populismo como Fator-Chave: Karsan e Alden concordam que o populismo é um motor crucial. Após a crise financeira de 2008, os bailouts seletivos geraram um sentimento de injustiça, alimentando movimentos populistas como o Tea Party e o Occupy Wall Street. Isso levou a um estímulo mais generalizado durante a COVID-19, em vez de apenas recapitalizar bancos.
  • Mudança na Política Republicana: Alden observa que a plataforma republicana mudou de cortes nos gastos com benefícios sociais para a promessa de não cortar a Previdência Social ou o Medicare, refletindo o aumento do populismo.
  • IA e Inflação: A inteligência artificial, embora intrinsecamente deflacionária devido ao aumento da produtividade, pode paradoxalmente levar a pressões inflacionárias. A resposta política a essa deflação tecnológica, especialmente em um ambiente populista, pode desencadear estímulos que geram inflação, como visto durante a COVID-19.

Criptomoedas: Bitcoin e Stablecoins

  • Visão Nuanceada: Alden tem opiniões distintas sobre diferentes aspectos das criptomoedas. Ela é cética em relação à maioria das altcoins, mas otimista em relação ao Bitcoin e às stablecoins.
  • Bitcoin como Vencedor Estrutural: Ela vê o Bitcoin como a invenção de um registro descentralizado que, após 17 anos, demonstrou funcionar. Seu efeito de rede, segurança e liquidez, juntamente com seu design simples que maximiza a descentralização, o tornam um "vencedor estrutural", apesar da volatilidade.
  • Stablecoins e Acesso Financeiro: As stablecoins são vistas como uma forma de tokenizar o dólar, tornando contas bancárias offshore acessíveis a qualquer pessoa com um smartphone. Isso permite que indivíduos em países com moedas instáveis armazenem valor em equivalentes do dólar, rompendo barreiras financeiras. Alden tem sido otimista com as stablecoins desde que sua capitalização de mercado era de US$ 30 bilhões, e agora, em torno de US$ 300 bilhões, ela ainda vê um crescimento significativo.
  • Ameaça ao Poder: Karsan argumenta que o Bitcoin, como moeda, ameaça o poder dos estados, especialmente o privilégio exorbitante do dólar americano. Ele acredita que, a longo prazo (mais de 10 anos), os governos tentarão controlar ou suprimir as criptomoedas devido aos incentivos de tributação, rastreamento e controle da oferta monetária.
  • Resiliência do Bitcoin: Alden contrapõe que é difícil para os governos vender a narrativa de que uma "planilha descentralizada" os desafia. Ela cita a resiliência do Bitcoin na China, que tentou banir a mineração várias vezes sem sucesso total, resultando em maior descentralização da rede. Ela sugere que os governos provavelmente focarão em regulamentar a privacidade e o rastreamento para garantir a arrecadação de impostos, em vez de proibições draconianas.

Implicações

  • Persistência da Dominância Fiscal: A dominância fiscal e os déficits elevados nos EUA são tendências estruturais que provavelmente persistirão, impulsionando a inflação nominal e os preços dos ativos.
  • Desafios para o Dólar: Embora o dólar mantenha seu status de reserva por enquanto, a erosão gradual desse privilégio pode levar a desafios significativos para a economia dos EUA, exigindo maior financiamento doméstico da dívida ou monetização.
  • Crescimento das Criptomoedas: Bitcoin e stablecoins estão posicionados para um crescimento contínuo, impulsionados pela demanda por descentralização e acesso a moedas mais estáveis, embora enfrentem desafios regulatórios e a resistência de governos que buscam manter o controle financeiro.
  • Impacto da IA: A IA, embora deflacionária em sua essência, pode catalisar respostas políticas populistas que, por sua vez, geram pressões inflacionárias, complicando o cenário macroeconômico.